31 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

Não existe melhor maneira de nos conhecermos do que sermos avaliados por alguém de fora, que tenha uma perspectiva imparcial e fresca sobre um assunto, seja ele qual for.

 

Dito isto, convido-vos a lerem este artigo do Financial Times sobre um inglês, James, e uma norte-americana, Jennifer, que se conheceram em Amesterdão e decidiram - há nove anos - ir viver para Portugal.

 

Segundo o britânico, o casal fez uma shortlist de três países onde poderiam/quereriam viver. Para além de Portugal, faziam parte da lista Itália e Marrocos...

 

Será que esta associação faz parte da estratégia de promoção de Portugal no exterior? É isso que queremos?

 

A justificação de James para a escolha de Portugal. “O meu pai disse-me que conseguiríamos comer uma refeição inteira por seis euros. Achei que era uma boa recomendação”, explicou.

 

Mas continuemos o artigo. James e Jennifer mudaram-se, primeiro, para Vila Franca de Xira, e mais tarde para Boliqueime. Apaixonaram-se pela praia – James rendeu-se ao surf – e pela calma daquela zona do Algarve (muito barata se a vivermos como os locais, segundo o britânico, evitando os bares da moda e plantando a própria fruta e vegetais).

 

A má experiência surgiu com a tentativa, três vezes falhada, de contratar um canalizador. “Simplesmente desisti”, relembra. Finalmente, James termina o artigo a dizer que o que mais gosta de Portugal é o facto de… não ser particularmente especial.

 

“É como um daqueles velhos casacos – já um pouco coçados mas que nos servem perfeitamente e são confortáveis”, concluiu.

 

Um casaco velho? É isto que somos?


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30 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

A Internet estará a tornar-nos mais inteligentes, mais burros, mais colaborativos ou simplesmente mais livres? Foi esta a questão colocada pelo jornalista Fareed Zakaria, apresentador de um dos mais interessantes programas actuais da CNN - GPS - a Clay Shirky, um especialista em Internet.

O ponto de partida da conversa foi o recente artigo de capa da Wired: The Web is Dead. Long Live the Internet.

Shirky, que acabou de lançar “Cognitive Surplus”, diz que a web não morreu e que Chris Anderson está apenas a ser exagerado, mas é inegável que a grande tendência está no mobile. Mais propriamente nas aplicações para telemóveis, que sabem de antemão o que queremos e que são pré-definidas para um objectivo: ajudar-nos nas nossas pesquisas e a tomar melhores decisões.


Os telemóveis não têm memória para concorrer com os computadores, nem tão pouco largura de banda (nem são práticos para fazer pesquisas no Google), mas têm aplicações cada vez mais específicas.

 

“Estamos a ficar cada vez melhores a perceber o que as pessoas querem”, explica a certa altura Clay Shirky.

 

Sociologicamente, a Internet estará a tornar-nos mais abrangentes no nosso conhecimento, mas também - e por causa disso - pouco profundos. Ou seja, sabemos menos sobre mais. Ora aqui está uma definição interessante.

A Internet está a tornar-nos mais livres, mas também mais distraídos. É esse o preço que estamos a pagar por esta liberdade.

Shirky teve ainda tempo para falar sobre o novo modelo de negócio dos jornais – um tema, claro, do interesse de Zakaria. O guru disse que a Internet não “matou” os meios tradicionais, tendo-lhes até permitido ultrapassar fronteiras e chegar a todo um novo público. No entanto, o antigo modelo de negócio acabou. Não há volta a dar-lhe e já não os salvará.

“O novo modelo de negócio será a combinação entre as receitas de publicidade e o corte de custos”, explicou, dando um exemplo genérico: os jornais já não podem tentar melhorar as vendas com grandes secções, por exemplo, de desporto. Isto porque os sites de nicho são imbatíveis – quem quiser saber - algo ou tudo - sobre a sua equipa de futebol, por exemplo, irá sempre a estes. Os jornais não podem competir com eles (esta realidade, seja para o desporto ou para outros temas, é também visível no mercado português).

Finalmente, sobre a utilização da Internet em países como o Irão, Índia, Emirados Árabes Unidos ou China, Shirky diz que nenhum país moderno o é “sem que os seus cidadãos tenham um telemóvel com máquina fotográfica que funcione no bolso”.

Aqui, também, a questão a da transparência vem ao de cima.

