31 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

Começa hoje a reunião de Bona, que irá fazer a ponte entre a Cimeira de Copenhaga e a de Cancun, no México, lá para o final do ano.

Esta ronda vai durar 10 dias e tem como objectivo lançar as bases para a reunião do México. Recorde-se que, em Copenhaga, uma das críticas feitas à Cimeira do Clima foi a inexistência de um trabalho de casa por parte dos principais países envolvidos nas negociações.

Em Bona estará em cima da mesa a implementação do apoio de 100 mil milhões de euros, a conceder até 2020 aos países pobres, para a protecção climática, na sequência da decisão tomada em Copenhaga.

Hoje, porém, o The Guardian dá conta de uma carta escrita por Yvo de Boer – chefe climático das Nações Unidas – para os seus colegas, pouco depois do fim da Cimeira de Copenhaga.

Nela, de Boer explica que as negociações falharam porque a presença de 130 líderes mundiais paralisou a tomada de decisões. “Convidar chefes de Estado parecia uma boa ideia, mas a sua chegada antecipada não teve o efeito que esperávamos. O processo ficou paralisado e o rumor e a intriga tomaram conta [dos trabalhos]”, referiu de Boer na carta.  

Também a tomada de posição da Dinamarca e outros países ocidentais a favor dos Estados Unidos – contra o interesse dos países mais pobres – terá impedido um eventual acordo vinculativo.

Aliás, a cimeira terá começado logo mal, depois da Dinamarca ter apresentado a apenas alguns países um draft unilateral de um possível documento. Isto – diga-se –  antes mesmo da conferência começar.

“[O texto dinamarquês] destruiu dois anos de esforços. Todas as nossas tentativas para evitar que este texto fosse entregue falharam”, explicou de Boer nessa carta.

O texto criou na conferência (do Clima) o clima – que se notou dia após dia – de desconfiança. E apenas ajudou a extremar as posições. A pseudo cereja-em-cima-do-bolo, que seria a presença de Barack Obama e Wen Jiabao, não só não galvanizou a conferência como acabou por ter um efeito exactamente contrário.

Quando vemos responsáveis como Connie Hedegaard (ex-ministra dinamarquesa do Clima e uma das responsáveis pela organização da conferência) dizer que os “países simplesmente não quiseram chegar a um acordo”, temos também que ter em conta que a estratégia de organização, pura e simplesmente, não existiu.

Ou, se existiu, não resultou. Terá aí começado o debacle da Cimeira do Clima o que, aliado a esta reduzida predisposição dos países em trabalhar num acordo global, transformou Copenhaga num fracasso.

Como não repetir estes erros em Novembro, no México? Em primeiro lugar, começar por ser mais transparente. Ser mais sensato e estabelecer uma política de confiança a partir do pré-Cancun. Em segundo lugar, deixar as negociações… para os negociadores. Em terceiro lugar, não resistir a fazer tudo numa só conferência = não entrar em pânico.

Até ver, parece que a Conferência de Cancun estará a ser negociada/trabalhada num registo diferente de Copenhaga. A China já tem acordos de consenso político assinados com a União Europeia e com os Estados Unidos.

Serão estes acordos suficientes para um consenso na Conferência de África do Sul, no final de 2011? Esperemos que sim. Pelo menos, que os bastidores de Copenhaga não se repitam nas próximas reuniões.


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28 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

"Os banqueiros de Wall Street estavam confiantes demais. É o risco de todos os especialistas. É difícil controlar a confiança excessiva".

O problema do excesso de confiança... Segundo explicou Malcom Gladwell à Veja – numa entrevista que já tem uns mesinhos  – todos os especialistas estão sujeitos ao excesso de confiança. “É um dilema humano. Precisamos de criar uma cultura institucional capaz de reinar sobre a nossa confiança excessiva e nos forçar à humildade”.

Se tantas vezes falo aqui de confiança (normalmente falo da falta dela), hoje viro as agulhas para o excesso de confiança.

