25 de Janeiro de 2010
Por José Manuel Costa

No início de Janeiro, e englobado numa série de artigos publicados pelo Financial Times sobre Angola, o director da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP) daquele país, António Prata, afirmava que a presença portuguesa em Angola tinha “adquirido uma dimensão completamente diferente” em 2009.

 

“Muitos dos negócios [portugueses] têm poucas hipóteses de sobreviver na Europa, por isso Angola é um local óbvio”, revelou.

 

A prosperidade de Angola é uma boa notícia para Portugal. Segundo o Banco Mundial, o país continuará quase imune à crise mundial e terá um dos maiores níveis de crescimento económico do mundo: 6,5% em 2010, acelerando até aos 8,0% em 2011. Isto apesar de ter sofrido uma pequena retracção de 0,9% em 2009.
 
E os números angolanos do OGE (Orçamento Geral do Estado) para 2010 confirmam as boas indicações. Os cortes na despesa vão chegar aos 6,4% - cerca de dois mil milhões de dólares – em relação a 2009 e as receitas deverão aumentar mais de 20%.

 

Em termos reais, ou seja, descontada a inflação prevista para o próximo ano, a despesa total prevista cai ainda mais – 17,2% face ao ano passado (ainda que a subida seja também mais modesta, cerca de 4,4%).

 

Também a petrodependência já foi muito superior ao que representa hoje (63,9%). A verdade é que as receitas petrolíferas já chegaram a atingir 80% do total em anos anteriores.

 

Em relação ao défice, o Orçamento do Estado de Angola para 2010 está em linha com a Europa, mais precisamente com a zona Euro, já que apresenta um défice inferior a 3%.

 

A consolidação orçamental agrada ao FMI, com quem Angola negociou recentemente um acordo de stand by e que assenta em cortes na despesa corrente – com excepção dos gastos de natureza social – e não no investimento público, que aumenta em 2010 face ao ano anterior.

 

Tive a oportunidade de visitar Angola recentemente e pude reforçar a ideia de que o triângulo Portugal/Brasil/Angola poderá ser um dos mais importantes eixos estratégicos para as empresas portuguesas.

 

Voltando ao artigo do Financial Times, o jornalista Richard Lapper refere que embora a língua e cultura portuguesa possam dar alguma vantagem às nossas empresas em relação aos concorrentes estrangeiros, não menos verdade é o facto que as empresas brasileiras são mais poderosas comercialmente – e, como, é óbvio não ficam atrás nas referências culturais (basta ver o nome de um dos mais famosos mercado de Luanda, o Roque Santeiro).

 

Os próximos dois anos serão determinantes para o desenvolvimento deste triângulo. Com a organização de uma das mais importantes provas desportivas do mundo (CAN 2010), uma nova constituição e Governo a caminho e um plano agressivo de desenvolvimento de infra-estruturas, obras públicas, educação e protecção social, 2010 será um ano muito importante para o futuro de Angola e para o desenvolvimento de negócios no país.

 

Disso não tenho dúvidas. Mas desengane-se quem lá vai à procura do El-Dorado, lucro fácil e de projectos a curto prazo…

 


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