PS: Do GPS destaco ainda a entrevista de Zakaria a Robert Kaplan sobre a China... A não perder.




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27 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

Sete anos depois de ter sido assumido a presidência da Edelman EMEA (Europa, Médio Oriente, África), David Brain vai assumir em Janeiro a presidência executiva da Edelman no importante mercado asiático.

Sob a liderança de Brain, a Edelman EMEA duplicou o número de profissionais - das 350 pessoas para as 700. E este dado - relacionado com outros não menos importantes - diz muito das suas qualidade de líder e da energia que David coloca em todos os seus projectos.

David, que foi um dos responsável pela entrada da GCI, com afiliada, na rede Edelman, esteve um par de vezes em Lisboa, a última das quais na comemoração dos 15 anos da GCI.

Quem esteve naquele almoço-conferência de Verão de 2009 percebe porque razão Brain é uma das figuras mais consensuais e incontornáveis da nossa indústria.

Na altura, pedi-lhe para que analisasse o que mudou nos últimos 15 anos na indústria das Public Relations e que fizesse a ponte para o que seriam os próximos 15 anos. As principais conclusões – resumidas de 45 minutos de uma brilhante apresentação – escrevi-as aqui.

David Brain continuará a ser uma das principais figuras da Edelman, agora no importante mercado asiático, onde se prevê um grande crescimento nos próximos anos. Desejo-lhe boa sorte na nova missão.

O seu futuro antecessor na Edelman Ásia-Pacífico, Alan VanderMolen, vai agora para Chicago, onde será presidente e CEO de Global Practices and Diversified Insights Businesses. Um cargo recém-criado e que lhe dará, entre outras, uma visão e gestão alargada sobre projectos como o Edelman Trust Barometer ou Good Purpose.

“Alan está bem preparado para o desenvolvimento e integração das nossas práticas globais, negócios da especialidade (specialty businesses) e propriedade intelectual porque foi bem sucedido em importantes mercados globais e tem sido um dos responsáveis pelo desenvolvimento de capital intelectual em áreas relacionadas com o engagement dos stakeholders, corporate trust, CSR e social media”, explicou Richard Edelman.

PS: David Brain tem um dos blog mais incisivos e divertidos da nossa indústria. Vale a pena descobri-lo.



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26 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

"O movimento Tea Party pode abalar o sistema bi-partidário dos Estados Unidos?" – perguntou o semanário Sol, na sua última edição, a Allan Katz, embaixador dos Estados Unidos da América em Portugal.

"Não, penso que o movimento Tea Party é igual a tantos outros que já vi na vida. Representam um grupo muito pequeno de pessoas da ala direita do Partido Republicano ou parte de um movimento libertário dos EUA e não creio que seja capaz de influenciar o resultado das eleições", respondeu Katz.

Bom, vistas bem as coisas, o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa terá razão: não será certamente o Tea Party a influenciar o resultado das eleições. As de 2012.

É também verdade, porém, que o movimento já fez “mossa”, como é comum dizer-se.

Como avança hoje o Diário de Notícias, o senador do Arizona, John MacCain (que, recorde-se, foi o candidato presidencial republicano em 2008, derrotado por Obama), conseguiu vencer a nomeação do partido às eleições de Novembro. No entanto, gastou mais nesta campanha – 16,6 milhões de euros – que o valor combinado de todas as suas outras quatro campanhas para o Senado. Ou seja, desde 1987.

John McCain conseguiu 57% dos votos contra 30% de J. D. Hayworth (um animador radiofónico!). Estes resultados demonstram que o movimento Tea Party ganhou um força importante dentro dos republicanos. E que o próprio McCain o pressentiu há meses.

Desde que escrevi este texto – e com o primeiro ciclo de eleições – a situação do Tea Party alterou-se. Dos 166 mil fãs no Facebook passou para os 430 mil – quase o dobro da página Positively Republican.

Mas este dado nem é o mais importante. A questão que se coloca hoje é: alguém poderá prever o que irá acontecer na política norte-americana nos próximos tempos?

E, para responder, recupero duas opiniões sobre o Tea Party. “Estas [pessoas] não são os habituais protestantes semi-profissionais que vão a marchas anti-guerra. Estas são pessoas que têm empregos reais, a maior parte nunca tinha ido a um protesto. Elas representam uma energia diferente e que os nossos políticos não têm visto ultimamente, e um influxo de novos activistas”, explicou Glenn Reynolds, professor e comentador político.

