29 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

Enquanto que em Portugal os apoiantes da causa monárquica divertem-se a hastear bandeiras na Câmara Municipal de Lisboa ou no Parque Eduardo VII, no resto da Europa os príncipes e princesas preferem abraçar outros assuntos. Como o das alterações climáticas.

 

O Financial Times deste fim-de-semana destaca o trabalho da monarquia europeia – especialmente dos herdeiros ao trono – na promoção da educação ambiental e no combate às alterações climáticas.

 

São cinco os exemplos dados: o Príncipe Haakon da Noruega, o Príncipe Alberto do Mónaco, o Príncipe Frederico da Dinamarca, a Princesa Astrid da Bélgica e o Príncipe Carlos de Inglaterra.

 

Segundo o FT, a nova geração de monarcas está altamente consciente para a questão da sustentabilidade. No ano passado, os príncipes Haakon e Frederico e a Princesa Victória da Suécia viajaram até à Gronelândia para ver com os seus próprios olhos os efeitos da alterações climáticas. Lá, visitaram um centro para a medição das alterações climáticas nos últimos 700 mil anos (a partir da análise dos diferentes níveis de gelo) e corroboraram a sua preocupação inicial.

 

De acordo com o trabalho de pesquisa de Fiona Harvey, jornalista do Financial Times, nos últimos anos têm-se multiplicado os esforços da monarquia europeia na promoção das políticas de sustentabilidade, esforços esses que passam pela organização de jantares reais, reuniões com líderes empresariais, conferências abertas, sessões fotográficas em regiões “pitorescas”, criação de fundações pró-ambientais ou meros discursos de ocasião.

 

O resultado? Vários empresários mudaram de opinião em relação aos esforços das suas empresas para cortar emissões de carbono e as questões ambientais chegaram a sítios – glamourosos – onde antes seria impossível aceder. Desde as páginas das revistas de celebridades à agenda real. E isto ainda é só o início. Quando estes príncipes e princesas chagarem ao trono, diz o FT, esta influência monárquica nas questões pró-ambientais será muito maior.

 

Outro exemplo: na última Cimeira do Clima, em Copenhaga, o Príncipe Frederico organizou um encontro entre representantes dos Governos, cientistas, activistas e jornalistas. O objectivo? Falar sobre as alterações climáticas.

 

Tanto o príncipe Frederico da Dinamarca como os outros herdeiros entrevistados pelo Financial Times dizem que o seu papel na actual luta contra as alterações é óbvio: a monarquia tem os seus valores baseados na noção de herança. E há maior herança do que deixar o mundo “habitável” para os nossos sucessores?

 

Mas o melhor exemplo de luta contra as alterações climáticas vem do Príncipe Carlos. A sua preocupação com a responsabilidade ambiental não é nova, mas nos últimos cinco anos ela tomou proporções até agora inimagináveis. Fundou um fórum de negócios sobre o tema, conduziu dezenas de reuniões e enviou cartas para Governos e Nações Unidas.

 

Recentemente, o Príncipe Carlos encorajou um grupo de empresários a encontrar uma forma de preservar as florestas utilizando mecanismos de mercado. A iniciativa tem tido bons resultados e é liderada pelo financeiro Stanley Fink.

 

Mas provavelmente a maior ajuda de Carlos para a luta contra as alterações climáticas tem sido a sua vontade em influenciar – directamente – políticos para as suas ideias sustentáveis. Numa monarquia habituada durante centenas e centenas de anos a lutar, esta é apenas mais uma guerra que é preciso vencer.


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26 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

Como aqui adiantei há uns tempos, o Grupo GCI foi responsável pela concepção, desenvolvimento e execução do movimento Menos Um Carro, lançado pela Carris em Outubro passado.

 

Hoje temos essa extraordinária notícia de que o Metropolitano de Lisboa se associou a este movimento de desincentivo à utilização do carro privado – e, consequente, em prol da mobilidade sustentável.

