15 de Março de 2010
Por José Manuel Costa

“Procuramos liderar pelo exemplo e trabalhamos com os clientes que partilham do nosso comprometimento para alcançarmos um crescimento económico sustentável, protegendo o ambiente e contribuindo positivamente para as sociedades onde vivemos e trabalhamos.”

 

Este é um dos lemas do banco Standard Chartered e pode ser consultado no seu site. O banco tem mais de 1.600 sucursais em 70 países e, apesar de ter a sede na City londrina, mais de 90% das suas receitas e lucros concentram-se na Ásia, África e Médio Oriente.

 

Falo do Standard Chartered por causa da sua política de responsabilidade social e corporativa. Aliás, da sua fortíssima política e estratégia de responsabilidade social (sim, talvez por concentrar o seu negócio nos países em desenvolvimento).

 

Alguns exemplos desta política: cada colaborador tem dois dias anuais para trabalhar nos projectos de responsabilidade social do banco – ou nos seus próprios projectos de voluntariado.

 

Segundo o Financial Times, a participação dos colaboradores nestes projectos está a aumentar e, em 2008, foram “oferecidos” para estes 23 mil dias – mais do dobro que no ano anterior – o que representará perto de seis milhões de euros em horas de trabalho.

 

Paralelamente, os escritórios dos países que acumulam mais dias de trabalho voluntário ganham dias extra… de trabalho voluntário.

 

“Olhamos para onde estamos presentes de que forma impactamos as comunidades desses locais”, explicou o chefe de sustentabilidade da Standard Chartered, Gill James.

 

“Temas como as alterações climáticas irão ter um grande impacto nos nossos mercados. Temos uma responsabilidade com a comunidade local e, como organização, é algo que está inerente à nossa herança”, continuou.

 

Numa altura em que muito se fala (e de falou) da sustentabilidade da indústria bancária, o Standard Chartered tem aqui uma boa hipótese de sobressair e, entre os seus pares, distanciar-se (para melhor).

 

Aliás, segundo o FT, a política de sustentabilidade do Standard confunde-se com o seu próprio negócio, uma vez que o banco identificou sete áreas que são “o coração” da sua estratégia de responsabilidade corporativa.

 

A saber: marketing e vendas responsáveis; acabar com o crime financeiro; investir na comunidade (identificando três grandes projectos sociais); melhorar o acesso aos serviços financeiros; proteger o ambiente; investir nas energias renováveis e fazer da Standard Chartered uma grande empresa para se trabalhar.

 

“Olhamos para a sustentabilidade como uma forma de fazer negócio hoje e que nos permite continuar a fazer negócio amanhã”, continuou Gill James.

 

Esta é apenas uma parte da estratégia de responsabilidade social do Standard Chartered. Entre os três grandes projectos sociais mencionados pelo FT estão o “Seeing is Believing”, que procura evitar a cegueira evitável nos países em desenvolvimento; o “Living with HIV”, que educa a população para viver com o HIV/Sida; e o “Goal”, que procura dar oportunidades às jovens mulheres de áreas menos privilegiadas através do desporto e de aumentar a sua própria confiança.

 

No total, o Standard Chartered gasta entre 30 a 35 milhões de euros por ano nestes projectos. Um dos objectivos do banco para 2010, por outro lado, é encorajar mais colaboradores a “tirar” uns dias para trabalho voluntário.

 

“Numa altura em que os bancos estão a reduzir as suas equipas de colaboradores o que, por sua vez, significa mais horas de trabalho para os que ficam, é sem dúvida uma jogada arriscada”, conclui o FT a análise.

 

Se na semana passada escrevi aqui um post sobre como a Wal-Mart estava a levar a sustentabilidade dos produtos que vende tão a sério que esta se confundia – e alavancava – o próprio negócio, aqui deixo mais um exemplo de uma outra área de actividade. E não me canso de dizer: a sustentabilidade não é mais uma moda ou estratégia de marketing. É puro business!

 


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