Já Nancy Pelosi, como era de esperar, tem uma opinião diferente. “Não é verdadeiramente um movimento espontâneo das bases. É um “astroturf” organizado por algumas das pessoas mais ricas dos Estados Unidos para manter o foco na descida dos impostos para os ricos em vez de para a classe média”, explicou.

De qualquer forma, uma coisa é certa: as próximas eleições de 2 de Novembro, onde está em causa a votação para a Câmara dos Representantes e um terço do Senado, será um importante “referendo” à Administração Obama. Com ou sem influência – directa ou indirecta – do Tea Party.


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25 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

Media Strikes Back* é o título de um texto de Richard Edelman sobre a recente Annual New Media Academit Summit da Edelman, que decorreu em Junho, em Nova Iorque, e reuniu alguns dos principais executivos de media norte-americanos.

 

Para se ter uma ideia da importância do encontro, entre os presentes estavam executivos do Washigton Post, Huffington Post, Wall Street Journal, Breaking Media, NBC Digital Media, Associated Press, Hearst ou News Corporation.

 

A reunião teve como objectivo procurar novos desafios para a indústria e, como sempre, chegou a algumas conclusões interessantes. Aqui ficam algumas delas:

 

1. Novos leitores e novos canais. Os leitores estão dispostos a pagar pela mobilidade e pelo engagement. Aqui, o iPad ganha pontos e poderá aumentar as receitas das empresas de media. Um exemplo: o The Wall Street Journal vendeu milhares de assinaturas anuais para esta plataforma. O preço? 160 euros cada.

 

2. Novas fontes de receitas. Jonah Bloom, CEO da Breaking Media, afirma que os media irão integrar o eCommerce directamente nos conteúdos, o que levará, por exemplo, os leitores a poderem ter uma opção de compra de um livro enquanto lêem a crítica desse mesmo livro. Outras novas fontes de receita: ter acesso aos arquivos, a organização de conferências e contactar directamente os jornalistas por e-mail! What about that!

 

3. A Pay Wall. O acesso a conteúdos pagos é um dos temas do momento, sobretudo depois de Rupert Murdoch ter decidido seguir por esse caminho com alguns dos seus principais meios. “As receitas via assinaturas sempre foram uma pequena parte do modelo de negócio dos jornais. Temos 30 milhões de utilizadores únicos por mês no nosso site”, explicou Raju Narisetti, director executivo do Washigton Post, defendendo o acesso gratuito. Gerard Baker, director adjunto do WSJ, defendeu o modelo… pago. “No início da Internet havia o optimismo de que, se nos focássemos na publicidade, as receitas seriam suficientes. Agora está claro que precisamos de outras receitas”.

 

4. Reganhar a confiança dos conteúdos. O declínio da confiança nas instituições (negócios, Governo) estende-se aos media. Há que voltar a ganhar a confiança dos consumidores e leitores. “Muitas vezes não conseguimos representar as ideias da maioria dos nossos leitores”, explicou Baker. “Não há originalidade suficiente nas “estórias” que lançamos”, admitiu Bloom. “A transparência é a nova objectividade”, concluiu Mark Lukasiewicz, vice-presidente da NBC Digital Media.

 

5. Valorizar a conversa. Greg Coleman, presidente do Huffington Post, diz que consegue três milhões de comentários por mês!!! Impressionante. “Os comentários podem reflectir a visão do mercado, mas quem comenta representa uma pequena parte dos leitores. Nós mantemos os comentários o mais aberto possível porque são estes os leitores com os quais mais nos conseguimos relacionar”, explica Narisetti.

 

6. Medir o trabalho dos jornalistas. Este ponto é importante: de acordo com Raju Narisetti, o Washington Post mede todos os dias o trabalho dos seus jornalistas – em relação a pageviews do artigo, tempo gasto a lê-lo, utilizadores únicos, fotos preferidas – métricas que são essenciais nos negócios.

 

7. O poder do visual. Outra das tendências é a capacidade que uma foto – ou um vídeo – tem de gerar interesse. Muitas vezes, mais do que os textos.

 

8. Importância dos mercados locais. O Washington Post chega a 45% de todos os agregados familiares de Washington. São precisos 30 anúncios nas televisões locais e 60 na TV por cabo para conseguir a mesma audiência que um anúncio do Washington Post.