Numa entrevista apaixonante, o escritor diz que o excesso de confiança determinou, por exemplo, o futuro dos militares norte-americanos no Vietname e, mais recentemente, no Iraque. “O mesmo erro da confiança suprema”.

Na entrevista, Gladwell - que lançou no ano passado a compilação What the Dog Saw - diz que é um tradutor e que traduz ideias académicas para uma audiência de massas. E que os seus livros oferecem às pessoas uma forma de organizar as informações.

“Pense em Wall Street (…) Estavam afogados em informações. (…) Era, sem dúvida, a geração de financeiros mais bem informada da história. Mas não souberam organizá-la, dominar, controlar, entender o que isso tudo significava. É um problema da modernidade. Temos muita informação e pouco tempo para digeri-la”, explicou, na mesa da cozinha da sua casa nova-iorquina, ao jornalista André Petry.

É verdade. É um dos problemas da nossa geração, o excesso de informação. Mas, como em tudo, há que fazer escolhas. E é na assertividade destas escolhas que está escrito o nosso futuro. Enquanto pessoas e enquanto profissionais.

Finalmente, deixo para o fim a minha parte favorita da entrevista. Sobre os empresários de Silicon Valley, Gladwell diz que “têm uma confiança extraordinária na própria capacidade de causar impacto do mundo”. Sobre os de Wall Street, afirma que têm uma visão do mundo de uma estreiteza notável, como se olhassem do lado errado do telescópio”.

Os jornalistas são curiosos, os universitários não sabem o quanto não sabem e os cientistas são perseverantes, disciplinados e pacientes.

Podem ler a entrevista aqui.


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Por José Manuel Costa

Ontem passei a manhã em Almada - para acompanhar o GPA Roadshow Almada Sustentável - e pude uma vez mais assistir, in loco, ao poder de mobilização que os temas ligados à sustentabilidade e biodiversidade provocam, sobretudo, nos mais novos.

Mas também perceber como a entusiástica e dinamizadora câmara almadense se auto-mobiliza para promover as suas actividades e programas desenvolvidos.

As 2.500 crianças que ontem encheram o Almada Sustentável são sinónimo que a mudança de mentalidades de que tanto falo está, finalmente, no caminho certo.

Ontem foi também o dia da conferência “Biodiversidade: respostas para um desafio global”. Excelentes painéis e oradores, mas eu refaria o título da conferência, trocando “global” por “glocal”.

De facto, o desafio é global. Mas as oportunidades podem sentir-se, sobretudo, a uma dimensão local.

Ao divulgar o melhor que se faz, localmente, em prol do desenvolvimento sustentável, Almada – e Oeiras, há umas semanas, e Ferreira do Alentejo, em Junho – coloca-se não só na liderança da discussão sobre as alterações climáticas e os desafios da biodiversidade, como transmite uma mensagem de forte aposta na agricultura sustentável, segurança alimentar, saúde, educação ou inclusão social.

 

Com todas as declinações que esta mensagem representa para a vida empresarial e a cidadania deste(s) municípios.


Ao mostrar as suas políticas de energia, resíduos, água, biodiversidade ou mobilidade, Almada Sustentável está a responder aos temas que a sua comunidade quer ver explicados e resolvidos. Hoje, amanhã e num futuro cada vez – e obrigatoriamente – mais próximo.

Finalmente, e em relação às expectativas do Grupo GCI nesta consciencialização, direi que “so far, so good”. O futuro? Para já está aqui. Depois, logo se vê.

Vejam como a Semana Verde está a mexer com Almada.




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27 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

"Com Dialogue Café, o mundo está todo na mesma sala", diz o spot que anuncia este projecto, que tem na inclusão social o seu principal objectivo.

 

A partir de hoje, Lisboa e Rio de Janeiro vão estar unidas por um projecto pioneiro – apoiado pela Aliança das Civilizações (Nações Unidas) e pela Fundação Gulbenkian, entre outros – e que pretende promover o diálogo e debate de ideias entre pessoas de diversos pontos do mundo.

