30 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Não tenho nenhuma bola de cristal nem contactos privilegiados na Time, mas pareceu premonitório o meu de post de ontem sobre o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva.

Algumas horas depois de o ter colocado online, a prestigiada revista Time elegia Lula da Silva como o líder mais influente do Mundo.

O texto sobre Lula da Silva foi escrito por Michael Moore, que disse: “A grande ironia da presidência de Lula (…) é que enquanto ele tenta levar o Brasil para o primeiro mundo com programas sociais como o Fome Zero, desenhado para acabar com a fome, e com planos para melhorar a educação de membros da classe trabalhadora brasileira, os Estados Unidos parecem-se, a cada dia que passa, cada vez mais com o terceiro mundo.

O que Lula quer para o Brasil é aquilo a que chamámos o Sonho Americano. Por outro lado nós, nos Estados Unidos, onde 1% dos mais ricos detêm mais riqueza financeira que os 95% menos ricos juntos, estamos a viver numa sociedade que se está a tornar cada vez mais na brasileira”.

A lista não é consensual – as listas nunca são consensuais – e tem até, à primeira vista, alguns nomes, à partida, desconhecidos. Duas coisas, porém, saltam à vista: a grande quantidade de asiáticos no ranking; e o grande texto sobre o sheik Khalifa bin Zayed al-Nahyna, presidente dos Emirados Árabes Unidos, e que passo a citar.

“O príncipe foi sempre um sóbrio protector das riquezas de petróleo de Abu Dhabi e está a planear um futuro pós-petróleo: o emirado quer ser o líder mundial em energia sustentável”. Touché!

Leiam aqui a lista toda dos mais influentes do Mundo.




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29 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Quando Luís Inácio Lula da Silva entrou no Palácio do Planalto, a 1 de Janeiro de 2003, tinham passado poucos meses depois do economista Jim O’Neill, da Goldman Sachs, ter cunhado o acrónimo BRIC.

 

Ou seja, o potencial político, social e económico do Brasil estava lá, mas faltava muita coisa: unir o país, obter reconhecimento internacional, trabalhar os projectos sociais, fortalecer a classe média e tentar acabar com os mais baixos níveis de pobreza. A maior parte destes objectivos foram alcançados.

 

Lula da Silva cometeu, é certo, os seus erros, mas a verdade é vai deixar o Brasil, a 31 de Dezembro próximo, mais forte do que o encontrou. Nos últimos anos, o Brasil assistiu ao desempenho, sobretudo na política exterior, de um negociador nato, pragmático e conciliador, capaz de ser amigo de Hugo Chavez, George W. Bush ou Evo Morales. E, não nos esqueçamos, elogiado por Obama, que o considerou “o político mais popular do mundo”.

 

O Brasil é um hoje player reconhecido internacionalmente, tanto económica como politicamente. A prova foi dada na Conferência de Copenhaga, onde o Brasil formou a BASIC (com a África do Sul, China e Índia) e foi um dos países que mais lutou por um acordo vinculativo, tendo inclusive “subido a parada” no que toca à sua redução das emissões de carbono, para os 40% até 2050! Era também considerado um dos 5+1 que podiam mudar o mundo para sempre – juntamente com os EUA, China, Índia, Japão e UE – uma situação que, sejamos honestos, era altamente improvável há apenas uns anos.

 

Mas Lula da Silva foi mais longe. Ele mudou a forma como o Mundo olha para o Brasil. E, só por isso, garantiu o seu lugar na história do País – pela positiva, é claro. Ou muito me engano ou estaremos no dealbar de uma nova ordem económica, liderada – também – pelo Brasil. E a isso o País terá que agradecer, para sempre, a Lula.

 

E agora, quem se seguirá a Lula da Silva? Impossível de prever. José Serra e Dilma Rousseff estão bem colocados para a luta final, mas ainda há muitos indecisos. E não deveremos tirar Marina Silva fora da luta, porque ainda falta muito tempo para a decisão final. Aliás, a própria presença de Lula da Silva na campanha pode significar uma mudança nas intenções de voto (e nos votos). A ver vamos.