 

Este é um dos temas do momento na discussão das cidades. Aliás, basta visitar o Menos Um Carro e ler as suas notícias diárias para perceber que o tema, que até há tão pouco tempo estava centrado em algumas cidades europeias, sobretudo no Norte da Europa, está agora distribuído um pouco por todo o mundo.

 

Realço o esforço que as grandes cidades asiáticas e, sobretudo, norte-americanas estão a fazer para melhorar a sua mobilidade sustentável e proporcionar aos seus habitantes uma maior qualidade de vida, com deslocações rápidas entre o local de trabalho, os locais de lazer e diversão e as suas casas.

 

Aliás, analisando bem os diferentes casos de urbanismo norte-americanos, a verdade é que Lisboa tem condições e transportes públicos suficientemente bons, rápidos e eficientes para que parte da sua população possa deixar o carro em casa. Menos Um Carro, visto bem as coisas, é isto: sensibilizar e apelar à utilização de transportes públicos e outras alternativas ao carro privado.

 

Acredito que este movimento, que aposta nas plataformas digitais como pivot de toda esta estratégia de sensibilização, será único em toda a Europa – e, passados quase seis meses da sua implementação, já está a dar os seus primeiros frutos. E agora, que venham mais aderentes! Não podemos deixar apagar a chama da mobilidade sustentável.


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25 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

Reservem a manhã de 7 de Abril para o Edelman Trust Barometer Portugal. A apresentação vai realizar-se no Museu da Electricidade, em Lisboa, a partir das 10h. Vai ser uma manhã animada.

 

É a primeira vez que o Trust Barometer tem resultados exclusivos para o mercado português, por isso a conferência promete. O Edelman Trust Barometer Portugal será apresentado por Marina Petrucci, directora-geral da Ipsos Apeme, empresa que, como já aqui adiantei aquando do lançamento do Trust Barometer global, foi a nossa parceira neste projecto.

 

Como também afirmei aqui no final de Janeiro, a avaliação global do Trust Barometer dá-nos a entender que a confiança das pessoas nas instituições, empresas, governos e organizações não-governamentais (ONG) está aumentar, ainda que a um ritmo lento, frágil e desigual. E no caso português, como será?

 

Dia 7 de Abril teremos as respostas. Entretanto pode ver o convite para a apresentação do Edelman Trust Barometer Portugal aqui. Neste link poderá conferir algumas das surpresas que temos reservadas para a apresentação da edição portuguesa do Edelman Trust Barometer.


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24 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

É preciso reforçar a luta contra a tuberculose para tornar Portugal num país com baixa incidência da doença – o que implica ter menos de 20 casos por 100 mil habitantes. As palavras podem não ser bem estas, mas a ideia foi explicada pela Ministra da Saúde, Ana Jorge, que falava hoje, (citada pela Lusa) no dia mundial da tuberculose.

 

Segundo a Direcção-Geral de Saúde, Portugal registou no ano passado 2756 casos de tuberculose, menos 8% do que em 2008, mas estes números não nos permitiram baixar a fasquia dos 20 casos por mil habitantes, que conferem a categoria de país de baixa incidência. Também hoje, o responsável da Organização Mundial de Saúde (OMS) pela tuberculose, Mario Raviglione, mostrou-se (cuidadosamente) optimista em relação ao futuro.

 

"36 milhões de pessoas foram já curadas desde 1995, sendo que a detecção [está a subir] desde 1995. E, desde há cinco anos, estamos a abrandar a curso de novos casos per capita. São sinais de sucesso”, explicou.

 

O Financial Times explica, porém, que um dos principais riscos da tuberculose é um certo sentimento de complacência que existe “num campo que foi deixado maioritariamente aos especialistas médicos e que não conseguiu chamar a atenção de uma audiência maior”. Paralelamente, a tuberculose é, das três grandes doenças infecciosas – as outras duas são o VIH/SIDA e a malária – a que menos atenção ou recursos financeiros consegue gerar.