 

O Dialogue Café baseia-se na tecnologia para conseguir chegar à inclusão social: uma tecnologia vídeo de última geração será instalada nas salas de café convencionais e porá em contacto milhares de pessoas separadas por outros tantos quilómetros.

 

O projecto está a ser amadurecido há algum tempo, mas só agora arrancará em força. Os dois primeiros Dialogue Cafés do mundo serão instalados, como já disse, em Lisboa e Rio de Janeiro, mas mais se seguirão: Londres, Amesterdão, Florença, Toronto, Telavive, Istambul, Nova Iorque, São Francisco, Cairo ou Seul.

 

O projecto está a ser trabalhado por vários parceiros e executivos, entre os quais Diogo Vasconcelos, que tive o privilégio de receber, há um ano (aliás, fez um ano na semana passada), numa das conferências de comemoração dos 15 anos do Grupo GCI.

 

Na altura, no Café Concerto do cinema São Jorge, Diogo Vasconcelos falou da forma como a tecnologia poderá ser utilizada em prol do bem estar das sociedades. O chairman da APDC apresentou vários projectos nos quais a componente tecnológica está a ser trabalhada de forma específica – e integrada – para solucionar os problemas concretos das populações.

 

Bom, pelo que pude perceber, o Dialogue Café será um destes projectos. Num ano em que se fala (e falará) tanto de inclusão social, até o timming de lançamento do Dialogue Café foi o mais feliz.

 

Diálogo, civilização, urbanismo, criatividade, aprendizagem, cidades, pontes culturais, colaboração são algumas das palavras-chave do projecto.

 

Apesar de chegar, numa primeira fase, a doze cidades, o Dialogue Café deverá ser mais ambicioso, à medida que novas cidades entrem no seu radar e o conceito desperte, nas suas populações, as percepções e realidades de outras culturas e raízes.

 

No final do dia, poderemos resolver questões mais pequenas, particulares e pontuais, mas também outras relacionadas com a exclusão social, alterações climáticas, desigualdade(s), a quebra de preconceitos ou até mesmo o envelhecimento da população.

 

A inclusão social será um (outro) dos grandes temas dos próximos anos. Aliás, tendo como base o mundo de hoje, antevejo que isso ocorrerá muito mais cedo do que alguma vez me passou pela cabeça.

 

As pessoas têm muito mais em comum do que pensam e também por isso este projecto será, seguramente, bem sucedido. O Dialogue Café fará com que elas se sintam, mais do que nunca, bem perto umas das outras.

 

Dialogue Cafe presentation from Dialogue Café on Vimeo.


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26 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

Muito interessante o recente estudo publicado pela Edelman sobre os assuntos que influenciam a confiança dos consumidores nas empresas de entretenimento.

 

O Trust in the Entertainment Industry, que já vai na sua quarta edição, revela uma mudança na forma como os consumidores estão perceber (ou percepcionar) as redes sociais, que se estão a tornar em redes de entretenimento. Entretenimento social, leia-se.

 

Segundo o estudo, os consumidores acreditam que as redes sociais são responsáveis por proporcionar melhores experiências que outras formas mais “conhecidas” de entretenimento. Assim, a pesquisa refere que a Internet é já a segunda fonte “frequente” de entretenimento, logo a seguir à televisão.

 

Na faixa dos consumidores entre os 18 e os 24 anos, 73% dos norte-americanos e 61% dos britânicos afirma que vê as redes sociais como uma forma de entretenimento. Estes números descem ligeiramente quando a faixa etária sobe para os 35-49 anos: 50% nos Estados Unidos e 56% no Reino Unido. (o estudo foi conduzido nos EUA e Reino Unido)

 

Porém, os consumidores ainda não identificam as redes socais como empresas de entretenimento. Mesmo que procurem nelas experiências valiosas e considerem que estas fornecem melhores experiências de entretenimento que as empresas especializadas em música, jogos ou televisão.

