22 de Dezembro de 2009
Por José Manuel Costa

A Conferência de Copenhaga já lá vai – e, infelizmente, com os resultados que tinha previsto aqui –, e termino a minha série de textos em 2009 para falar de um tema que, por vezes, parece ficar esquecido na lista das maiores preocupações das empresas: a ética.

 

Nos Estados Unidos, houve quem ficasse chocado com os exorbitantes prémios que serão pagos, em 2009, aos responsáveis de empresas que, apenas um ano antes, foram financeiramente ajudadas pelo Governo.

 

Segundo o The Guardian, a Goldman Sachs terá mesmo batido o recorde: 11,6 mil milhões de euros para serem distribuídos pelos 31.700 colaboradores. Os americanos estão escandalizados – e  com razão.

 

Já não é impossível encontrar hoje, em Portugal, uma empresa com uma forte estratégia de ética e responsabilidade social empresariais. É bom que isso aconteça e creio que, por trás dessas estratégias, “escondem-se” muitas consultoras de relações públicas.

 

Infelizmente, o nosso próprio negócio tem vivido, por vezes, debaixo do “fantasma” da falta de ética, substituindo convicção por conveniência, estratégia de longo prazo por lucro fácil. Ainda assim, julgo, esta é uma ideia que tem vindo a mudar nos últimos anos.

 

Já aqui o afirmei e volto a reforçar. A “mutual social responsability” – nas suas várias vertentes “técnicas” – é o futuro do negócio das relações públicas – e é para lá que o Grupo GCI está a caminhar.

 

Se 2008 foi o ano da crise económica e 2009 foi o ano da sustentabilidade, o fracasso da conferência de Copenhaga levará a que, em 2010, a sustentabilidade volte novamente a estar na agenda do principais líderes mundiais: em Bona, em meados do próximo ano, e México, para o final de 2010.

 

Só quando nós, agências de relações públicas, conseguirmos criar conceitos inovadores de responsabilidade ética, social ou ambiental e que envolvam os vários stakeholders da empresa ou empresas para quem desenvolvemos essa estratégia – só aí conseguiremos cumprir a nossa função de líderes na vasta área da comunicação. Será também aí que, seguramente, seremos olhados com outros olhos pelos nossos parceiros e clientes.

 

O Grupo GCI fê-lo, em 2009, através de vários projectos, que de resto tenho abordado aqui inúmeras vezes. No ano de 2010, em que completaremos 16 anos de actividade, queremos fazer mais – e melhores – projectos de sustentabilidade – ética, ambiental, social, económica... Como diria Robert Philips, CEO da Edelman UK, fazer uma verdadeira “consultoria de gestão”.
 
PS: Como referi no início do post, este é o meu último texto antes de 2010. Desejo-vos um feliz Natal e um excelente 2010. Com mais mobilidade e Menos Um Carro, mais Tempo para Dar e menos solidão, mais Saúde e menos… bom, o melhor é ver o postal de Natal do Grupo GCI. Pode faze-lo aqui.
 


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18 de Dezembro de 2009
Por José Manuel Costa

Barack Obama já chegou à Cimeira do Clima, em Copenhaga, mas o The Guardian garante que o discurso foi uma desilusão. Mais do mesmo, como disse aqui há uma semana.
 
A Cimeira está perto de terminar e o mesmo Guardian afirma que o texto final está “fraco”, por isso falemos das (boas surpresas) de Copenhaga, como a performance de Bjorn Lomborg. Surpresa, digo, para quem não conhece o genial autor dinamarquês. É certo que com alguma polémica, pois claro – como tivemos a possibilidade de assistir no último Green Festival.
 
Como se viu, em Setembro, em Lisboa, mesmo que se discorde com ele (e acreditem que há muitos que discordam, e veementemente) é impossível não ganhar alguma empatia pela forma como o autor dinamarquês constrói, expõe e argumenta o seu discurso.
 
