7 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Antes de mais, obrigado a todos os que compareceram hoje de manhã, no Museu da Electricidade, para assistir à apresentação dos resultados da primeira edição do Edelman Trust Barometer Portugal. As conclusões portuguesas do Trust estão aí para quem as quiser ver, conhecer e perceber, e apesar de já as ter analisado na apresentação desta manhã, gostaria de deixar algumas considerações sobre os principais resultados.

 

Durante a manhã muito se falou nos baixos níveis de confiança dos portugueses, mas há (mais) resultados muito importantes no Edelman Trust Barometer Portugal.

 

A começar pela credibilidade das fontes de informação. Assim, confiamos mais nas fontes de informação corporativa que os nossos pares ibéricos, europeus e mundiais. A reter. Mas também confiamos mais nos motores de busca da Internet, nas redes sociais e nos blogs. Também a reter.

 

São dados muito importantes: nós, portugueses, acreditamos mais nas fontes de informação digital do que o resto do mundo. Cada um que tire as suas conclusões deste dado, consoante a sua empresa ou sector de actividade. Eu sei que já tirei – há muito tempo – as minhas.

 

Outra conclusão interessante teve como pano de fundo a credibilidade dos porta-vozes. Segundo o Edelman Trust Barometer Portugal, os portugueses acham mais credível uma pessoa, como eles, com quem se identifiquem (74%), do que o CEO de uma empresa (36%) ou um oficial de Governo ou entidade reguladora (32%).

 

É esta mudança de paradigma, que tenho abordado aqui várias vezes, que irá ditar o futuro das Public Relations. O foco está hoje, cada vez mais, no stakeholder. Existem várias fontes de informação, e a confiança já é uma variável de negócio. E, muito importante, nenhuma acção isolada conquistará a confiança – nem existe uma silver bullet para recuperar a confiança perdida. (alô Toyota?).

 

Estamos finalmente na era do public engagement e isso exige uma abordagem em mosaico: ouvir com uma “nova” inteligência, participar nas conversas (mas participar - mesmo - nas conversas), criar e co-criar conteúdos, socializar as media relations, ser o campeão da transparência, construir parcerias activas e aceitar a complexidade.

 

Cada instituição deve construir o seu portfólio de confiança, onde os influenciadores variam por sector e situação: há os “meus” especialistas (académicos, analistas, médicos, outros especialistas), há os “meus” media (search, broadcast, imprensa, rádio, social media), há também a “minha” comunidade (“pessoas como eu”, colegas de trabalho, redes sociais, comunidade local) e há os “nossos” líderes respeitados (os líderes de ONGs, os CEO e os reguladores).

 

O que eu penso sobre as outra conclusões do Edelman Trust Barometer Portugal? (ou o que pensam Augusto Mateus, Pedro Magalhães, João Wengorovius Meneses, Sérgio Figueiredo ou a Marina Petrucci?) Vejam neste link. E a partir de amanhã poderão também rever os melhores momentos do Trust Portugal, em vídeo, a partir do mesmo link.

 

Como ontem aqui escrevi, realço a importância que o Edelman Trust Barometer Portugal tem – e cada vez mais terá, no futuro – para o sector das Public Relations e para o próprio país, como ferramenta de apoio de várias empresas, organizações, instituições e profissionais - e numa panóplia muito alargada de assuntos.

 

Até porque, tal como foi reforçado pelos vários intervenientes na apresentação de hoje, já fazia falta um estudo destes, como benchmark português e também como um instrumento de apoio à gestão da reputação. O que nos reservará o Edelman Trust Barometer Portugal 2011?


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