26 de Agosto de 2011
Por José Manuel Costa

Quando receber a próxima edição das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), em 2013, o Rio de Janeiro contará com a preciosa ajuda da Câmara de Comércio de Madrid e Confederação dos Empresários da capital espanhola.

 

As contas feitas pelas duas entidades não deixarão de colocar um sorriso na cara dos governantes cariocas: durante as JMJ madridistas, os hotéis, transportes e comércio daquela cidade aumentaram as suas vendas em 160 milhões de euros (148 milhões, nos dados do conselheiro de Economia e Finanças da Comunidade de Madrid, Percival Manglano).

 

Entre terça e domingo, a crise económica ficou às portas de Madrid. Cinco dias de fé e crença, mas também de euros, muitos euros.

 

Para além dos estimados 39 milhões de euros arrecadados pelos restaurantes da capital espanhola, outros sectores registaram um aumento de vendas, sobretudo os ligados ao lazer: museus, bares, cafés e teatros.

 

As dormidas subiram 30% em relação a um Agosto normal, o que levou os empresários madridistas ligados ao comércio, inclusive, a mostrarem a sua “satisfação pela imagem da capital que se transmitiu a todo o mundo”.

 

“Fui uma aposta de longo prazo. Fomos capazes de oferecer uma imagem excelente da nossa cidade, um Madrid aberto, limpo, alegre e seguro. O milhão e meio de visitantes de todo o mundo que recebemos converteram-se nos melhores embaixadores de Madrid quando chegarem às suas cidades de origem”, explicou, satisfeito, o presidente da COCEM, a confederação dos empresários de Madrid.

 

As JMJ criaram entre 2.700 e 3.000 empregos directos na capital espanhola, um número que também não podemos ignorar, sobretudo no País vizinho.

 

Ao Rio, as JMJ chegarão antes do Mundial de Futebol (2014) e dos Jogos Olímpicos (2016), mas a complexidade e desafio da sua organização não ficará muito atrás dos eventos desportivos. Espera-se entre três a quatro milhões de pessoas no Rio – mais do que os dois milhões de Madrid – mas este número poderá não estar correcto. Eu diria que será superior.

 

Finalmente, a marca Madrid e a marca Rio de Janeiro. Se as últimas JMJ projectaram a marca e a imagem de Madrid a seis centenas de milhões de espectadores de todo o mundo, contribuindo para potenciar a imagem internacional da região – 4.700 jornalistas credenciados – o evento carioca não se ficará atrás.

 

Mais importante: a sua complexidade servirá de teste para os desafios dos três anos seguintes. Não apenas ao nível da organização e segurança, mas também ao nível de outros temas a que o Governo carioca tem dedicado uma particular atenção nos últimos anos, como o do desenvolvimento sustentável e estratégias de gestão ambiental.

 

“[Foi] um êxito sem precedentes, porque todos ganharam com a JMJ. O Governo, a oposição, o País e, sobretudo, a Igreja. Especialmente a igreja espanhola, tão necessitada de uma injecção de auto-estima, adrenalina e orgulho”, explicou aqui o El Mundo.

 

Em 2013, com um contexto social, político e económico diferente, as JMJ não deixarão ninguém indiferente. Uma excelente oportunidade, na minha opinião, para a tão falada mudança de mentalidades.


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24 de Agosto de 2011
Por José Manuel Costa

Lunch With the FT é o nome de uma secção regular da edição de fim-de-semana do Financial Times – no suplemento Life & Arts.

 

Os textos são particularmente bem escritos – bom, estamos a falar de um jornal particularmente bem escrito… –, inundados de informações de background sobre a personagem e intercalados com fait divers que nos ajudam a conhecer melhor o cidadão entrevistado.

 

O perfil dos convidados varia todas as semanas. De cabeça, lembro-me de Michele Bachelet, do ciclista David Millar, de Durão Barroso, há uns meses - creio que num restaurante de Lisboa -, de Vidal Sassoon, mais recentemente.

 

Não sei se pelo clima criado pelo entrevistador, se por influência do tipo de entrevista gastronómica ou se pelo próprio mood da conversa, a verdade é que o texto sai informal e descontraído. Uma autêntica pérola entre as dezenas de páginas do FT.

 

Este fim-de-semana, o FT entrevistou Julián Castro, o mayor da sétima cidade norte-americana, San Antonio, e uma das estrelas em ascensão do  partido democrata. Castro representa uma nova geração de políticos, que se espera que saia beneficiada com a mudança do perfil do eleitorado norte-americano nos próximos anos.