 

“Nós, que estamos no negócio das PR, deveremos ser inteligentes e adaptar o nosso modelo de negócio para reflectir a nova procura pelo imediatismo, pelo visual, pela conversação e pela localização”, termina Richard Edelman.

 

Vale a pena assistir aos vídeos da Annual New Media Academit Summit. (São muitas horas de tendências, digitais e não só). Aqui.

 

Recomendo o visionamento do painel das 9h20, sobre “The democratization of media: succeding in the new world”, e as respostas dos oradores à primeira questão colocada por Matthew Harrington, presidente e CEO da Edelman EUA: “Como pode a mainstream media manter a sua voz e relevância?”


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24 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

Quando se lê que um engarrafamento dura há já nove dias, como este de Pequim, a primeira tentação é pensar que há alguma coisa que não bate certo. Não seria, por exemplo, nove horas?

Quando, mais tarde, se confirma a notícia, então é a altura de parar para pensar.

A mobilidade, sabe-se há algum tempo, será uma dos temas mais importantes dos próximos anos, à medida em que a população global deixa as zonas rurais e se junta às cidades.

Este é um tema a que, de resto, que tenho dedicado bastante atenção neste blog. Projectos como o Menos Um Carro, o Green Project Awards ou o GPA Roadshow foram desenvolvidos, parcial ou integralmente, para ajudar a mudar a mentalidade que nós, portugueses, ainda demonstramos em relação a este – e outros – temas.

Os principais dados da equação já se sabem há alguns anos e não se alterarão muito. Em 2050 cerca de 80% da população europeia viverá numa cidade (dados das Nações Unidas). Como será o trânsito em Lisboa, Porto, Braga, Aveiro, Faro, Coimbra, entre outras grandes cidades, nessa data?

A 10 de Setembro, no Green Festival, poderemos ter algumas repostas a esta pergunta, durante a conferência do urbanista Jaime Lerner.

Lerner, recorde-se, revolucionou a cidade de Curitiba, dando-lhe uma nova matriz sustentável ao nível dos transportes públicos, dos espaços verdes e do tratamento de resíduos.

Será importante perceber, por isso, como a sua experiência poderá ser utilizada para melhor a nossa actual estratégia de mobilidade sustentável. Fiquemos atentos à conferência.

Certamente que, em Portugal, uma situação como esta – nove dias de engarrafamento – é impensável, mas o caos que já hoje temos nos nossos acessos às cidades é suficiente para pensarmos bem - e decidirmos ainda melhor - sobre qual o caminho a seguir.

A indústria automóvel tem trabalhado bem, apresentando modelos com menos emissões de CO2 e irá continuar a fazê-lo até que estas se reduzam por completo. Mas a questão da mobilidade, porém, não se alterará. O espaço não cresce, não haverá muitos mais lugares de estacionamento, e as horas no trânsito tenderão, assim, a aumentar.

A Reuters adiantou entretanto que o engarrafamento chinês - que tem 100 quilómetros - poderá durar mais um mês. Que este exemplo – distante mas real – coloque todo o mundo – que agora partilha a notícia, com um misto de incredulidade e gozo, nas redes sociais – de sobreaviso.

PS: Entretanto, e quando estava a publicar este texto, leio que um responsável da cidade de Pequim alertou que chegam 1.900 novos veículos por dia às ruas da cidade e que, se o parque automóvel continuar a crescer a este ritmo, dentro de cinco anos o trânsito na cidade poderá ficar bloqueado. Confirma-se: já soaram as sirenes de alarme em Pequim.



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20 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

Não sei se o Twitter Tales continuará por cá dentro de um ano, mas reconheço-lhe potencial (ainda que, a meu ver, lhe falte qualquer coisa para ser 100% bem sucedido)

Tal como o Facebook Stories, lançado há umas semanas, o Twitter Tales tem tudo a ver com partilha de experiências, aproximar as pessoas e países e unir a comunidade em torno… de uma boa história.

É, na realidade, uma extensão normal da marca e do serviço já prestado pelo Twitter, que reflecte de uma forma bastante simples todo o poder que esta rede social dá e transporta para as chamadas pessoas anónimas.

