10 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

Em Outubro passado, a Wal-Mart deu como concluída a primeira parte do seu plano para criar uma etiqueta – comum a cada produto à venda nas suas lojas – que irá informar os seus consumidores da pegada e características “sustentáveis” desses produtos. 

 

Desde as emissões de carbono utilizadas para fazer o modelo x ou y de uma determinada marca de televisão até à água ou electricidade dispendidas para produzir qualquer iogurte, leite, fruta, sumo, vinho etc. Uma espécie de registo de sustentabilidade.

 

Segundo a Fast Company, este plano ambicioso e – na minha opinião – absolutamente state-of-the-art, terá três fases e apenas deverá estar complemente terminado em 2013…tal a sua complexidade e abrangência (também temos que perceber que a Wal-Mart trabalha com mais de 100 mil empresas…)

 

Assim, a primeira parte do projecto, concluída há meses, deverá ter sido a mais simples: a Wal-Mart enviou para os seus principais fornecedores um questionário de 15 perguntas para saber o estado actual dos seus esforços relacionados com a sustentabilidade: investimento em actividades sustentáveis para a comunidade, objectivos de redução de água no fabrico dos produtos, etc.

 

Mais de mil empresas responderam ao questionário, sendo que, segundo a Wal-Mart, apenas 10% destas estarão preparadas para medir e reportar a sua estratégia de sustentabilidade.

 

O próximo passo – a segunda fase – já começou e levará a Wal-Mart a encontrar-se com os fornecedores – indústria a indústria. Paralelamente, os "cientistas" da empresa já trabalham na melhor forma para criar o algoritmo para o tal sistema de etiquetas que ajudará os consumidores a perceber quais os produtos mais sustentáveis.

 

Para tentar convencer os seus mais de 100 mil fornecedores a melhorarem e dedicarem mais tempo e dinheiro às suas práticas sustentáveis – e aqui está uma das parte chave do projecto – a Wal-Mart vai também criar um novo nível de competitividade baseado na sustentabilidade.

 

“Quando chegarmos ao algoritmo que criar o resultado [das práticas sustentáveis de cada empresa e produto] ele irá recompensar alguns fornecedores em prejuízo de outros”, explicou à Fast Company o vice-presidente de sustentabilidade da Wal-Mart, Matt Kistler.

 

Ou seja, os consumidores não serão os únicos a decidir que produto comprar tendo em conta esse resultado de sustentabilidade, a tal etiqueta que irá separar os produtos mais sustentáveis dos menos sustentáveis. A própria Wal-Mart irá dar tratamento preferencial – mais espaço nas prateleiras, por exemplo – aos produtos que obtiverem melhores resultados.

 

Esta nova forma de percepcionar a importância da sustentabilidade ambiental na sustentabilidade negocial, social e empresarial irá, certamente, revolucionar toda a indústria do retalho. Ou outra qualquer indústria, na minha opinião.

 

A sustentabilidade não é um cliché, apesar de não faltar quem o ache. E irá, juntamente com a ética, modelar o mercado – de qualquer indústria – nos próximos anos. E já não estamos a falar de longo ou médio prazo. Estamos a falar do agora. E alguém terá a coragem de dizer que empresas como a Wal-Mart, mas também a Frito-Lay, Unilever, Disney ou General Mills – que têm redobrado os esforços sustentáveis nos últimos anos – não estão no caminho certo?
 


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