 

A comunidade hispânica, por exemplo, é a que mais cresce nos EUA, sendo responsável por mais de metade do aumento populacional dos anos 90 – contabilizado em 27,3 milhões de pessoas –, e cerca de 90% do crescimento do Texas. Este Estado, juntamente com a
Califórnia (outro bastião de língua espanhola), é o mais populoso do País.

 

Deixo quatro notas sobre o Lunch With the FT deste fim-de-semana. E fico já à espera do próximo entrevistado.

 

1. Julián Castro pretende cumprir quatro mandatos de dois anos como mayor de San Antonio. No final desse período, em 2017, poderá então concorrer a governador do Texas, um dos cargos mais poderosos dos Estados Unidos.

 

2. Castro acredita que em 2017 o Texas pode cair para qualquer lado, democratas ou republicanos, algo impensável hoje. Conhecido pelo Red State, o Texas não elegeu nenhum representante democrata nas suas últimas 29 eleições, ou seja, desde 1994. Para se ter uma ideia da influência texana nos republicanos, o actual governador do Texas é Rick Perry, candidato a destronar Barack Obama. Antes dele, pontificou no cargo o ex-presidente George W. Bush.

 

3. Hoje, os políticos ligados ao voto hispânico debatem-se com um fraco nível de afluência às urnas desta população – muitos deles estão ilegais nos Estados Unidos e os restantes ainda não podem votar, por causa da idade. Ou seja, os hispânicos correspondem a 16% da população norte-americana, mas apenas 7% dos votantes norte-americanos.

 

4. Julián e o irmão, Joaquín, simbolizam o crescimento dos políticos hispânicos nos Estados Unidos. Nascidos em San Antonio, em 1974, e filhos de uma activista política e social de origem mexicana, Rosie Castro, frequentaram Stanford e Harvard. O FT diz que eles são mais parecidos com os ingleses Ed e David Milliband que com Barack Obama. Ainda assim, e ao contrário dos Millibands, estão politicamente mais próximos.


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19 de Agosto de 2011
Por José Manuel Costa

Carlos Minc, secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, esteve em Maio em Portugal, onde participou numa conferência do Água & Ambiente.

 

Neste seu breve regresso a Lisboa – enquanto exilado, Minc chegou a dar aulas no ISCTE, nos anos 70 – o político ambientalista falou das diferentes etapas de sustentabilidade de cada País e do longo processo que o Brasil ainda tem de percorrer para chegar aos níveis de execução sustentável de Portugal.

 

Minc alertou que o Brasil está hoje 15 anos atrasado em relação a Portugal, em áreas como o saneamento e resíduos, e que por isso está sempre disponível para contar com a “inestimável ajuda” dos seus amigos portugueses. “Há muitos empresários na área do saneamento e resíduos interessados em investir no Brasil, que querem saber quais os nossos planos legislativos. Neste campo, estamos mais atrasados que Portugal”, afirmou aqui ao Sociedade das Nações, da SIC Notícias.

 

O secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro falou especificamente das lixeiras a céu aberto, considerando-as uma “síntese da fusão entre o drama ambiental e social”. “Queremos livrarmo-nos desta realidade com o apoio de Portugal”, continuou, enquanto assegurou que iria concentrar o seu mandato carioca na duplicação do saneamento e na execução de uma forte política de reciclagem (aliás, confirmou mesmo uma parceria com a Sociedade Ponto Verde).

 

As estratégias de sustentabilidade são um dos pontos altos do triângulo estratégico Portugal/Angola/Brasil. As diferentes evoluções de desenvolvimento sustentável nestes países permitem às empresas portuguesas, com o seu know how, estabelecerem estratégias de inovação nestes mercados.

 

É esta evolução, baseada em valores de inovação e conhecimento, que poderão projectar as consultoras de PR para novos desafios e novas lideranças.

 

É esse, também, o grande desafio da GCI: desenvolver estratégias de Public Engagement para todos os nossos clientes, estabelecendo um conjunto de acções e comportamentos para as empresas se relacionarem com uma rede alargada de consumidores e organizações, comunidades e Governos.

 

Com o Public Engagement, queremos criar pontes entre o sector público, privado, a sociedade civil e a comunidade, promovendo interesses mútuos. Aliás, como os aqui referidos.

 

Voltando ao mercado brasileiro, não posso deixar de abordar esta notícia do Green Savers, que explica que o Brasil tem falta de profissionais especializados na área do ambiente. Os dados do Instituto Trata Brasil corroboram a tese de Minc de que o mercado brasileiro está hoje onde Portugal estava, mais ano menos ano, em 1995.