 

Uma coisa é certa, as expectativas estão muito altas. O Brasil passou a ter voz activa na cena mundial e os próximos anos serão fundamentais para consolidar esta liderança. Será importante, por exemplo, entrar para membro permanente do conselho de segurança da ONU, continuar as reformas sociais...

 

A verdade é que, este ano, as eleições brasileiras – juntamente com as inglesas – vão ocupar uma grande parte das conversas mundiais. Isto diz tudo do actual estado do País que Lula vai deixar de governar dentro de sete meses.

 

PS: É engraçado perceber como evoluiu Lula, até nas suas gafes. Não as largou, mas estas tornaram-se muito menores e mais politizadas e cirúrgicas. Terá sido dedinho de quem?...


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28 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Há meia dúzia de anos, os então directores-gerais da Weber Shandwick na China escreviam, no site da agência, que estavam a assistir à “emergência de um mercado robusto”.

E justificavam esta denominação com dois eventos de luxo – os Jogos Olímpicos de Pequim de 2008 e a Expo 2010 Xangai –, com as mudanças na economia mundial e com o aparecimento de uma nova geração de consultores de PR, que então não tinham mais de 27 anos.

A promessa de uma nova China entusiasmou o mundo dos negócios e foi o ponto de partida para um novo país, que desde então investiu milhões para liderar os BRIC no assalto à nova ordem económica mundial.

Tenho para mim que Pequim e Xangai serão o centro do mundo em poucos anos. No caso da primeira, a revolução urbanística começou bem antes de 2008, ano em que a cidade organizou os Jogos Olímpicos, e continua hoje, com uma nova ordem ambiental e um gigantesco desafio em mãos: ser sustentável.

Ser sustentável passa, sobretudo, por conseguir travar a fúria consumista automóvel chinesa - e trocá-la por uma “fome” mais híbrida. Aliás, não é por acaso que o Salão Automóvel, que decorre em Pequim, tem nos carros híbridos o seu foco principal. Não há nenhuma marca que não centre as suas preocupações e apresentações nestes modelos… até porque estamos a falar já no maior mercado automóvel do mundo.

Há marcas a dedicarem cada vez mais modelos exclusivos àquele país (a Citroen avançou mesmo com um novo protótipo, chamado Metropolis, que rende homenagem ao desenvolvimento extraordinário da China).

E mais: foi anunciada uma parceria entre a Chery Automobile, maior produtora independente de automóveis da China e a Better Place, empresa de infra-estruturas de veículos eléctricos norte-americana. O objectivo? Colaborar em novas tecnologias – protótipos de carros eléctricos e estações de carregamento – para o mercado automobilístico chinês. O significado? A criação de um poderoso mercado de veículos eléctricos na China.

Mas a revolução urbanística e paisagística estende-se a outras paragens. Os Jogos Olímpicos mudaram – mesmo – a face de Pequim. Foram – e continuam – a ser plantadas árvores, criou-se uma nova cidade subterrânea, a apelar à mobilidade sustentável, há milhares de jardins, parques verdes…


A arquitectura é outra das jóias da coroa da nova Beijing. Os edifícios de raiz comunista estão a ser substituídos por outros que respeitam as normas de sustentabilidade, produzem a sua própria energia e reaproveitam os resíduos.

Ainda recentemente a cidade aprovou mais uma leva de projectos – o chamado Green Building Action Plan – que inclui a construção de nove grandes projectos “verdes”, transformando a cidade chinesa não apenas numa cidade moderna, mas também mais sustentável.

Pequim é hoje uma cidade diferente, mais ligada aos seus habitantes. E soube aproveitou os Jogos Olímpicos como o elemento-chave do seu desenvolvimento sustentável. Algumas destas medidas têm-se estendido para outras cidades e regiões do gigantesco país, com destaque para o forte investimento do Governo em soluções de mobilidade sustentável.