 

 

 

É preciso mudar esta situação – não necessariamente em prejuízo da atenção dada às outras duas doenças. Organização Mundial de Saúde, instituições académicas, organizações humanitárias, empresas ou associações de profissionais de saúde, todos temos que lutar contra esta complacência. Em Portugal não será bem assim – o facto do ex-presidente da República, Jorge Sampaio, ser o Enviado Especial do Secretário-geral das Nações Unidas para a Luta Contra a Tuberculose terá ajudado a aumentar a notoriedade da doença em Portugal.

 

Mas ainda não somos um país de baixa incidência. E isso temos, como disse Ana Jorge, que mudar, reforçando a nossa luta contra a tuberculose.

 

 

PS: Todos os dias morrem 4.200 pessoas, em todo o mundo, vítimas da tuberculose. É um número incrivelmente assustador.


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Por José Manuel Costa

Theodore Roosevelt, Harry Truman, Dwight Eisenhower, JFK, Bill Clinton, Richard Nixon, Gerald Ford e George H. Bush. Todos eles tentaram alargar o acesso à saúde a todos os norte-americanos e todos eles falharam.

 

Também por isso, a vitória de Obama na reforma da saúde é histórica. “É a lei dos direitos cívicos do século XXI”, disse o congressista democrata Jim Clyburn, citado pelo Público.

 

Poucos minutos depois de assinar a lei da reforma do sistema de saúde, Obama dedicou o momento à sua mãe, que passou os últimos meses da sua vida a discutir com as seguradoras. “Não somos uma nação que faz as coisas que são fáceis. Somos uma nação que faz o que é difícil, o que é necessário, o que está certo”, referiu Obama, que voltou aos grandes discursos.

 

Obama, que utilizou 20 canetas diferentes para assinar o seu nome na nova lei – para que as pudesse oferecer como prenda de apreço a quem o ajudou a fazer passar a lei – pode agora finalmente evocar o seu slogan de campanha.

 

O que, aliás, fez imediatamente. “É a mudança a acontecer”, disse. Esta nova lei – que ainda dará muito que falar e vai seguir agora nos tribunais – irá levar cuidados médicos a 32 milhões de norte-americanos e vai custar 700 mil milhões de euros nos próximos dez anos.

 

Com ela, cerca de 95% da população norte-americana passará a ter acesso a cuidados médicos. Mas a nova lei vai muito mais longe. Haverá novos critérios de regulação da actividade dos prestadores, no sentido de proteger os doentes e controlar os custos, e uma série de apoios financeiros para as empresas ou profissionais liberais que não tiverem condições financeiras para suportar os custos das apólices, por exemplo.

 

Segundo o Público, há agora mais três grandes batalhas no congresso: a reforma da regulação do sistema financeiro, a reforma da lei da imigração e a Lei do Clima, que prevê a redução das emissões de carbono. Três grandes batalhas para Obama mas que, ou muito me engano ou não serão tão difíceis como esta.

 

PS: Como disse em Janeiro, Obama desiludiu-me, no discurso e nas propostas, na Cimeira do Clima, em Copenhaga. Pode ser que a aprovação da Lei da Reforma da Saúde lhe dê a inspiração necessária para emendar a mão neste tema.


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23 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

“Vive-se um clima de prosperidade em Angola. [O país] está hoje no sítio certo e na hora certa para se tornar um player mundial de relevo. Em todos os campos e, sobretudo, porque não está amarrado aos vícios fin-de-siècle das sociedades e economias ocidentais”.

 

A 8 de Fevereiro passado escrevi este texto, já com a certeza de que o lançamento da GCI Angola seria uma realidade para breve.