Entre as primeiras “estórias” contadas no Twitter Tales realço a do @Caltrain, uma conta comunitária criada para contribuir com informações - em tempo real - sobre os atrasos e outros avisos da Caltrain, uma linha ferroviária de São Francisco e Silicon Valley.

Como escreve o Menos Um Carro, é uma espécie de serviço ao público prestado pelo Twitter – através dos seus utilizadores e passageiros da Caltrain – a toda a comunidade.

“Este tipo de sistema baseia-se na participação e na honestidade. As actualizações da informação apenas serão boas se tiverem relevância e veracidade”, explica o perfil twitteriano do Caltrain.

 

Esta visão reflecte não só o Twitter como as próprias redes sociais e a (nova) sociedade em geral. Transparência, honestidade, participação, comunidade e tempo real são as palavras-chave (ou, como dizia há dias o presidente do Google, Eric Schmidt, apagar o passado na web só se se mudar de nome).


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18 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

Enquanto que por cá alguma silly season continua a tomar conta dos noticiários, vale a pena voltar uns meses atrás e ao pedido do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva: "Neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra".

 

Apesar de alguma polémica subsequente, a verdade é que Aníbal Cavaco Silva, pelos vistos, não esteve sozinho nesse pedido e na mensagem que, com ele, procurou passar.

 

O primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, veio à televisão apelar aos seus concidadãos para passarem as férias em Itália, enquanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, optou este ano por passar alguns dias de descanso em Cap Nègre, na Riviera francesa.

 

Angela Merkel, chanceler alemã, vai ficar pelo sul tirolês (de que lado da fronteira permanece uma incógnita, pelo menos para mim) – talvez pela beleza da paisagem onde pernoitou durante a odisseia intercontinental de Abril último.

 

Também David Cameron não se ausentará, vai ficar por Cornwall – tal como Ed Milliband, curiosamente –, enquanto José Luís Zapatero rumará a Castela e Leão.

 

Estes simbólicos destinos de férias dos líderes europeus passam diferentes mensagens para os seus cidadãos: os alemães, suecos, dinamarqueses e belgas continuam a viajar muito para fora, ao contrário dos ingleses e irlandeses.

 

E aqui fica a minha contribuição para a silly season. Até amanhã.


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16 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

Já se passou quase uma semana, mas não posso deixar de mencionar este tema. Depois do Financial Times, foi a vez do The New York Times dedicar um artigo à “revolução verde portuguesa”.

Enquanto o artigo do Financial Times tinha sido, implicitamente, elogioso para a estratégia portuguesa nas Energias Renováveis, o do The New York Times é, para além de mais completo e denso, sobretudo virado para a análise técnica e sociológica da renovação energética portuguesa.

Escrito por Elisabeth Rosenthal, o artigo faz uma permanente analogia entre a transformação energética portuguesa e a necessidade futura norte-americana em fazê-lo.

O artigo destaca que quase 45% da electricidade produzida em Portugal tem origem em fontes limpas de energia e que, em 2011, Portugal pode tornar-se no primeiro país com uma rede de postos de abastecimento para carros eléctricos. É verdade.

E, citando Shinji Fujino, da Agência Internacional de Energia, diz que “até agora a aposta nas renováveis não pressionou as contas públicas do país”, o que não é despiciendo.

O artigo tem outros dados e informações relevantes: o desejo de Barack Obama em ter 20 a 25% da electricidade norte-americana produzida por fontes renováveis até 2025 (a estimativa da IHS é que Irlanda, Dinamarca e Inglaterra alcancem os 40% nesse ano) ou a legislação recentemente aprovada pelo Estado do Colorado, que determina que 30% de toda a sua energia terá de vir de fontes renováveis até 2020.

Aliás, em relação ao caso do Colorado, Elisabeth Rosenthal marca bem a comparação deste com os estados vizinhos do Kentucky e West Virgínia, que têm poucas políticas que encorajem o desenvolvimento de uma estratégia forte de energias renováveis.

Este será, de resto, um maiores empecilhos à reorganização energética norte-americana: a influência dos estados individuais nas políticas energéticas. Outros: uma rede eléctrica desajustada e anacrónica; uma dependência histórica dos combustíveis fósseis, especialmente do carvão; e a oposição da poderosa indústria do petróleo e do carvão.  

É grande o desafio energético norte-americano. Mas não deixa de ser um grande tema para Obama colocar na agenda norte-americana no seu segundo e último mandato.


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