 

“Não é surpreendente ver que a televisão lidera [esta] lista, mas é significante perceber que a internet é a segunda fonte de entretenimento – uma evolução desde a sua origem como fonte de informação. Acreditamos que todas as empresas existem hoje nesta nova era a que chamamos de entretenimento social (social entertainment) e vamos continuar a ver esta influência na forma como os consumidores e as empresas se relacionam com o entretenimento e entre eles próprios”, explicou Gail Becker, da Edelman.

 

Atenção, volto a destacar que este estudo foi conduzido nos Estados Unidos e Reino Unido. Ainda assim, estas conclusões poderão ter implicação, a médio e longo prazo, na própria indústria do entretenimento.

 

É também interessantes perceber que, se em 2008 os conteúdos gratuitos foram o assunto dominante desta pesquisa, este ano a possibilidade de aceder a conteúdos em várias plataformas liderou a escolha dos inquiridos.

 

E mais: 58% dos norte-americanos e 53% do britânicos disseram mesmo que estariam dispostos a pagar por conteúdos se estes estiverem acessíveis em várias plataformas.

 

Ainda assim, os consumidores não estão dispostos a abdicar da sua privacidade para obter entretenimento (esta é uma boa dica para o Facebook).

 

Também importante é perceber a relação entre a confiança e as empresas de entretenimento. O estudo demonstra que os consumidores que mais confiam nas empresas de entretenimento são os que estão dispostos a gastar mais com os seus produtos.

 

Por isso é tão importante a confiança na relação com todos os stakeholders.

 

E a criação desta confiança passa por "ouvir" com uma nova inteligência, participar na conversa, criar e co-criar conteúdos, socializar, ser o campeão da transparência, construir parcerias activas e "abraçar" complexidade.


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25 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

José Mourinho faz sempre o que quer, quando quer. E nada (nunca) lhe parece correr mal, apesar de um ou outro contratempo na sua carreira.

Uma das suas melhores qualidades, claro, é a sua capacidade de motivar e comunicar. Para Mourinho, não há agendas. Ele é a agenda.

José Mourinho é consensual. Diz-se que é amado ou odiado, mas eu acredito que ninguém verdadeiramente o odeia. O ódio vem do medo de “apanhar” com uma equipa treinada pelo treinador português.

José Mourinho tem visão, percebe de futebol. E é imprevisível. O Guardian escrevia ontem que, quando todos esperariam a habitual arrogância quando suou o apito final no sábado, Mourinho reagiu com humildade.

Para Mourinho, tudo parece sempre correr bem. Falou do seu futuro (no Real Madrid) antes do jogo. Durante o jogo. No final do jogo. Tivesse perdido a final da Champions League e ter-lhe-iam cobrado essa arrogância. Mas José Mourinho parece que não sabe perder.

José Mourinho terá sido o primeiro treinador mundial a mudar a lógica de preponderância dos intervenientes do jogo: dos jogadores para o treinador. Não interessam os nomes. Quem joga por Mourinho, ganha.

Numa altura em que Portugal não aparenta sair tão cedo dos media internacionais – e pelas piores razões –  sabe bem ver a imagem de um português de sucesso nas bocas do mundo.

Mas isto, dito assim, é um lugar comum.

A 9 de Dezembro de 2009, quando o Inter estava em perigo de ser eliminado da Champions League (acabou por vencer 2-0), o treinador português reagiu com espanto ao ver, no final do jogo, uma equipa de reportagem da RTP no estádio San Siro.

“Até me espanta ver uma televisão portuguesa. Só se vos cheirava a esturro e cheirava-vos a possibilidade de sangue, mas o Inter continua na Champions”, disse então.

(recordem aqui o meu texto “Porque teimamos em destruir os símbolos nacionais”)

O que Mourinho revelou, então, perante a RTP, foi uma confiança e transparência absoluta. As mesmas confiança e transparência com que ganha inimigos a cada minuto que passa, mas que o tornam no “Especial” amado por muitos.