Mudando de continente: dentro de uma semana inicia-se o primeiro GPA Roadshow de 2010, com o Oeiras Sustentável - e confirmados estão já os eventos de Ferreira do Alentejo e Almada. E se até uma cidade como Pequim já descobriu a importância – e a substância – de ser sustentável, custa ver que algumas das cidades portuguesas ainda não considerem este o tema do século.

Felizmente existem outras que pensam de forma contrária. O GPA Roadshow, recorde-se, pretende também lembrar que as cidades são, elas próprias, os agentes de mudança de atitudes e comportamentos das suas populações.

Nenhuma delas tem os (falados) 25 mil milhões de euros para promover a maior remodelação urbanística de sempre, como Pequim fez há dois anos, mas as grandes revoluções começam sempre por pequenas acções. Como esta.


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27 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

* Texto para o Imagens de Marca

Terminei o meu último artigo com um PS que afirmava, sucintamente, que a Pepsi iria investir 15 milhões de euros, no digital, durante o Super Bowl, sendo que a maior parte deste investimento iria directamente para o Facebook.

Hoje vou pegar neste tema partindo de uma questão que, certamente, tem passado várias vezes pela cabeça dos responsáveis de comunicação e marketing. Agências de Public Relations ou agências de marketing digital: quem deverá ficar com a responsabilidade de gerir as marcas nas redes sociais?

Como é óbvio, perceberão que sentido tomará a minha resposta (apesar de às vezes estas questões não serem tão lineares como parecem). Em alternativa, por isso, vou citar um estudo da PR Week sobre esta “divisão digital”. O relatório foi desenvolvido pela Diffusion e intitula-se “Digital Integration Report”.

Segundo o estudo, que entrevistou 128 clientes – directores de comunicação, marketing e digital –, o modelo “in house” continua a ser a opção mais popular para trabalhar as redes sociais de uma marca, instituição ou empresa, com 43% das respostas. No entanto, a opção pelas agências de PR, com 39%, aproxima-se a passos largos. Seguem-se as agências digitais tradicionais, com 22% e as agências de publicidade, com 13%.

Quando questionados sobre quais os principais “drivers” e benefícios das redes sociais e do investimento em PR digital, 64% dos respondentes afirmaram pretender construir notoriedade e consideração para a marca, 39% escolheram a hipótese “gestão eficaz da reputação”, 37% querem aumentar o tráfego dos seus sites e 13% disseram que viam as redes sociais como uma forma de gerir potenciais crises de comunicação.

Mas há mais resultados interessantes. 62% dos entrevistados dizem que existe uma verdadeira oportunidade de comunicação e negócio nas redes sociais (contra 29% que ainda precisam de ver mais “provas” deste benefício para as empresas e marcas).

Finalmente chegamos àquela que é, para mim, a questão principal: 42% dos entrevistados acredita que são as agências de PR que estão mais bem preparadas para ajudar as empresas e marcas a integrar os media tradicionais e redes sociais (contra 20% de uma agência de social media). Integração é, pois, uma palavra chave para as empresas no que toca e este tema.

É verdade: as redes sociais ainda assustam muitos responsáveis de comunicação e marketing das empresas. É normal e isso nota-se muito timidamente no próprio estudo. Ainda assim, apenas 5% dos responsáveis dizem que as redes sociais não são importantes para a sua empresa. É uma percentagem muito baixa e tenderá a desaparecer.

Nos últimos anos tenho assistido – localmente, através de experiência própria, e internacionalmente, pelo que vou sabendo através dos meus pares da Edelman e pelos media do meio – à mudança de opinião das marcas em relação às redes sociais. O Digital Integration Report dá conta disso e nota mesmo uma clara subida do investimento das marcas em redes sociais, em 2010, quando comparando com o ano anterior.

