Dentro de um mês estarei em Cannes, Riviera francesa, não para passar férias mas trabalhar. Serei um dos jurados da categoria de PR nos Cannes Lions, os leões que durante tantos anos fizeram sonhar criativos e executivos publicitários mas que hoje representam, verdadeiramente, a indústria do marketing. A indústria da criatividade na comunicação.
Com perto de 60 anos de história – e sendo quase sempre relegado para segundo plano pelo seu vizinho mais glamouroso – o Festival de Cannes ganhou um grande impulso em 2004, quando foi adquirido pela Emap, editora especializada em publicações para profissionais.
Desde então o ritmo de lançamento de novas categorias não parou e era apenas uma questão de tempo até que as PR chegassem, com a sua própria competição, a Cannes.
Hoje, o Festival de Cannes é um certame de criatividade e eficácia ligada à criatividade, um certame onde as categorias cada vez mais se esbatem, interligam e influenciam.
Quem me costuma ler sabe que, dos prémios, gosto do seu efeito de contágio e promoção de boas práticas. Da sua importância para a mudança de mentalidades. É isso que tentarei também beber de Cannes.
Em Cannes, farei parte de um conjunto de 21 jurados, liderados por Gail Heimann, VP da Weber Shandwick e que tem nomes carismáticos da indústria, como Marian Salzman, CEO da Euro RSCG PR para os Estados Unidos, Joe Sinclair, da Burson-Marsteller UK, Flávio Ribeiro de Castro, da brasileira FSB ou Javier Curtichs, que fundou a Tinkle em 1999.
O painel de speakers, liderado por Bill Clinton ou Martin Sorrell, é absolutamente inacreditável. Tomarei algum tempo para escrever sobre as conferências a que vou assistir, por isso fiquem atentos a este blog, tão mal tratado nos últimos meses.
Para quem ainda não teve oportunidade de aceder aos dados do Edelman Trust Barometer 2012, aqui ficam os resultados do estudo. Primeiro os globais, depois os portugueses. Boa leitura e análise.
A boa disposição e inteligência política de António Vitorino, a assertividade e clareza de raciocínio de Daniel Bessa e a capacidade de análise do anfitrião João Duque marcaram a apresentação da terceira edição do Edelman Trust Barometer Portugal.
Foi uma excelente final de tarde de sexta no ISEG, num ambiente que respira negócios, empreendedorismo, visão e que confirmou, uma vez mais, o Edelman Trust Barometer como o estudo de referência, em Portugal e globalmente, quano se fala sobre a confiança dos consumidores nas instituições que influenciam o nosso dia-a-dia.
Desde que foi apresentado no World Economic Forum, o Edelman Trust Barometer percorreu meio mundo. Os resultados globais já eram conhecidos, os números portugueses confirmaram que Portugal é um País desconfiado. Apesar de tudo, os portugueses confiam hoje mais no Governo, media e empresas que há um ano atrás.
Curiosamente, as ONG - que continuam a ser a instituição em que os portugueses mais confiam - desceram este ano dos 69 para os 63% de confiança.
Do debate de sexta, destaco três afirmações, uma da cada orador. Segundo Daniel Bessa, no Edelman Trust Barometer 2013 a confiança dos portuguese no Governo voltará a cair. Será normal que tal aconteça. António Vitorino, por sua vez, diz que é nos períodos de crise que as instituições são mais questionadas, e que estes perídos chegam mesmo a gerar a desconfiança entre pares.
Finalmente, João Duque ironizou que, qualquer dia, os gestores terão de pagar para trabalhar. Quando a conversa chegou à transparência – e comparando com o caso britânico, ou melhor, da banca britânica – elogiou o antigo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, pela sua gestão do caso BPN. “Deixar cair o BPN naquela altura, naquela semana... seria o caos em Portugal”.
Em breve colocarei aqui toda a documentação de apoio à análise do Edelman Trust Barometer Portugal 2012. Até lá.
António Vitorino, João Duque e Daniel Bessa são os três convidados da apresentação dos resultados da edição de 2012 do Edelman Trust Barometer Portugal, que se realiza na próxima sexta-feira, 20 de Abril, pelas 17h30 no ISEG.
Com Portugal a passar por uma das mais complicadas crises dos últimos anos, será interessante perceber qual o nível de confiança dos portugueses nas empresas, Governo, ONG e nos media, por exemplo.