Atenção: Lomborg não nega que o aquecimento global existe e que ele foi – e está a ser – provocado pelo homem. A questão é que, apesar de não ser contra a redução das emissões de CO2, ele explica que não é assim que se combatem as alterações climáticas.

 

Como explicou há dias o Jornal de Negócios, Lomborg “critica o eco-fanatismo e o pânico alarmista causado por verdades inconvenientes como as de [Al] Gore, que nos fazem esquecer problemas mais importantes como a fome, a pobreza e as doenças”.
 
Recentemente, Lomborg revelou à Bloomberg que Copenhaga se preparava para repetir as estratégias falhadas nas duas cimeiras anteriores do clima, a do Rio e a de Quioto. “Em 1992 prometeram cortar as emissões de CO2 e não fizeram nada. Em 1997 prometeram cortar ainda mais as emissões de CO2 e voltaram a não fazer nada. Devíamos optar por algo politicamente viável e economicamente mais inteligente”, disse na entrevista.

 

Esta semana, Lomborg foi uma das estrelas da Cimeira de Copenhaga. Deu entrevistas, participou em inúmeros debates – infelizmente, não voltou a reencontrar Al Gore, por vontade deste último. Esteve, por exemplo, num debate organizado pela CNN e YouTube e patrocinado pela Siemens. Pode assistir ao debate aqui.
 
E assim se passaram duas semanas em Copenhaga. Com muitas dúvidas, sessões abandonadas temporariamente e muito desânimo entrelaçado por pequenos picos de entusiasmo. Hoje chegou Barack Obama e, para o bem ou para o mal, tudo ficará definido.
 
PS: Como já aqui referi, o Green Festival volta a 10 de Setembro de 2010. Certamente que não iremos trazer novamente Bjorn Lomborg ou Gro Harlem Brundtland,  mas outras surpresas estão reservadas para o festival da sustentabilidade. A seu tempo as anunciaremos.
 


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15 de Dezembro de 2009
Por José Manuel Costa

Ontem, a Advertising Age reconheceu a Edelman como a sétima melhor agência da década – e a melhor da área de Relações Públicas. Esta é uma excelente notícia para o sector das relações públicas (e, em particular, para o Grupo GCI, afiliado da histórica agência norte-americana).


Mais do que este reconhecimento, sempre subjectivo, destaco dois dos “desenvolvimentos” desta escolha. O primeiro é a justificação da própria Adage, que reconhece a Edelman como “a agência líder e o nome mais reconhecido de toda a indústria”.

 

“Quer seja através da utilização de tácticas tradicionais de RP ou no desenvolvimento e implementação de programas de digital ou social media, a agência continua a descobrir novos territórios no mundo das comunicações e tem redefinido o papel que as agências de RP têm desempenhado no marketing mix”, explica a Adage.

 

O segundo “desenvolvimento” desta escolha veio pelo próprio blog de Richard Edelman, presidente e CEO da agência. Edelman elaborou uma lista das sete razões que, nos últimos dez anos, possibilitaram à agência chegar a esta lista super restrita de consultoras de marketing.

 

Essas razões são os valores da empresa, os seus clientes, a sua independência, cultura, liderança e propriedade intelectual e os seus colaboradores. Não são só palavras e lugares comuns atirados à ocasião, cada uma tem uma explicação exacta do que agência fez nesse campo. Pode consultá-las aqui.

 

Tenho o prazer de poder trabalhar com a Edelman e assistir, todos os dias, à materialização destas sete regras de ouro do sucesso da agência de Dan e Richard Edelman.

 

Gostaria também de realçar a última frase publicada no 6 A.M. sobre esta distinção, em que Richard Edelman explica que, mais importante do que ser número um, número três ou número seis do ranking, o que interessa, quando entramos numa nova década, é ver que “a nossa profissão subiu em termos de importância”.

 

“As pessoas das relações públicas têm que ser incluídas em todas as discussões sobre reputação corporativa e posicionamento da marca”, concluiu.