Acho que as empresas têm muito a aprender com a forma – estudada – como José Mourinho lida com os seus diferentes stakeholders.

Quem não se lembra, por exemplo, do recente elogio ao árbitro português Olegário Benquerença na véspera do (polémico) Inter-Barcelona?

Não será Mourinho, apenas e unicamente, a personificação de uma excelente estratégia de Public Relations – exteriorizada num caminho, quase único, de vitórias?


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21 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

Durante dois dias, a Associação Portuguesa dos Nutricionistas juntou os seus profissionais no Centro de Congressos de Lisboa para discutir alguns dos problemas… eu não diria do sector… eu diria do País e do mundo. Temas como a obesidade, diabetes e hipertensão, a segurança alimentar, a promoção dos bons hábitos alimentares ou (as cada vez mais em voga) refeições escolares saudáveis foram algumas das estrelas do encontro.

 

Uma das principais conclusões analisadas: um terço das crianças portuguesas estão em pré-obesidade ou obesidade, explicou o coordenador da Plataforma Nacional contra a Obesidade, Pedro Graça.

 

São dados demolidores, sobretudo porque estamos a falar de crianças entre os dois ou cinco anos. Mas há mais: 53,3% dos homens (população adulta) e 27,8% das mulheres são pré-obesos. E destes, 27,8% das mulheres e 10,3% encontra-se em obesidade do grau 1.

 

É tempo, por isso, para mudarmos esta situação. Pedro Graça apelou ao papel dos profissionais de saúde para prevenir e tratar desta questão, mas eu iria um pouco mais longe, estabelecendo um verdadeiro compromisso entre profissionais, empresas e outras organizações e a sociedade.

 

Uma boa notícia: a presença do Grupo Ibersol, no congresso, com todas as suas marcas: da Pizza Hut à Pans & Company, passando pelo Burger King ou KFC. É tempo. também, de todos pensarmos em sermos mais saudáveis.

 

Nos Estados Unidos, esta luta está a ser liderada pela próprio Primeira Dama, Michelle Obama. Aquele país está preocupado não só com as ameaças da obesidade à saúde, mas também à economia.

 

Consta que os EUA precisem de 110 mil milhões de euros por ano para tratar de doenças ligadas à obesidade. São números demasiado inacreditáveis para ignorar – sobretudo nesta fase de crise.

 

As estatísticas norte-americanas, vemos agora, poderão nem andar muito longe das portuguesas: 32% das crianças e adolescentes têm peso a mais, e quase 20% das crianças dos seis aos 11 anos e 18% dos jovens entre os 12 aos 19 anos são obesos. Mas estaremos nós, portugueses, a lutar com as mesmas armas dos norte-americanos?

 

Como sabem, o Grupo GCI lançou em Outubro último, em parceria com a APN, os Nutrition Awards. Estes novos números sobre a obesidade em Portugal – hoje, o Destak escreve que nos estamos a tornar num país de gente gorda – só lançam mais pertinência para um projecto como os Nutrition Awards.

 

O número de candidaturas foi um sucesso. Estou certo que a entrega dos prémios também e que, uma vez mais, veremos reconhecida a nossa competência de agência de PR em trazer para a ordem do dia os temas mais relevantes para a sociedade portuguesa.

 

Há ainda uma parte desta tema que está intimamente ligada às alterações climáticas, sustentabilidade e responsabilidade social, mas disso falarei mais para a frente. Até porque, mais cedo ou mais tarde, vamos ter que nos habituar a falar (mais) disto.


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20 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

A crise económica e as tragédias climáticas, o pânico das bolsas e aquele vulcão islandês de nome impronunciável tiraram da agenda alguns dos temas que estariam, de caras, reservados para o debate público.

Refiro-me, por exemplo, aos temas das inclusão social e da biodiversidade. É que 2010 é, paralelamente, o Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social e o Ano Internacional da Biodiversidade.

