13 de Maio de 2010
Por José Manuel Costa

Em 2004, o Banco Mundial afirmou que a China era responsável por apenas 5% dos projectos globais de desenvolvimento “verde” ou sustentável.

Em 2008, ano em que o Banco Mundial pela última vez reviu estes valores, esta percentagem tinha subido para os 84%. Na Europa temos essa percepção? Não.

O investimento da China em tecnologia verde chegou aos 27,5 mil milhões de euros em 2009, contra, por exemplo, os 15 mil milhões de euros norte-americanos. Na Europa temos essa ideia? Provavalmente, não.

Em 1999, a China era responsável pelo fabrico de apenas 1% dos painéis solares mundiais. Em 2008, o país passou a ser líder na produção de painéis solares, com uma quota de mercado de 32%. Isto é verdade? Aparentemente, sim.

E isto é só o início. Estes valores e percentagens, ainda que já globalmente bastante apreciáveis, tenderão a subir nos próximos anos, à medida em que as políticas industriais tomadas pelo Governo chinês – há pouco menos de dez anos – reforçarem o seu efeito.

Como escrevia esta semana Bruce Usher no International Herald Tribune, para a China o facto de se tornar na líder global em tecnologia limpa não tem nada a ver com o ambiente – mas sim tudo a ver com emprego.

“No futuro previsível, o grande desafio para Pequim é garantir emprego a todos. E o aumento dos rendimentos”, revelou o executivo da Columbia Business School. E onde haverá esse emprego? Na área da sustentabilidade.

Os meios justificam os fins, diria Maquiavel. Mas a verdade é que os desafios da energia verde não podem ser ignorados. Sobretudo, como o tem sido, por países como os Estados Unidos.

O comboio da sustentabilidade já não vai parar. Copenhaga não o parou. O adiamento da discussão no senado norte-americano também não. E os cépticos idem idem. E até a camaleónica China deixou de ser vermelha e já é verde.

Ah, e sobre os cépticos. Lembro que há dias, quando Rajendra Pachauri veio a Portugal, houve uma ideia por ele transmitida que parece ter chocado quem esteve na Fundação Gulbenkian.

O presidente do Painel Intergovernamental da ONU para as alterações climáticas disse então que a razão pela qual há tantos cépticos das alterações climáticas resume-se ao facto dos cientistas serem “péssimos” a comunicar com o público. “Não estamos a usar os argumentos certos”, explicou.

Ora, aqui estão duas questões que nos estão a passar ao lado: a China verde e os cépticos que só existem porque os cientistas não sabem comunicar. Há aqui muitas mentalidades para mudar…e isso só pode ser um bom sinal.


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