Como nos anos anteriores, também a edição de 2012 do Trust Barometer inquiriu uma franja muito específica da população: portugueses que auferem um rendimento alto, vêem ou lêem regularmente notícias e que têm pelo menos uma licenciatura.
Como sabem, o Edelman Trust Barometer é um dos principais estudos globais sobre a confiança, sendo apresentado anualmente no World Economic Forum. A edição de 2012 não foi excepção, por isso os resultados globais do estudo foram conhecidos há várias semanas. Podem consultá-los aqui.
Tendo em conta a apresentação de 2011 – e da magnífica conversa que tive com Augusto Mateus, Basílio Horta, António Gomes Mota e João Wengorovius Meneses – as expectativas para a edição deste ano são altíssimas. Sobretudo devido ao momento que, uma vez mais reforço, atravessamos.
Este é o 12º ano consecutivo do Edelman Trust Barometer, um estudo que tem ajudado a Edelman – consultora global de PR na qual a GCI é afiliada – a preparar-se para o futuro, sendo uma ferramenta importantíssima na estratégia de crescimento e desenvolvimento de novas áreas de negócio.
O Edelman Trust Barometer Portugal realiza-se no auditório CGD, no ISEG, na sexta-feira ao final da tarde. Uma excelente forma de nos prepararmos para o fim-de-semana. Espero por vós no ISEG (as inscrições podem ser comunicadas, via email, para o Francisco Crujo. Basta confirmar a presença para fcrujo@gci.pt).
Alguns dos resultados globais são verdadeiramente surpreendentes. Veja as conclusões de Richard Edelman.
*Texto publicado no Imagens de Marca
Não gosto particularmente da palavra “encruzilhada”, mas acho que ela define bem – e à letra – o pensamento de Keith Weed, Chief Marketing Officer da Unilever. Weed utilizou-a ao referir-se, genericamente, aos desafios que o marketing enfrenta hoje.
Há poucas empresas que são verdadeiramente ouvidas quando falam de marketing, e de estratégias a adoptar para o usar bem, e a Unilever é uma delas – juntamente com a P&G, McDonald’s ou Coca-Cola, por exemplo.
Por isso, há que tomar muita atenção às palavras de Weed, que falava na cimeira da Advertising Association. Segundo o responsável, o marketing está numa encruzilhada – como o próprio capitalismo, aliás – e precisa de se readaptar aos novos desafios globais.
E que desafios são esses? Temos cada vez menos recursos naturais e, paralelamente, uma população que não pára de aumentar. Sim, estas parecem preocupações de ONG ambientais, mas é do CMO da Unilever, um dos homens mais poderosos do marketing global, que estamos a falar.
Os marketers, diz Weed, têm de aceitar as suas responsabilidades e ajudar a construir um futuro mais ético e sustentável. E citou William Lever e Henry Ford para explicar que o marketing, desde o seu início, tem como objectivo construir marcas a partir de uma premissa base: servir os consumidores.
"Às vezes pergunto-me se, no século XXI, não vemos o marketing apenas como uma máquina de vendas, a precisamos de voltar a pensar um pouco em como podemos voltar a servir os consumidores”, explicou o CMO da Unilever.
Mas Weed foi mais longe. “O capitalismo está numa encruzilhada e o marketing está numa encruzilhada – o capitalismo trimestral levou a um marketing trimestral. Precisamos de nos assegurar que os marketers se preocupam com ROI e P&L, mas também olham para o longo prazo e para os assuntos relacionados com o longo prazo. E fogem do curto prazo”.
Weed notou que a população global deverá crescer dos actuais 7 mil milhões de pessoas para os 9 mil milhões em 2050 – ou até 9,5 mil milhões – e que é preciso “reinventar o marketing para o novo ambiente”. “O que vamos fazer quando começarem a faltar [os recursos]? As estimativas dizem-nos que o cobre e o chumbo vão acabar dentro de 20 a 25 anos, o ferro vai acabar durante a nossa vida. Já estamos a assistir a grandes problemas relacionados com a água, em todo o mundo, e em 2025 dois terços do planeta terá problemas com a água – haverá 1,8 mil milhões de pessoas com falta de água”, explicou o responsável.
Infelizmente, há que dizer, esta preocupação da Unilever para com o consumo sustentável não é seguida por muitas mais empresas. Será uma questão de tempo até seguirem este caminho, até porque vão perceber que não está apenas em jogo o facto de serem uma companhia lucrativa – está em causa a sua própria existência enquanto empresa.