Se o estamos a sentir em Portugal? Não tanto como os nossos pares europeus. Mas a tendência cá chegará, como as restantes. E, já agora, de preferência liderada pelas agências de PR.


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Por José Manuel Costa

A televisão estatal indiana Doordashan começou a transmitir no mês passado um concurso/reality show, baseado no “Quem quer ser Milionário”, que irá premiar vilas e cidades que invistam na promoção da sustentabilidade.

 

O programa chama-se Green Kerala Express e foca-se sobretudo nas instituições ou grupos de pessoas das zonas rurais de Kerala que lideram o processo de desenvolvimento sustentável. Ou, pelo menos, que tentam faze-lo.

 

O programa recebeu 250 inscrições e tem sido motivo de conversas permanentes na sociedade indiana. Pelo menos naquela região, como prova o tipo de concorrentes que já apresentaram os seus projectos: desde a vila que tem rejeitado liminarmente a utilização de fertilizantes e pesticidas em prol da agricultura orgânica ou o grupo de donas de casa que converte lixo doméstico em bio-combustíveis.

 

Outro dos projectos passa por substituir as luzes de um bairro inteiro por uma iluminação mais sustentável. Simples mais eficaz. (um pouco na senda do nosso projecto Vila do Clima)

 

Ao todo são 105 episódios, em formato que combina reality show com programa de viagens, e que servirão de base para um período de perguntas e respostas do júri e audiência.

 

Este projecto é paradigmático por vários motivos. Em primeiro lugar, porque mistura o apoio do Estado (o projecto vencedor recebe 160 mil euros), entretenimento, exposição fortíssima nos media e redes sociais (o programa está em todas as principais). E, sobretudo, trata-se de avaliar - e promover - o esforço colectivo das populações daquela região em trabalhar para o desenvolvimento sustentável e melhoria do nível de vida.

 

Vindo de um BRIC, acho que este último ponto é importantíssimo. Os próprios apresentadores vão viajar de bicicleta pelas vilas de Kerala para apresentar os 105 episódios do Green Kerala Express.

 

É também um projecto que vai trazer para o dia-a-dia aquela região indiana temas “escondidos” da habitual discussão sobre as alterações climáticas e emissões de carbono, como a agricultura sustentável, a conservação da água, a segurança alimentar, a saúde, a educação, a energia, os ecoedifícios ou até, segundo a Fast Company, a questão dos direitos da mulheres.

 

Na verdade, o que está aqui em jogo é uma questão que já falei em vários posts: a mudança de mentalidades. Estes projectos são o território natural das Public Relations, sejam neste ou noutro formato.

 

Este é o primeiro de três posts que irei escrever sobre os BRIC. O projecto Green Kerala Express, por seu lado, pode ser seguido aqui.


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22 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Excelente o suplemento de 32 páginas que o jornal Público dedica hoje ao Dia da Terra – e também o comentário de Ricardo Garcia, numa espécie de editorial a este suplemento, sobre as constantes metas de biodiversidade que estamos a falhar: “O mundo falhou, a Europa falhou, Portugal falhou. E agora?”, escreve o jornalista.

 

Retiro duas ideias do texto de Ricardo Garcia. Em primeiro lugar, o jornalista do Público refere que a História nos diz que é preciso “uma boa crise ambiental para que se ultrapasse a inacção”, mas que, “infelizmente, no caso da biodiversidade, a crise existe mas não se vê facilmente”.

 

Concordo e acrescento mais: escrevi ontem aqui que há dois anos foi o sistema económico que ruiu, há uma semana o mesmo aconteceu a parte do sistema de transportes. Acrescentei: “O que mais virá aí”?

 

Se o sistema económico se conseguiu semi-estabilizar, e o sistema de transportes para lá caminhará, mais cedo ou mais tarde, no caso de uma possível e cada vez mais provável crise ambiental as consequências seriam - serão!!! - imprevisíveis. Ou melhor, seriam previsivelmente catastróficas, ao ponto de não-retorno. O que acabaria por levar atrás os outros sistemas – económico, social, etc.