 

Quando estamos prestes a arrancar para mais uma década, as expectativas sobre o que as agências de RP devem – e podem – desenvolver para as suas marcas estão mais elevadas que nunca. É a altura certa, por isso, para estarmos à altura deste novo e vibrante desafio.

 

PS: O Green Festival 2010 já tem data: vai realizar-se de 10 a 17 de Setembro do próximo ano, no Centro de Congressos do Estoril. Depois de dois anos complexos mas bem sucedidos, a terceira edição vai consolidar o trabalho efectuado nos últimos 20 meses. O desenrolar da cobertura da Cimeira do Clima, em Copenhaga, e as conclusões que têm de lá saído são a demonstração que o Green Fest está no bom caminho. O mundo está atento – e, felizmente, também nós.


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9 de Dezembro de 2009
Por José Manuel Costa

“There will be oceans of planet-saving rhetoric, countless photographs of politicians wearing dark suits and serious faces and, if things go according to plan, an agreement to cut emissions to avert a rise in temperature that might anyway have turned out to be marginal and self-correcting”.

 

Em Copenhaga, a procissão ainda vai no adro, mas quando escalpelizarmos as duas semanas de trabalho na Cimeira do Clima, provavelmente a afirmação acima, escrita pelo The Economist antes sequer da conferência se iniciar, corresponderá inteiramente à verdade.

 

Segundo o Economist, existem duas grandes ameaças a um acordo na Cimeira do Clima: o número exorbitante de países participantes na discussão – 192 – e os vários objectivos em jogo. Estamos a falar de que gases? E de quantos? E de que datas? E estamos a basear os nossos objectivos em que estudos?

 

Mas a principal das questões, na minha opinião, será conseguir que China e Estados Unidos compreendam o que está em jogo em Copenhaga.

 

A China, que em breve será o maior poluidor mundial, tinha anunciado no pré-Copenhaga que não iria reduzir as suas emissões de carbono. Mas hoje mesmo, o principal negociador chinês em Copenhaga, Xie Zhenhua, já disse que a China quer ter um papel “construtivo” na cimeira, tendo proposto a Barack Obama um maior esforço na redução de emissões de gases poluidores.

 

“Espero que o presidente Obama traga uma contribuição concreta para Copenhaga”, explicou à Reuters. Zhenhua disse ainda que a China poderia aceitar cortar para metade as suas emissões globais em 2050, se os países desenvolvidos subirem os seus objectivos de redução de emissões em 2020 e aceitarem financiar os países em desenvolvimento na luta contra as alterações climáticas.

 

A estratégia chinesa passa, portanto, por colocar do lado norte-americano a obrigação de um futuro acordo em Copenhaga. O que, como é óbvio, estará perto do impossível. Pelo menos nas condições previstas pelos norte-americanos. E basta ler a entrevista de James Inhoffe à The New York Times Magazine, na semana passada, para perceber o porquê.

 

Então o que sobra de Copenhaga? A fantástica campanha, pré-cimeira, de várias ONG, movimentos de cidadãos, organizações de todo o mundo e até de empresas, como a Siemens, em prol de um acordo na capital dinamarquesa.

 

O debate gerado – e amplificado nas redes sociais – sobre a necessidade – e, mais importante, a possibilidade – de cada um contribuir para a progressiva mudança de mentalidade de uma sociedade amarrada a vícios e lugares comuns sobre as alterações climáticas e a (falta de) sustentabilidade urbana.

 

A falta de um acordo a Copenhaga não se deverá, portanto, a um problema de comunicação. Pelo contrário, foi a comunicação que elevou o debate sobre as alterações climáticas e será a comunicação que, mais cedo ou mais tarde, influenciará os políticos a seguirem o caminho da sustentabilidade.

 

Espero estar errado sobre o que acontecerá em Copenhaga. E espero também que, ao nível político, Copenhaga não seja mais do mesmo. Mais perto do dia 18 de Dezembro teremos essa resposta.
 


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