30 de Agosto de 2010
Por José Manuel Costa

A Internet estará a tornar-nos mais inteligentes, mais burros, mais colaborativos ou simplesmente mais livres? Foi esta a questão colocada pelo jornalista Fareed Zakaria, apresentador de um dos mais interessantes programas actuais da CNN - GPS - a Clay Shirky, um especialista em Internet.

O ponto de partida da conversa foi o recente artigo de capa da Wired: The Web is Dead. Long Live the Internet.

Shirky, que acabou de lançar “Cognitive Surplus”, diz que a web não morreu e que Chris Anderson está apenas a ser exagerado, mas é inegável que a grande tendência está no mobile. Mais propriamente nas aplicações para telemóveis, que sabem de antemão o que queremos e que são pré-definidas para um objectivo: ajudar-nos nas nossas pesquisas e a tomar melhores decisões.


Os telemóveis não têm memória para concorrer com os computadores, nem tão pouco largura de banda (nem são práticos para fazer pesquisas no Google), mas têm aplicações cada vez mais específicas.

 

“Estamos a ficar cada vez melhores a perceber o que as pessoas querem”, explica a certa altura Clay Shirky.

 

Sociologicamente, a Internet estará a tornar-nos mais abrangentes no nosso conhecimento, mas também - e por causa disso - pouco profundos. Ou seja, sabemos menos sobre mais. Ora aqui está uma definição interessante.

A Internet está a tornar-nos mais livres, mas também mais distraídos. É esse o preço que estamos a pagar por esta liberdade.

Shirky teve ainda tempo para falar sobre o novo modelo de negócio dos jornais – um tema, claro, do interesse de Zakaria. O guru disse que a Internet não “matou” os meios tradicionais, tendo-lhes até permitido ultrapassar fronteiras e chegar a todo um novo público. No entanto, o antigo modelo de negócio acabou. Não há volta a dar-lhe e já não os salvará.

“O novo modelo de negócio será a combinação entre as receitas de publicidade e o corte de custos”, explicou, dando um exemplo genérico: os jornais já não podem tentar melhorar as vendas com grandes secções, por exemplo, de desporto. Isto porque os sites de nicho são imbatíveis – quem quiser saber - algo ou tudo - sobre a sua equipa de futebol, por exemplo, irá sempre a estes. Os jornais não podem competir com eles (esta realidade, seja para o desporto ou para outros temas, é também visível no mercado português).

Finalmente, sobre a utilização da Internet em países como o Irão, Índia, Emirados Árabes Unidos ou China, Shirky diz que nenhum país moderno o é “sem que os seus cidadãos tenham um telemóvel com máquina fotográfica que funcione no bolso”.

Aqui, também, a questão a da transparência vem ao de cima.

PS: Do GPS destaco ainda a entrevista de Zakaria a Robert Kaplan sobre a China... A não perder.




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