 

Hoje, a GCI Angola já é, efectivamente, uma realidade e chega na sequência de uma estratégia de cooperação entre os mercados português, angolano, brasileiro e outros PALOP. O tal triângulo Portugal/Angola/Brasil que falava há uns tempos por aqui – e a que agora acrescento os outros PALOP. As empresas portuguesas – e a consultoria em Public Relations não é excepção – têm neste triângulo (a puxar para o quadrado) uma boa oportunidade para desenvolver parcerias estratégicas, haja para isso vontade, disponibilidade e excelência nos produtos ou serviços disponibilizados.

 

O início de 2010 trouxe-nos outras novidades. Estamos a exportar para o Brasil projectos na área da sustentabilidade, uma das áreas em que, modéstia à parte, nos tornámos especialistas nos últimos anos. O projecto está a ser feito em conjunto com a nossa parceira Edelman que, como ainda ontem dizia a um jornalista, continua a ser a agência ideial para parceira internacional: é a maior agência de PR independente e, como há cinco anos, quando nos tornámos parceiros, continua a não ser uma agência de PR no sentido clássico.

 

Recordo também os recentes dados do Financial Times (e que já aqui publiquei), porque acho que ajudam a explicar a nossa escolha por estes dois mercados: o Brasil está a acelerar o seu investimento em África, sobretudo na Nigéria, Angola, Argélia e África do Sul. Diz o FT que, nos últimos sete anos, o investimento das empresas brasileiras em África é modesto – apenas 7,2 mil milhões de euros – mas nos próximos anos ele irá subir em flecha.

 

Esta é a verdade: o Brasil está a posicionar-se como um parceiro de referência dos países africanos e Portugal não pode ficar à margem deste movimento económico. Em relação a Angola, bom… pouco mais há a dizer. Os números do OGE (Orçamento Geral do Estado) angolano para 2010 dizem que os cortes na despesa vão chegar aos 6,4% - cerca de dois mil milhões de dólares – em relação a 2009 e as receitas deverão também aumentar mais de 20%.

 

Segundo o Banco Mundial, o país continuará quase imune à crise mundial e terá um dos maiores níveis de crescimento económico do mundo: 6,5% em 2010, acelerando até aos 8,0% em 2011. Isto apesar de ter sofrido uma pequena retracção de 0,9% em 2009

 

Remato este post como terminei outro que escrevi sobre Angola há dois meses: Angola tem um potencial económico, social e estratégico enorme, mas desengane-se quem lá vai à procura do El-Dorado, lucro fácil e de projectos de curto prazo.


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18 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

A principal regra das PR é nunca mentir a uma jornalista. “Tudo o que temos é a nossa credibilidade e a partir do momento em que a perdemos deixamos de ser eficazes. Já “despedimos” clientes porque soubemos que eles nos mentiram”.

 

A frase pertence a Mike Sitrick, chairman & CEO da Sitrick and Company, uma das principais agências de PR norte-americanas especializadas em comunicação de crise.

 

Este é apenas um dos lemas de Sitrick. Mas há outro que também é muito importante. “Se [uma empresa] não contar a sua [versão da] história, alguém o irá fazer por ela”.

 

A partir de um perfil publicado pelo Financial Times, pode perceber-se que Sitrick deverá ser uma personagem fascinante. Segundo o FT, Sitrick queria ser jornalista mas foi nas Public Relations que começou, em 1969, tendo fundado a sua própria empresa em 1989.

 

É considerado o spin doctor dos spin doctors e defende que as PR são muito mais do que lidar com os jornais: “Pergunto [sempre] aos clientes: querem comunicar com quem? Os vossos clientes, os empregados ou os fornecedores?”

 

Apesar de ser sobretudo conhecido por ter como clientes algumas celebridades em apuros, 90% dos 18,2 milhões de euros de receitas da sua empresa vêm dos seus clientes corporativos.

 

“Gosto de dizer que os meus clientes vão desde o [bilionário] Thomas H. Lee até ao Tommy Lee (baterista dos Motley Crue e ex-marido de Pamela Anderson”.