 

O segundo ponto que me chamou à atenção foi a questão das metas. Primeiro é a de 2010, que já falhámos, mais tarde a visão será para 2050 (com meta em 2020). Em 2020, digo agora eu, a meta passará para 2030 ou 2040, com visões para o final do século. Ora, o final século poderá ser tarde demais, como bem avisam os especialistas em alterações climáticas.

 

A verdade é que os anos vão passando e pouco se faz, de efectivo, para mudar mentalidades. Porque, basicamente, trata-se de uma questão de mudar mentalidades. Sei que não é fácil, mas é preciso que cada um de nós saiba que pode mesmo mudar o mundo com as acções do dia-a-dia. Isto, claro, tendo como ponto de partida uma estratégia mais alargada que inclua boas práticas governamentais e empresariais. Diz Ricardo Garcia que conceito de sustentabilidade é “tão prezado nos discursos quanto ignorado na prática”. É verdade – mas também já foi mais verdade).

 

Hoje não basta falar de sustentabilidade. As redes sociais juntaram-se aos jornalistas no escrutínio destas, muitas vezes, falsas campanhas verdes. É impossível ou muito difícil, hoje em dia, passar impune.

 

Como presidente do Grupo GCI tenho orgulho em projectos – reais – que temos desenvolvido na área da sustentabilidade, sobretudo desde que apostámos nela em força, em 2007. Projectos como o Green Project Awards, GPA Roadshow ou Green Fest e movimentos como o Menos Um Carro, que tiveram e terão uma continuidade, têm demonstrado que já há pessoas, marcas e empresas que conseguem perceber a verdadeira dimensão do palavrão “desenvolvimento sustentável” e colocar lado a lado os benefícios ambientais com os sociais e económicos.

 

Porque não podemos ser inconscientes ao ponto de não aliar a economia à sustentabilidade e biodiversidade, à luta contra a exclusão social ou pobreza. Aqui não há compartimentos estaques.

 

A sociedade é feita de relações de interdependência, a tal história da borboleta-que-bate-as-asas-e-que-provoca-um-acto-qualquer-no-outro-lado-do-planeta é um excelente exemplo.

 

Durante a sessão de apresentação do Green Project Awards, Fernando Nobre dizia que “o ambiente chegará, rapidamente, ao primeiro plano de importância da sociedade”. É verdade. E, se não for por nossa iniciativa, isso ser-nos-á imposto. Mas nem quero pensar nesta segunda hipótese…


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21 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

 

Aqui e ali, em blogs, jornais, no Twitter e no Facebook, vão-se reunindo histórias sobre os efeitos da cinza vulcânica do Eyjafjallajökull na dia-a-dia das pessoas.

 

Há de tudo um pouco: histórias tristes, outras engraçadas mas, sobretudo, dá-se primazia ao desespero de quem não consegue (e não conseguiu) voltar para casa.

 

Mistura-se a história do Governante ou do homem de negócios que ficou retido em algum ponto do Globo e que não pode voltar para o seu país com o anónimo que começou a ver o seu local de férias como um “inferno” – em vez do paraíso que, certamente, durante tantos dias foi.

 

Para além dos milhões de euros que a indústria aérea – e outras – terão perdido, o que fica destes quatro ou cinco dias é a imagem de um continente preso em si próprio, incapaz, por exemplo, de repor as prateleiras dos seus super e hipermercados. (a nossa dependência das viagens aéreas é alarmante. Não só do ponto de vista económico mas também do (in)sustentável).

 

Foram mais de 80 mil voos cancelados. A Business Week diz que estamos pouco preparados para o inesperado. Eu acho que por vezes perdemos a noção que o continente europeu não é assim tão pequeno. Há dois anos foi o sistema económico que ruiu, agora parte do sistema de transportes. O que mais virá aí?