A multinacional anglo-holandesa tem feito o seu papel – liderar a mudança pelo consumo sustentável. Lançou a Unilever Foundation, em parceria com a Oxfam, PSI, Save the Children, Uniced e World Food Programa, tem tido um papel fundamental na luta contra o desperdício alimentar, entre outras iniciativas, e tem dedicado à gestão da sustentabilidade um papel que vai muito além do marketing – estou a falar de inovação e desenvolvimento, por exemplo.
“O grande desafio é saber como podemos encontrar o consumo sustentável, como podemos separar toda a procura que teremos com o crescimento populacional e, ao mesmo tempo, não esgotar o nosso planeta”, concluiu Weed.
Tal como o CMO da Unilever, acho que o mundo do marketing ainda não percebeu esta a mensagem. Esta encruzilhada não se resolverá tão cedo, infelizmente, mas da resolução deste problema sairá um marketing e empresas mais fortes para encararem o futuro do planeta sustentável.
Uma coisa é certa: o CMO da Unilever anda a passar muito tempo no departamento de sustentabilidade. E isso diz muito do caminho que seguirá o marketing e as suas disciplinas nos próximos dez anos.
Na semana passada, uma notícia passou despercebida em Portugal: o Governo do Rio de Janeiro expandiu o Rio Digital, o seu projecto de inclusão tecnológica, ao Morro do Adeus, Morro da Baiana e ao muito mediático Morro do Alemão.
Desde quinta-feira que estes três morros, que fazem parte do chamado Complexo do Alemão, têm wi-fi gratuita, um projecto que está a ser implementado faseadamente e que, quando concluído, chegará a 380 mil pessoas.
Para quem não tem smartphone ou computador, a secretaria da Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro vai também lançar um centro de informação na Associação dos Moradores do Morro do Adeus. Aqui serão disponibilizados computadores com acesso a serviços básicos.
O Governo do Rio de Janeiro espera que 80 mil pessoas encontrem, neste centro, respostas para o seu analfabetismo digital. A partir daqui, tudo pode acontecer: todos estamos um bocadinho mais iguais no empreendedorismo digital, na criatividade, na criação e aproveitamento das oportunidades, na decisão de mudarmos a nossa vida.
Ao longo dos anos, tenho dedicado alguns posts a referir a importância da tecnologia na inclusão social, a sua vertente empreendedora e influência na mudança de mentalidades.
Por isso, não poderia ignorar este projecto, desenvolvido numa cidade que conheço cada vez melhor e que estou a aprender a gostar. Não conheço nenhuma outra cidade onde se trabalhe tanto – e tão bem – a mudança de mentalidades. E, pelo que sei, isto ainda é só o início.
PS: Acabo de saber que Isabel Jonet vai participar no percurso da tocha olímpica de Londres 2012, um reconhecimento feito ao “seu” Banco Alimentar. Que excelente início de promoção olímpica em Portugal!
Depois de uma década de estabilização económica e aposta nos grandes projectos públicos, o Governo angolano está agora a relançar as pequenas e médias empresas como o motor da economia. A conclusão é do Jornal de Negócios, num suplemento publicado esta semana e dedicado a Angola.
É verdade. Angola quer agora reduzir a dependência das receitas do petróleo, incentivando o investimento noutros sectores produtivos. E a aposta está ganha. O sector não petrolífero cresceu 7,7% em 2011, esperando-se que continue a crescer este ano, agora a dois dígitos: 11,5%.
Em 2012, o PIB angolano deverá crescer 12,8%. A economia já ultrapassou o pequeno abrandamento provocado pela crise global e assume-se agora como a mais pujante economia africana.
É inegável – e o Negócios afirma-o – que esta dessincronização de ciclos entre Portugal e Angola é uma oportunidade para reforçar os laços bilaterais entre Luanda e Lisboa. Investir ou exportar para Angola vai permitir às empresas portuguesas contrariar o impacto negativo da recessão no nosso País.
Mas é necessária estratégia, palavra tantas vezes esquecida nestes processos. Anteontem, o CEO da Siemens para a área de Cidades & Infra-estruturas, Roland Busch, explicou ao Green Savers que as cidades de países em desenvolvimento, como Luanda, têm uma grande oportunidade em mãos: saltar por cima das soluções desenvolvidas na era industrial e pós-industrial e passar directamente para as soluções do século XXI.