 

É aqui que o jogo se torna mais interessante para Sitrick. “O lado de entretenimento da nossa actividade dá-nos uma vantagem que nenhuma outra empresa [com clientes] puramente [corporativos] poderá ter com os media mainstream… porque somos gatekeepers de algumas das maiores histórias”, explica.

 

Segundo Sitrick, os negócios chegam sempre por referências de outros e a empresa nem sequer tem uma brochura corporativa. E até dá um exemplo de como as PR podem ser muito mais importantes do que as pessoas pensam.

 

No ano passado, a Interstate Bakeries, que detém marcas com grande notoriedade nos EUA como a Twinkies e a Wonderbread, estava perto de recuperar de uma protecção de falência quando o Lehman Brothers faliu.

 

Sem dinheiro e sem futuro, a Interstate Bakerie recebeu uma chamada de Sitrick, que elaborou uma estratégia para contactar senadores e outros agentes públicos, que pressionaram os credores até o financiamento estar seguro. Com isto, Sitrick indirectamente ajudou a salvar 29 mil postos de trabalho.

 

“As pessoas não têm ideia do que as PR podem fazer”, conclui Sitrick. Nos Estados Unidos como em Portugal, acrescento eu. Só que na terra do Tio Sam tudo - ou quase tudo - se faz às claras.
 


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17 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

É apenas mais uma tendência da sustentabilidade. Que, diga-se de passagem, nem sequer terá ainda saído das fronteiras holandesas... mas de certeza que cá chegará.

 

Segundo o Financial Times, os gestores de algumas empresas – sobretudo holandesas, como já disse – irão passar a receber parte dos seus bónus de gestão em função das suas práticas relacionadas com a sustentabilidade. Não apenas as práticas relacionadas com o ambiente mas também com a satisfação ou segurança dos empregados.

 

Empresas como a DSM, TNT ou Akzo Nobel são percursoras desta nova forma de remunerar os seus executivos. “Há o risco de, se recompensarmos a performance pelo valor, acabarmos por pôr todos os ovos no mesmo cesto”, explicou o CEO da Akzo Nobel, Hans Wijers.

 

Wijers, que também é responsável pelo comité de remuneração da Royal Dutch Shell, diz que este sistema de remuneração tem como base o índex de sustentabilidade da empresa segundo o Dow Jones.

 

E, para além da sustentabilidade ambiental, também a segurança dos colaboradores será avaliada nas próximas avaliações de bónus da Akzo Nobel.

 

Um exemplo de como funciona este modelo: os gestores da Akzo Nobel recebem o bónus completo se a empresa estiver no top 3, entre 90 empresas, no tal ranking da Dow Jones. Caso a Akzo Nobel esteja em quarto ou quinto, o bónus será pago em acções da empresa.

 

Mas há outros modelos. Segundo o FT, tanto a DSM como a TNT rejeitaram utilizar o ranking de sustentabilidade da Dow Jones e optaram por adoptar um misto de ideias para medir aspectos como o grau de satisfação dos empregados e clientes, os níveis de utilização de energia e a redução de emissões de carbono.

 

A DSM, por exemplo, reduziu no último ano as emissões de carbono em 2%. Apesar da empresa ainda estar a “afinar” este método de remuneração por práticas sustentáveis, caso a empresa apenas reduza as emissões de carbono em 1 ou 1,5%, o mais certo é que o bónus dos seus executivos não seja pago.

 

Por outro lado, se a empresa reduzir entre 5 a 6% as suas emissões de carbono, os executivos receberão o seu prémio na íntegra.

 

“É muito importante tomar atenção a estas questões, porque há toda uma nova geração que vai viver aqui”, explicou ao FT Feike Sijbesma, CEO da DSM.

 

O tema da remuneração dos executivos não poderia estar mais actual. Em Portugal como noutros países, como os Estados Unidos. Se a isso juntarmos outro tema quente – o da sustentabilidade – temos matéria de sobra para que este tema rapidamente deixe as páginas do FT e se propague por outros media e redes sociais. Querem apostar?