Em Portugal, os temas foram lançados para discussão durante a sessão pública de apresentação do Green Project Awards. Pode recuperá-la neste post.

Dentro de dias, os temas voltarão para a agenda portuguesa durante a segunda etapa do GPA Roadshow 2010, mais propriamente no Almada Sustentável. Sim, durante quatro dias – de 25 a 29 de Maio – Almada será a capital da sustentabilidade.

Desta iniciativa destaco as conferências “Biodiversidade: respostas para um desafio global” (dia 27 de Maio das 9h30 às 13h) e o encontro “Perspectivas e Contributos para a Inclusão Social” (dia 25 de Maio das 14h30 às 18h).

Podem inscrever-se no site do GPA Roadshow, clicando aqui.

 

Da primeira conferência destaco algumas intervenções que irão (presumivelmente) explicar como esta gestão da biodiversidade foi utilizada, com sucesso, para garantir e gerar mais negócio.

Recordo aqui, por exemplo, um dos lemas do banco Standard Chartered: liderar pelo exemplo, para alcançarmos um crescimento económico sustentável, protegendo o ambiente e contribuindo positivamente para as sociedades onde vivemos e trabalhamos.

 

Já o disse aqui e repito. A sustentabilidade ambiental não funciona se não for – paralelamente – social e económica. Muito importante: económica.

A biodiversidade local e a ecologia urbana não foram esquecidas – o que realçará o carácter local – passo a repetição – e de “cidade sustentável” do Almada Sustentável – passo novamente a repetição.

Destaco também o encontro sobre inclusão social. A luta contra a pobreza e a exclusão social ganha, nesta época de austeridade em que nos encontramos, uma dimensão (ainda) mais importante.

Equidade, solidariedade, cidadania, empreendedorismo social ou responsabilidade das empresas e sociedade civil serão alguns dos assuntos abordados neste encontro.

Segundo explicou o Banco Alimentar contra a Fome aquando da sua grande recolha de alimentos de Novembro passado, em 2008 foram distribuídos um total de 17.500 toneladas de alimentos, o que equivale a uma média diária de 69,6 toneladas. Estes são números bastante relevantes para a realidade portuguesa.

Biodiversidade, inclusão social e economia. Conciliar o desenvolvimento económico com a preservação ambiental e o fim da pobreza é um dos conceitos base do desenvolvimento sustentável, tal como lhe chamou o relatório Brundtland. É bom não esquecer.


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19 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

Os CTT lançaram este mês uma campanha de reposicionamento – Consigo – onde revelam o seu novo território: a sustentabilidade e o ambiente. Os Correios de Portugal estão, assim, a preparar-se para a liberalização total do mercado postal, agendada para o último dia do 2010.

 

O spot publicitário adoptou as melhores práticas e foi filmado com carbono zero. Toda a lógica de produção foi adaptada: os 85 trabalhadores dos CTT que serviram de actores foram transportados para o local da filmagem em transportes públicos; a energia eléctrica foi produzida por 40 bicicletas; foi proibido o uso de transportes individuais a motor; e toda a água consumida foi local e captada no Alqueva. Aqui, os CTT promoveram a plantação de cem árvores como forma de compensar as deslocações da equipa de produção.

 

Leio no Menos Um Carro que a empresa vai também introduzir 300 bicicletas eléctricas na rota dos seus carteiros. É um número simbólico, é verdade, mas não deixa de ser uma boa ideia. Mais uma.

 

Segundo os CTT, mais do que um spot publicitário, o objectivo da campanha é envolver os vários stakeholders, sensibilizando-os e fazendo pedagogia dos valores e compromisso da instituição.

 

Como já tive oportunidade de referir neste blog - e citando de cor Richard Edelman - a diminuição da confiança nos últimos anos tem levado a que os esforços de reputação de marca e corporativos estejam mais alinhados. O que corresponde aos serviços das agências de Public Relations, uma vez que nós falamos com múltiplos stakeholders e não apenas com os consumidores.