 

Ainda assim – e em paralelo –, o que mais me chamou à atenção foi a forma como, uma vez mais, as redes sociais foram das grandes vencedoras do fenómeno nuvem-de-cinza-vulcância-do-Eyjafjallajökull. Twitter, Facebook, Flickr, YouTube… todos os segundos eram poucos para tanta informação disponibilizada.

 

Quem estava em casa podia ver no Flickr as fotos do vulcão ou procurar no YouTube as primeiras imagens; quem estava perdido – algures – num país distante poderá ter conseguido uma “boleia” para casa com as hashtags #getmehome #roadsharing ou #ashtag. Ou uma “free accommodation”.

 

Ou ter descoberto aquele hotel perto do aeroporto - e que até fez um desconto de 15% para quem tivesse tido voos cancelados devido à nuvem de cinza.

 

Tal como no recente debacle do Eurostar ou na tragédia da Madeira (para contextualizar com um acontecimento local), quando algo corre mal as pessoas viram-se para as redes sociais para obterem respostas, conseguirem ajuda ou simplesmente relatar o que lhe está a acontecer.

 

E esse imediatismo é um poder inacreditável. É todo um novo mundo que se abre, assim do nada, para o mundo da comunicação.

 

PS: A foto é do Examiner.com


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19 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Todos os projectos têm princípio, meio e fim e só após completar estas três fases pode ser considerados: 1) bem sucedidos, 2) “così così” ou 3) um insucesso.

 

Ainda assim, tenho que admitir que mais de cem candidaturas na primeira edição dos Nutrition Awards é um número que conseguiu superar as nossas expectativas.

 

Mais de cem candidaturas – leia-se – que seguiram para o júri depois de devidamente avaliadas e auditadas.

 

O Grupo GCI e a Associação Portuguesa dos Nutricionistas (APN) lançaram os Nutrition Awards a 16 de Outubro – e os seis meses que se passaram desde então deram-me provas de que estes prémios não só fazem sentido para a sociedade portuguesa, como pegam num tema já faz parte – e finalmente –da actualidade mundial.

 

A luta de Michelle Obama para travar o crescimento da América XXL ou a forma inteligente como Jamie Olivier está a mudar os hábitos alimentares dos britânicos são apenas dois dos exemplos desta "nova" vaga pela alimentação equilibrada. 

 

Há dias, a presidente da APN, Alexandra Bento, explicava o porquê da realização do segundo Inquérito Alimentar Nacional. O primeiro – e até agora – único Inquérito Alimentar Nacional realizou-se na década de 80.

 

É importante avaliar as tendências e os padrões alimentares da população portuguesa de hoje. Alexandra Bento diz que os hábitos alimentares dos portugueses estão a mudar devido aos novos ritmos de vida. Eu diria que os hábitos alimentares de toda a população mundial estão a mudar a um ritmo alucinante.

 

Escrevia há dias Simon Kuper no Financial Times que os nossos bisavôs não reconheceriam a maior parte dos alimentos que comemos. Isto é verdade, mas não é um facto propriamente negativo. Provavelmente o mesmo teria acontecido com as gerações anteriores. Há, contudo, que perceber que o nosso estilo de vida alimentar não pode continuar por muito mais tempo.

 

A importância de um bom e tranquilo pequeno-almoço, a necessidade de passarmos a dosear a quantidade de comida que ingerimos nas nossas refeições (o ideal é fazermos cinco refeições por dia) ou a influência que praticar exercício físico tem na nossa saúde e bem-estar são algumas das informações que temos que “passar” para a sociedade e, sobretudo, para os mais jovens.

 

Voltando à entrevista de Alexandra Bento, o inquérito alimentar irá “estudar a associação entre consumos de alimentos da população portuguesa – por regiões, sexo, grupos etários e sócio-económicos – e analisar os factores de riso de doenças crónicas. Este inquérito será importante, à sua escala, para perceber e melhorar a nutrição dos portugueses.