Busch falava, sobretudo, de sustentabilidade urbana. Angola sabe-o, por isso tem na agricultura, infra-estruturas e energias renováveis três das suas grandes apostas a médio e longo prazo. Creio que esta aposta se irá sentir bastante nos próximos tempos.
Depois há ainda a oportunidade de trazemos o Brasil e Moçambique, por exemplo, para esta equação. São destinos naturais e desejáveis.
O Negócios segue o guião das “imensas oportunidades de negócio” no mercado angolano. Outra verdade, mas sem El-doradismos, como já por várias vezes escrevi por aqui.
PS: A Uanda comemora este mês dois anos de actividade. Para mais informações sobre a nossa consultora em Angola envie um e-mail para a Dina Cortinhas (dina.cortinhas@uanda.co.ao)
1. O centro de inovação português Inteli vai liderar o Re-Green, um projecto europeu dedicado à Economia Verde e que está hoje a ser apresentado no Museu do Fado, em Lisboa. Construção sustentável, criação de emprego e inclusão social serão alguns dos temas que, nos próximos três anos, serão estudados por este projecto, que conta com representantes de oito países europeus.
2. Na Holanda, o ateliê de design StudioStudio inventou um tipo de letra para disléxicos. A nova fonte reconhece que os disléxicos tendem a rodar as letras e a misturá-las e, para evitar que tal aconteça, concebeu vários truques para que as letras fiquem no seu lugar e sejam lidas mais facilmente.
3. Mais a Sul, em África, todos querem ter a Buffalo, uma bicicleta desenvolvida especificamente para a realidade africana e que ajuda a população de países como a Zâmbia, África do Sul, Zimbabué ou Quénia a deslocar-se mais facilmente. Paralelamente, a Buffalo cria empregos e traz mais investimento para o continente africano. A sua génese também é curiosa: a ONG World Bicycle Relief, que continua activa. Que grande projecto!
4. Na China, uma das obsessões continua a ser a poupança. Dois designers criaram um temporizador portátil para torneiras, um objecto que pode facilmente ser acoplado às torneiras e permite ao utilizador cortar o fluxo de água sempre que for preciso, poupando-a a desperdícios.
5. Nos Estados Unidos, rival chinês, dois engenheiros ex-colaboradores da Apple desenvolveram um termostato inteligente e que ajuda a poupar energia, podendo ser utilizado remotamente através da internet ou smartphones.
Este cinco projectos, pescados rapidamente no Green Savers, são a prova de que, com crise ou sem crise, a vida continua. Numa época de poucas certezas, há uma com a qual podemos contar: o futuro pedirá cada vez mais aos cidadãos, sociedade civil, emprsas e academia que trabalhem na transição para a Economia Verde.
Conhece algum projecto que se enquadre neste cenário? Então não hesite em concorrer ou passar a palavra: as inscrições para o Green Project Awards Portugal arrancam na próxima quinta-feira, 1 de Março, e há sete categorias e um prémio especial a concurso.
Boa sorte a todos.
Há oito anos que o Imagens de Marca desafia os consumidores a perceberem melhor as marcas, algumas das suas estratégias e decisões.
Tal como o futebol, os carros ou a política, também as marcas têm os seus apaixonados – que eram, então, negligenciados. Por isso, quando foi lançado, o Imagens de Marca fazia falta à televisão portuguesa.
Hoje, o Imagens de Marca é muito mais do que isso, como pude confirmar (reconfirmar, aliás) no oitavo aniversário do projecto, no restaurante Aura.
Lembro-me bem da revolução que o programa provocou, no metiê do marketing e comunicação, aquando do seu lançamento.
À timidez inicial do magazine seguiu-se uma fase de grande criatividade do programa, que através de um meio, até então, ignorado pela imprensa da área – a televisão – conseguiu chegar a muitos profissionais e personalidades que, então, praticamente só conhecíamos de nome.
Este foi um dos grandes trunfos do Imagens de Marca para se consolidar como uma das referências da SIC Notícias.
O Imagens de Marca é uma love brand e um case study de sucesso da televisão portuguesa e da indústria do marketing, media, comunicação e publicidade em Portugal.
Por tudo isto, estão de parabéns a Cristina Amaro e a sua equipa. Agora, é trabalhar para mais oito anos de sucessos – e de novos projectos.
Veja o vídeo dois oito anos do Imagens de Marca.