 

“As empresas precisam de profissionais da área ambiental por questões de custo e também para manter a boa imagem perante investidores e accionistas”, explicou o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.

 

Ora, eu não sei se os desempregados e empregados insatisfeitos europeus estão a procurar refúgio no Brasil, nem tão pouco se os próprios Estados Unidos andam aflitos com a falta de profissionais ligados à indústria da energia solar. Mas sei onde existe know how para responder a esses desafios.


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13 de Agosto de 2011
Por José Manuel Costa

Bob Fisher, um dos principais jornalistas de vela, sintentizou o sucesso da America’s Cup em Cascais no Sail World.

 

“Torna-se agora cada vez mais evidente que a 32ª America’s Cup deveria ter sido realizada em Cascais – e sim, estava tudo assinado, selado e virtualmente entregue na manhã do anúncio, em Genebra. [Sabia-se] que a prova seria realizada em Valência, a cidade das ruas malcheirosas”, escreve Fisher.

 

“Ainda espreita, dentro de mim, a ideia de ter sido roubado de dois, ou mais, anos gloriosos em Cascais”.

 

A Fórmula1 da vela mundial tem sido um sucesso de público – superando as expectativas da organização – e os elogios dos participantes são diariamente ouvidos por uma audiência estimada em 60 milhões de espectadores.

 

Para além de todo o retorno que Cascais terá, a curto, médio e longo prazo, com o evento, há também a realçar a forma como a organização colocou a sustentabilidade na agenda da competição.

 

Está de parabéns Carlos Carreiras, o presidente da Câmara de Cascais.


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10 de Agosto de 2011
Por José Manuel Costa

*Texto publicado no Imagens de Marca

 

Portugal não é um bom exemplo, mas há países que são loucos por listas, prémios, rankings, números. Os Estados Unidos adoram tudo o que seja estatísticas, tabelas, rankings – e os ingleses, em menor escala, também.

 

Qualquer publicação norte-americana ou britânica tem um ranking dos 10 mais qualquer coisa. Os 10 mais ricos, os 10 mais influentes, as 10 que mais facturaram. Os 50 maiores filantropos, as 20 tecnológicas, as 40 mais inovadoras, e por este caminho.

 

Esta obsessão pelas listas existe também no mercado português, ainda que em muito menor escala. Aceito que, na maioria das vezes, ela é bem-vinda. Não digo que tenha de ser uma pesquisa obsessiva, mas é importante existirem listas, quando elas são relevantes e honestas.

 

O mesmo se passa com os rankings que, essencialmente, são listas com outro nome. Já os prémios, na sua maioria, são mais subjectivos, ponderados e complexos. E por isso, pelo menos no mercado português, mais polémicos e mediatizados.

 

No último mês, três destas listas, rankings e prémios chamaram-me a atenção. A PR Week, que lidera globalmente a informação sobre a indústria das PR – e não só – elaborou a sua Power List, com os 50 profissionais que lideram a mudança de paradigma do sector.

 

A lista é liderada por Leslie Dach, EVP de corporate affairs & government relations da Walmart (e ex-Edelman), que é elogiado pelo seu projecto Let’s Move, uma iniciativa de nutrição sustentável que contou com a colaboração da primeira-dama norte-americana, Michelle Obama. O segundo lugar da lista (que podem facilmente procurar online) foi para o presidente e CEO da Edelman, Richard Edelman.

 

Falando de Edelman, a consultora global de PR, na qual a GCI é afiliada, relançou também, este mês, o Tweetlevel, que identifica os mais influentes da Twitter, Como bónus, a consultora desenvolveu o BlogLevel, uma ferramenta que avalia os blogs mais influentes. Como todos gostamos de rankings, aqui estão duas ferramentas que nos ajudarão a perceber quem é mais relevante nestes dois locais.

 

Finalmente, os prémios. Há duas semanas, a GCI foi eleita a Agência do Ano para o jornal Meios & Publicidade. Como tive oportunidade de dizer nessa noite, dedico o prémio a todos os colaboradores da GCI, ex e actuais, e que são os responsáveis pelo sucesso dos últimos 17 anos.

 

É bom receber prémios, é sinal que estamos a trabalhar bem e a ser relevantes para todos os stakeholders, mas prefiro o efeito de contágio que estas distinções provocam, quer na nossa consultora quer no próprio mercado.

 

Na sua subjectividade, os prémios são importantes para ajudar a mudar mentalidades, promover as boas práticas e, não menos importante, criar uma dinâmica de inovação na indústria e sector que os acolhe. E eu quero que assim seja, também, neste exemplo.


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