 

Mais importante que isso é que, se este modelo se tornar “popular” entre as empresas, os executivos terão de passar a preocuparem-se – realmente – com as práticas sustentáveis das suas empresas. E não apenas tentarem mascararem-nas.
 


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16 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

 

Tudo começou num comentário de Annabel Park no Facebook. “Vamos começar o Partido do Café (Coffee Party)… partido dos smoothies. Partido do Red Bull. Qualquer coisa excepto chá (Tea). E que tal o Partido do Cappuccino? Isso iria chateá-los a sério porque parece elitista… vamos tomar um cappuccino juntos e ter um verdadeiro diálogo político com substância e compaixão”.*

 

Assim, e quase sem dar conta disso, Annabel Park iniciou um dos maiores fenómenos políticos do início de 2010 – e um dos movimentos mais falados hoje nos Estados Unidos, o Coffee Party.

 

No comentário que Park escreveu no Facebook, “eles” são o Tea Party. Em comum, o Tea Party e o Coffee Party têm o facto de não se reverem nos actuais políticos norte-americanos. São uma espécie representação popular, respectivamente, do partido republicano e do partido democrata (na primeira convenção do Tea Party, inclusive, Sarah Palin foi a keynote speaker…).

 

Mas só isso e nada mais do que isso: uma representação popular de uma grande massa de eleitores revoltados com a política do século XXI.

 

Mas vamos por partes: o movimento conservador Tea Party nasceu no início de 2009, como resposta ao pacote de estímulo económico do presidente Obama. Já o Coffee Party surgiu um ano depois, como resposta ao Tea Party.

 

Apesar do Tea Party socorrer-se sobretudo do Facebook, Twitter e MySpace para fazer passar as suas ideias, foi o Coffee Party que nasceu do Facebook. Aliás, nasceu do tal comentário/desabafo de Annabel Park.

 

O movimento tem já 166 mil fãs no Facebook, cerca de 0,05% da população norte-americana. E isto em apenas dois meses, recorde-se. Também neste espaço de tempo o Coffee Party superou o número de fãs do Tea Party – 112 mil.

 

O aparecimento do Tea Party e, sobretudo, do Coffee Party, surge de dois factores: a desilusão dos cidadãos norte-americanos com os políticos e a facilidade com que, nos dias de hoje e através das redes sociais, é possível fazer passar uma mensagem. Qualquer mensagem.

 

O resto pode ler-se fazendo uma simples pesquisa no Google. Notícias nos principais media norte-americanos e mundiais e até convenções organizadas pelo Facebook. Ainda recentemente, o Coffee Party organizou 350 eventos em cafés de todos os cantos dos Estados Unidos…

 

Segundo a BBC, o Tea Party terá mesmo ajudado a eleger Scott Brown como novo senador do Massachusetts. Agora imaginemos o que seria da política portuguesa com movimentos espontâneos de cidadãos descontentes com a política… mas num país com apenas 10 milhões de pessoas. Estou seguro que será apenas uma questão de tempo até que esta moda chegue a Portugal.

 

“Estamos a tentar abordar a política de forma diferente, por isso é difícil comparar o nível de influência [em relação aos partidos políticos]”, explicou à BBC Annabel Park. “A estrutura de dois partidos não está a funcionar.Há tantos de nós a pensar que estes rótulos estão fora de época, que nós próprios somos muito mais complexos e inter-conectados. E as pessoas estão a dirigir-se a nós a dizer que finalmente descobriram um lugar onde podem ter voz”.

O Coffee Party e o Tea Party são duas maiorias silenciosas a quem o Facebook e as redes sociais deram voz. E não há volta a dar-lhe.

 

*Ah, e depois da mensagem inicial de Annabel, foram os comentários sucessivos dos seus amigos no Facebook que levaram à criação do movimento Coffee Party… depois de Annabel ter criado – e enviado – a página de fãs Join the Coffee Party Movement a apenas 50 amigos. Se isto não é mudar o mundo…
 


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15 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

“Procuramos liderar pelo exemplo e trabalhamos com os clientes que partilham do nosso comprometimento para alcançarmos um crescimento económico sustentável, protegendo o ambiente e contribuindo positivamente para as sociedades onde vivemos e trabalhamos.”