 

Sendo assim, na minha óptica esta campanha só será bem sucedida se o seu público-alvo (também) puser em prática os objectivos a que aquela se propõe.

 

É uma boa ideia, sim, mas sem esta materialização dos compromissos de sustentabilidade, ela não passará de uma iniciativa… olha, como a de que ontem falei aqui – A Hora do Planeta: uma acção meritória mas inconsequente.

 

Ou seja, esta campanha não pode ficar por aqui. Os resultados deste apelo dos CTT aos seus stakeholders têm não só de ser acompanhados, como energizados e, a médio prazo, intensificados e melhorados. Mesmo que, para os consumidores, a mensagem tenha já passado.

 

Só assim os CTT garantem a própria sustentabilidade da sua excelente campanha.


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18 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

Não consigo olhar para esta notícia da SIC sem relacioná-la com o artigo de hoje de Bjorn Lomborg no Jornal de Negócios.

 

Comecemos pela primeira: segundo a Comissão Europeia, as emissões de gases com efeito de estufa nas instalações abrangidas pelo sistema europeu de licenças de emissão da União Europeia diminuíram 11,6% de 2008 para 2009 – para os 1,873 mil milhões de toneladas equivalentes a dióxido de carbono (CO2). Uma boa notícia, sem dúvida…

 

Ou não? “Estes números não constituem uma grande surpresa, por causa da crise”, explicou a comissária europeia para a Acção Climática, Connie Hedegaard.

 

Hedegaard afirmou ainda que, “infelizmente, o investimento das empresas europeias na inovação ficou muito aquém do planeado, o que pode pôr em causa a futura capacidade para competir em novos mercados”.

 

Ainda que o motivo para esta descida das emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia seja a crise económica, vale a pena comparar esta notícia com o artigo de Bjorn Lomborg, hoje no Jornal de Negócios.

 

Nele, o dinamarquês explica, tendo como ponto de partida a iniciativa “Hora do Planeta”, que a solução válida para o problema do aquecimento global passa pela investigação e desenvolvimento de energias limpas - e não pela nossa fixação em promessas “vazias” de redução das emissões de carbono.

 

Sobre a iniciativa “Hora do Planeta”, Lomborg roçou o gozo. “A principal contribuição desta iniciativa foi [o facto de] que, durante uma hora, era mais difícil ver. O impacto ambiental foi insignificante”.

 

E depois, vieram as conclusões mais “violentas”. “Mesmo que todos os habitantes da Terra tivessem participado nesta iniciativa, o resultado seria equivalente a parar as emissões de carbono da China durante 45 segundos”, explicou.

 

Foi uma acção positiva e meritória? Foi, diz Lomborg. Mas teve algum contributo – mais do que o simbólico – para o Planeta? Não. “Por muito que nos custe acreditar no contrário, a realidade é que a redução de emissões não vai ser alcançada com um acordo. Se isso fosse politicamente possível, já teria sido feito há muito tempo – se não na Cimeira da Terra, em 1992, no Rio de Janeiro, então em Quioto, 12 anos mais tarde; e se não em Quioto, então em Copenhaga, em Dezembro passado”.

 

Não sou tão fundamentalista quanto Lomborg, apesar de compreender onde ele quer chegar. Aliás, tenho mesmo defendido aqui várias vezes que a mudança de mentalidades é meio caminho andado para conseguir fazer acontecer. Mas, volto a frisar, compreendo o raciocínio de Lomborg. E a verdade é que existem outros projectos - como o Limpar Portugal - que são tão meritórios, mas que conseguem resultados mais interessantes. É tudo uma questão de estratégia.

 

Volto a citar o dinamarquês Lomborg para terminar este post. “Por apenas 0,2% do PIB mundial, ou seja, 81 mil milhões de euros, poderíamos alcançar os avanços tecnológicos necessários para tornar a energia verde suficientemente barata para alcançarmos um futuro livre de carbono”. Pois… Mas quem estará disposto a dar o primeiro passo?


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