8 de Fevereiro de 2010
Por José Manuel Costa

Durante décadas, os países europeus, alguns asiáticos e América do Norte mandaram na economia e política global, sendo responsáveis pelos modelos económicos, principais tomadas de decisão geopolíticas e iam impondo, a seu bel-prazer, a marcha do mundo dos negócios.

 

Este cenário mudou. Antes da profunda crise económica global de 2007/2008, já existiam os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). A China já ameaçava os Estados Unidos em todos os índices económicos e seria apenas uma questão de tempo até que a economia virasse para os países em desenvolvimento.

 

O que a crise económica, a falência do sistema bancário e a nova e crescente preocupação com as alterações climáticas veio acelerar foi, sobretudo, a necessidade de repensar a sociedade e a economia mundial.

 

Esta mudança de paradigma veio também ajudar os países em desenvolvimento, sobretudo os BRIC e Angola, a tornarem-se - mais rapidamente - players globais de relevo.

 

Já aqui falei de Angola e do clima de prosperidade que lá se vive. Angola está hoje no sítio certo e na hora certa para se tornar um player mundial de relevo. Em todos os campos e, sobretudo, porque não está amarrada aos vícios fin de siècle das sociedades e economias ocidentais.

 

Um exemplo: Tim Jackson é professor de Desenvolvimento Sustentável na universidade do Surrey e membro da SDC (Sustainable Development Comission) britânica e publicou há meses o livro Prosperity Without Growth (algo como “Prosperidade sem crescimento”, em português).

 

Como é óbvio, o livro tem uma visão muito ocidental da crise económica e dos caminhos a seguir no futuro.

 

“O regresso ao “business as usual” não é uma opção”, começa por dizer Jackson. Assim, e se o pós-crise financeira mantiver inalterado o crescimento económico que vigora desde a Revolução Industrial, “no final do século os nossos filhos e netos irão encontrar um clima hostil, recursos inexistentes, a destruição dos habitats, o fim de espécies animais e vegetais, falta da comida, migrações em massa e, quase inevitavelmente, a guerra”.

 

Isto que dizer que vamos ter que mudar. O desenvolvimento sustentável terá de ser levado verdadeiramente a sério – e basta recordar como não o foi na Cimeira de Copenhaga… – com repercussões imediatas na economia.

 

Esta necessidade dará um avanço considerável a países, como Angola, que não terão de recomeçar do zero. Esta é a altura certa para o fazer – e até aqui Angola leva vantagem em relação aos outros países e outras economias.

 

Diz-nos Tim Jackson que se o crescimento económico não poder ser separado das consequências ambientais (nefastas) – pelo menos nos países ricos – então terá de ser o próprio crescimento económico a ser abandonado.

 

Reforço o que escrevi aqui há dias: a prosperidade de Angola é uma boa notícia para Portugal e a possibilidade de podermos efectivar um triângulo Portugal/Brasil/Angola é um dos mais importantes desígnios estratégicos para as empresas portuguesas dos últimos séculos. Haja, para isso, vontade, disponibilidade e, sobretudo, excelência (nos produtos ou serviços disponibilizados) de todas as partes interessadas.
 


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