 

Este é um dos lemas do banco Standard Chartered e pode ser consultado no seu site. O banco tem mais de 1.600 sucursais em 70 países e, apesar de ter a sede na City londrina, mais de 90% das suas receitas e lucros concentram-se na Ásia, África e Médio Oriente.

 

Falo do Standard Chartered por causa da sua política de responsabilidade social e corporativa. Aliás, da sua fortíssima política e estratégia de responsabilidade social (sim, talvez por concentrar o seu negócio nos países em desenvolvimento).

 

Alguns exemplos desta política: cada colaborador tem dois dias anuais para trabalhar nos projectos de responsabilidade social do banco – ou nos seus próprios projectos de voluntariado.

 

Segundo o Financial Times, a participação dos colaboradores nestes projectos está a aumentar e, em 2008, foram “oferecidos” para estes 23 mil dias – mais do dobro que no ano anterior – o que representará perto de seis milhões de euros em horas de trabalho.

 

Paralelamente, os escritórios dos países que acumulam mais dias de trabalho voluntário ganham dias extra… de trabalho voluntário.

 

“Olhamos para onde estamos presentes de que forma impactamos as comunidades desses locais”, explicou o chefe de sustentabilidade da Standard Chartered, Gill James.

 

“Temas como as alterações climáticas irão ter um grande impacto nos nossos mercados. Temos uma responsabilidade com a comunidade local e, como organização, é algo que está inerente à nossa herança”, continuou.

 

Numa altura em que muito se fala (e de falou) da sustentabilidade da indústria bancária, o Standard Chartered tem aqui uma boa hipótese de sobressair e, entre os seus pares, distanciar-se (para melhor).

 

Aliás, segundo o FT, a política de sustentabilidade do Standard confunde-se com o seu próprio negócio, uma vez que o banco identificou sete áreas que são “o coração” da sua estratégia de responsabilidade corporativa.

 

A saber: marketing e vendas responsáveis; acabar com o crime financeiro; investir na comunidade (identificando três grandes projectos sociais); melhorar o acesso aos serviços financeiros; proteger o ambiente; investir nas energias renováveis e fazer da Standard Chartered uma grande empresa para se trabalhar.

 

“Olhamos para a sustentabilidade como uma forma de fazer negócio hoje e que nos permite continuar a fazer negócio amanhã”, continuou Gill James.

 

Esta é apenas uma parte da estratégia de responsabilidade social do Standard Chartered. Entre os três grandes projectos sociais mencionados pelo FT estão o “Seeing is Believing”, que procura evitar a cegueira evitável nos países em desenvolvimento; o “Living with HIV”, que educa a população para viver com o HIV/Sida; e o “Goal”, que procura dar oportunidades às jovens mulheres de áreas menos privilegiadas através do desporto e de aumentar a sua própria confiança.

 

No total, o Standard Chartered gasta entre 30 a 35 milhões de euros por ano nestes projectos. Um dos objectivos do banco para 2010, por outro lado, é encorajar mais colaboradores a “tirar” uns dias para trabalho voluntário.

 

“Numa altura em que os bancos estão a reduzir as suas equipas de colaboradores o que, por sua vez, significa mais horas de trabalho para os que ficam, é sem dúvida uma jogada arriscada”, conclui o FT a análise.

 

Se na semana passada escrevi aqui um post sobre como a Wal-Mart estava a levar a sustentabilidade dos produtos que vende tão a sério que esta se confundia – e alavancava – o próprio negócio, aqui deixo mais um exemplo de uma outra área de actividade. E não me canso de dizer: a sustentabilidade não é mais uma moda ou estratégia de marketing. É puro business!

 


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