9 de Dezembro de 2009
Por José Manuel Costa

“There will be oceans of planet-saving rhetoric, countless photographs of politicians wearing dark suits and serious faces and, if things go according to plan, an agreement to cut emissions to avert a rise in temperature that might anyway have turned out to be marginal and self-correcting”.

 

Em Copenhaga, a procissão ainda vai no adro, mas quando escalpelizarmos as duas semanas de trabalho na Cimeira do Clima, provavelmente a afirmação acima, escrita pelo The Economist antes sequer da conferência se iniciar, corresponderá inteiramente à verdade.

 

Segundo o Economist, existem duas grandes ameaças a um acordo na Cimeira do Clima: o número exorbitante de países participantes na discussão – 192 – e os vários objectivos em jogo. Estamos a falar de que gases? E de quantos? E de que datas? E estamos a basear os nossos objectivos em que estudos?

 

Mas a principal das questões, na minha opinião, será conseguir que China e Estados Unidos compreendam o que está em jogo em Copenhaga.

 

A China, que em breve será o maior poluidor mundial, tinha anunciado no pré-Copenhaga que não iria reduzir as suas emissões de carbono. Mas hoje mesmo, o principal negociador chinês em Copenhaga, Xie Zhenhua, já disse que a China quer ter um papel “construtivo” na cimeira, tendo proposto a Barack Obama um maior esforço na redução de emissões de gases poluidores.

 

“Espero que o presidente Obama traga uma contribuição concreta para Copenhaga”, explicou à Reuters. Zhenhua disse ainda que a China poderia aceitar cortar para metade as suas emissões globais em 2050, se os países desenvolvidos subirem os seus objectivos de redução de emissões em 2020 e aceitarem financiar os países em desenvolvimento na luta contra as alterações climáticas.

 

A estratégia chinesa passa, portanto, por colocar do lado norte-americano a obrigação de um futuro acordo em Copenhaga. O que, como é óbvio, estará perto do impossível. Pelo menos nas condições previstas pelos norte-americanos. E basta ler a entrevista de James Inhoffe à The New York Times Magazine, na semana passada, para perceber o porquê.

 

Então o que sobra de Copenhaga? A fantástica campanha, pré-cimeira, de várias ONG, movimentos de cidadãos, organizações de todo o mundo e até de empresas, como a Siemens, em prol de um acordo na capital dinamarquesa.

 

O debate gerado – e amplificado nas redes sociais – sobre a necessidade – e, mais importante, a possibilidade – de cada um contribuir para a progressiva mudança de mentalidade de uma sociedade amarrada a vícios e lugares comuns sobre as alterações climáticas e a (falta de) sustentabilidade urbana.

 

A falta de um acordo a Copenhaga não se deverá, portanto, a um problema de comunicação. Pelo contrário, foi a comunicação que elevou o debate sobre as alterações climáticas e será a comunicação que, mais cedo ou mais tarde, influenciará os políticos a seguirem o caminho da sustentabilidade.

 

Espero estar errado sobre o que acontecerá em Copenhaga. E espero também que, ao nível político, Copenhaga não seja mais do mesmo. Mais perto do dia 18 de Dezembro teremos essa resposta.
 


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