29 de Abril de 2010
Por José Manuel Costa

Quando Luís Inácio Lula da Silva entrou no Palácio do Planalto, a 1 de Janeiro de 2003, tinham passado poucos meses depois do economista Jim O’Neill, da Goldman Sachs, ter cunhado o acrónimo BRIC.

 

Ou seja, o potencial político, social e económico do Brasil estava lá, mas faltava muita coisa: unir o país, obter reconhecimento internacional, trabalhar os projectos sociais, fortalecer a classe média e tentar acabar com os mais baixos níveis de pobreza. A maior parte destes objectivos foram alcançados.

 

Lula da Silva cometeu, é certo, os seus erros, mas a verdade é vai deixar o Brasil, a 31 de Dezembro próximo, mais forte do que o encontrou. Nos últimos anos, o Brasil assistiu ao desempenho, sobretudo na política exterior, de um negociador nato, pragmático e conciliador, capaz de ser amigo de Hugo Chavez, George W. Bush ou Evo Morales. E, não nos esqueçamos, elogiado por Obama, que o considerou “o político mais popular do mundo”.

 

O Brasil é um hoje player reconhecido internacionalmente, tanto económica como politicamente. A prova foi dada na Conferência de Copenhaga, onde o Brasil formou a BASIC (com a África do Sul, China e Índia) e foi um dos países que mais lutou por um acordo vinculativo, tendo inclusive “subido a parada” no que toca à sua redução das emissões de carbono, para os 40% até 2050! Era também considerado um dos 5+1 que podiam mudar o mundo para sempre – juntamente com os EUA, China, Índia, Japão e UE – uma situação que, sejamos honestos, era altamente improvável há apenas uns anos.

 

Mas Lula da Silva foi mais longe. Ele mudou a forma como o Mundo olha para o Brasil. E, só por isso, garantiu o seu lugar na história do País – pela positiva, é claro. Ou muito me engano ou estaremos no dealbar de uma nova ordem económica, liderada – também – pelo Brasil. E a isso o País terá que agradecer, para sempre, a Lula.

 

E agora, quem se seguirá a Lula da Silva? Impossível de prever. José Serra e Dilma Rousseff estão bem colocados para a luta final, mas ainda há muitos indecisos. E não deveremos tirar Marina Silva fora da luta, porque ainda falta muito tempo para a decisão final. Aliás, a própria presença de Lula da Silva na campanha pode significar uma mudança nas intenções de voto (e nos votos). A ver vamos.

 

Uma coisa é certa, as expectativas estão muito altas. O Brasil passou a ter voz activa na cena mundial e os próximos anos serão fundamentais para consolidar esta liderança. Será importante, por exemplo, entrar para membro permanente do conselho de segurança da ONU, continuar as reformas sociais...

 

A verdade é que, este ano, as eleições brasileiras – juntamente com as inglesas – vão ocupar uma grande parte das conversas mundiais. Isto diz tudo do actual estado do País que Lula vai deixar de governar dentro de sete meses.

 

PS: É engraçado perceber como evoluiu Lula, até nas suas gafes. Não as largou, mas estas tornaram-se muito menores e mais politizadas e cirúrgicas. Terá sido dedinho de quem?...


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