28 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Há meia dúzia de anos, os então directores-gerais da Weber Shandwick na China escreviam, no site da agência, que estavam a assistir à “emergência de um mercado robusto”.

E justificavam esta denominação com dois eventos de luxo – os Jogos Olímpicos de Pequim de 2008 e a Expo 2010 Xangai –, com as mudanças na economia mundial e com o aparecimento de uma nova geração de consultores de PR, que então não tinham mais de 27 anos.

A promessa de uma nova China entusiasmou o mundo dos negócios e foi o ponto de partida para um novo país, que desde então investiu milhões para liderar os BRIC no assalto à nova ordem económica mundial.

Tenho para mim que Pequim e Xangai serão o centro do mundo em poucos anos. No caso da primeira, a revolução urbanística começou bem antes de 2008, ano em que a cidade organizou os Jogos Olímpicos, e continua hoje, com uma nova ordem ambiental e um gigantesco desafio em mãos: ser sustentável.

Ser sustentável passa, sobretudo, por conseguir travar a fúria consumista automóvel chinesa - e trocá-la por uma “fome” mais híbrida. Aliás, não é por acaso que o Salão Automóvel, que decorre em Pequim, tem nos carros híbridos o seu foco principal. Não há nenhuma marca que não centre as suas preocupações e apresentações nestes modelos… até porque estamos a falar já no maior mercado automóvel do mundo.

Há marcas a dedicarem cada vez mais modelos exclusivos àquele país (a Citroen avançou mesmo com um novo protótipo, chamado Metropolis, que rende homenagem ao desenvolvimento extraordinário da China).

E mais: foi anunciada uma parceria entre a Chery Automobile, maior produtora independente de automóveis da China e a Better Place, empresa de infra-estruturas de veículos eléctricos norte-americana. O objectivo? Colaborar em novas tecnologias – protótipos de carros eléctricos e estações de carregamento – para o mercado automobilístico chinês. O significado? A criação de um poderoso mercado de veículos eléctricos na China.

Mas a revolução urbanística e paisagística estende-se a outras paragens. Os Jogos Olímpicos mudaram – mesmo – a face de Pequim. Foram – e continuam – a ser plantadas árvores, criou-se uma nova cidade subterrânea, a apelar à mobilidade sustentável, há milhares de jardins, parques verdes…


A arquitectura é outra das jóias da coroa da nova Beijing. Os edifícios de raiz comunista estão a ser substituídos por outros que respeitam as normas de sustentabilidade, produzem a sua própria energia e reaproveitam os resíduos.

Ainda recentemente a cidade aprovou mais uma leva de projectos – o chamado Green Building Action Plan – que inclui a construção de nove grandes projectos “verdes”, transformando a cidade chinesa não apenas numa cidade moderna, mas também mais sustentável.

Pequim é hoje uma cidade diferente, mais ligada aos seus habitantes. E soube aproveitou os Jogos Olímpicos como o elemento-chave do seu desenvolvimento sustentável. Algumas destas medidas têm-se estendido para outras cidades e regiões do gigantesco país, com destaque para o forte investimento do Governo em soluções de mobilidade sustentável.

Mudando de continente: dentro de uma semana inicia-se o primeiro GPA Roadshow de 2010, com o Oeiras Sustentável - e confirmados estão já os eventos de Ferreira do Alentejo e Almada. E se até uma cidade como Pequim já descobriu a importância – e a substância – de ser sustentável, custa ver que algumas das cidades portuguesas ainda não considerem este o tema do século.

Felizmente existem outras que pensam de forma contrária. O GPA Roadshow, recorde-se, pretende também lembrar que as cidades são, elas próprias, os agentes de mudança de atitudes e comportamentos das suas populações.

Nenhuma delas tem os (falados) 25 mil milhões de euros para promover a maior remodelação urbanística de sempre, como Pequim fez há dois anos, mas as grandes revoluções começam sempre por pequenas acções. Como esta.


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