11 de Janeiro de 2010
Por José Manuel Costa

 

 

A pedido do jornal Meios&Publicidade, comparei como era trabalhar numa consultora de comunicação no início de 2000 - com o cenário de hoje. Aqui fica o texto, publicado na edição de sexta-feira passada do M&P.

 

Mais do que trocar o fax pelo e-mail*

Se colocássemos uma câmara de vídeo num escritório de uma agência de comunicação, em 2000, e comparássemos um dia “tipo” de então com um de hoje, provavelmente não notaríamos grandes alterações.

 

As óbvias: a máquina de fax entrou em desuso e os press releases via correio deixaram de se amontoar em todos os lugares possíveis da agência.


Em compensação, o e-mail passou a ser mais utilizado e, mais recentemente, o telefone e o contacto pessoal substituíram, como parte da evolução das necessidades dos clientes, o próprio e-mail massificado.


Mas o dia-a-dia de uma consultora de Public Relations (PR) não foi a principal mudança em dez anos. A grande mudança, isso sim, está na forma como as agências de comunicação passaram a ser também consultoras de gestão.

 

Hoje, trabalhamos menos de forma vertical – e mais de forma horizontal, liderando competências ligadas a áreas como os recursos humanos, comunicação interna, comunicação externa, políticas de sustentabilidade e responsabilidade social, marketing, vendas.


Hoje, o consultor de comunicação pode – e deve – garantir ao seu cliente e respectivos colaboradores uma vista de 360 graus sobre toda a organização - existe uma maior proximidade e envolvência com os clientes.

 

Enquanto em 2000 éramos menos parceiros e mais fornecedores, hoje somos parte integrante das equipas de marketing, trabalhando com os vários departamentos do cliente numa estratégia cada vez mais integrada e interligada da comunicação.


Por outro lado, e se começámos a primeira década do século XXI como massificadores de informação, hoje trabalhamos a informação de forma mais personalizada. Passámos da óptica do press release para a consultoria.

 

Somos hoje verdadeiros consultores – apesar de nos chamar-mos consultores há anos… - e envolvemo-nos directamente no crescimento do negócio. Contribuímos para o valor e para os valores dos nossos clientes, delineamos estratégias de médio e longo prazo, de sustentabilidade, responsabilidade social e económica – projectos em que a comunicação é apenas uma pequena parte desta estratégia.


Se há dez anos as Public Relations eram o parente pobre do marketing, hoje preparam-se para liderar este processo; em 2000, as relações com os stakeholders não eram (tão) relevantes – ou eram postas na prateleira (em Portugal, misteriosa,) do lobbying – hoje não só são fundamentais numa boa estratégia de comunicação como numa estratégia de negócio.


O que mudou foi isto: deixámos de pensar em comunicação em compartimentos estanques e começámos a pensar em criar negócio.


Em 2000, a agência de comunicação era chamada para marcar entrevistas com os presidentes das empresas. Entretanto, os media mudaram. Tornaram-se, tal como os clientes, mais exigentes e complexos. E instáveis.


Mais recentemente, veio a explosão das partilha de informações online e crescimento dos social media. Isto tudo alterou a forma como as consultoras de PR modelam o seu dia-a-dia.


Há dez anos, o Grupo GCI ainda não era afiliado da maior consultora de PR independente global. Hoje, quando vejo a Advertising Age a eleger a Edelman como a sétima melhor agência da década, num ranking que mistura agências de publicidade, de meios ou consultoras de marketing, sinto que estamos no caminho certo.

 

O Grupo GCI e as restantes consultoras de PR. Para liderar o processo de marketing, é claro. E dentro de dez anos, se o M&P me perguntar o que mudou então, provavelmente as fronteiras entre os vários players de marketing ainda estarão mais esbatidas.

 

É essa a minha esperança. Mas o dia-a-dia de uma agência de comunicação, eventualmente, permanecerá “same as usual”.

 

*Texto publicado no Meios&Publicidade de 8/1/2010

 


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