 

É necessário reorientar a nossa política alimentar no caminho da alimentação sustentável. E se em Novembro dizia aqui que temas como a nutrição, a obesidade e alimentação sustentável não tiveram, nos últimos anos, o destaque que a sua importância global merecia, hoje sinto que algo mudou.

 

Como referi, a luta contra a obesidade saiu das fronteiras britânicas e alastrou, sobretudo, para os Estados Unidos, onde a Primeira-Dama Michelle Obama luta para travar o crescimento da América XXL (um norte-americano comerá o equivalente a 21 mil animais inteiros durante a sua vida...).

 

Como tenho abordado aqui em relação a temas como o das alterações climáticas, sustentabilidade e responsabilidade social – e individual – ambiental, também aqui tudo passa por uma questão de mundaça de mentalidades.

 

Os Nutrition Awards serão mais uma prova da nossa competência de agência de Public Relations em ser capaz de trazer para a ordem do dia temas importantes e relevantes da sociedade portuguesa. So far, so good.

 

Os prémios da nutrição sustentável aproximam-se da sua fase decisiva – a avaliação das candidaturas e a entrega dos prémios – e o rumo que o projecto tomou nos últimos seis meses deixa-me confiante quanto o futuro. Até Junho!


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16 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Augusto Mateus, um dos oradores do Edelman Trust Barometer Portugal, esteve nesse dia (7 de Abril) no Jornal das 9, da SIC Notícias. Vale a pena assistir à reportagem da SIC e à entrevista de Mário Crespo.

 

 


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15 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Vinte cidades e vilas portuguesas estiveram ontem no Parlamento Europeu, por iniciativa da eurodeputada Maria da Graça Carvalho, para debater as alterações climáticas. O debate, que segundo a Lusa contou também com a presença de vários especialistas neste tema, teve um objectivo: saber como podem as cidades (e vilas) combater – juntas – as alterações climáticas.

 

A forma como podemos contribuir para o desenvolvimento de cidades mais sustentáveis – e as oportunidades que surgem todos os dias neste campo - é hoje um dos dilemas da sociedade moderna. É o dilema do século.

 

Como o poderemos fazer? E, sobretudo, como o poderemos fazer tirando partido, simultaneamente, dos benefícios económicos que este alargado leque de acções poderá significar para um meio urbano? Para já, começando a mudar mentalidades.

 

É, pelo menos, esse o sentimento que tenho visto durante a organização do GPA Roadshow, a mostra itinerante que organizamos, juntamente com a Quercus e a Agência Portuguesa do Ambiente, e que promove o desenvolvimento sustentável em vários concelhos portugueses.

 

Tenho tido oportunidade de dizer várias vezes que a sustentabilidade urbana, sendo um assunto que abrange uma panóplia de interessados, deverá começar por cada um de nós.

 

O GPA Roadshow vai levar às comunidades locais vários exemplos do melhor que se faz, em Portugal, nas áreas da energia, resíduos, água, biodiversidade ou mobilidade.

 

O objectivo? Esse mesmo, mudar mentalidades. E mostrar não apenas o que as autarquias e empresas estão a fazer para serem, elas próprias, o motor desta mudança, mas também incentivar e sensibilizar as populações para abraçarem a sustentabilidade de uma forma natural. Afinal, será essa mesma sustentabilidade que, mais cedo ou mais tarde, nos será imposta – e por “nos” quero dizer a sociedade e os seus intervenientes. Por isso mais valerá começarmos quanto antes a prepararmo-nos.

 

Se ainda não conhece o GPA Roadshow, conheça-o via Facebooksite ou Twitter.

 

PS: No Oeiras Sustentável, o Roadshow que vamos levar até à vila de Oeiras, há um mini-curso de jardinagem em varandas. Quando digo que este tema nos afecta a todos, mas mesmo todos, não estou a exagerar…


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