3 de Setembro de 2010
Por José Manuel Costa

Há uns anos que Gunter Pauli anda a defender que a economia verde é hoje um conjunto de tecnologias largamente disponíveis e imediatamente convenientes. É uma possibilidade real, sim, mas não é suficiente. Ou seja, a economia verde não resolve os verdadeiros problemas.

 

Por estes dias, Pauli está a lançar “The Blue Economy – 10 years, 100 innovations, 100 million jobs”, um livro que partiu de 240 tecnologias inovadoras e sustentáveis e que escolhe as 100 que foram consideradas, por especialistas, como as mais realizáveis.

 

Pauli defende uma espécie de economia azul, que passa por voltar à eficiência da natureza, eliminar completamente o que sobra, os desperdícios. Uma espécie de procura de imitação da natureza.

 

Em 1991, o economista lançou o conceito de desperdício e emissões zero para a indústria, através de uma série de inovações na sua fábrica de detergentes na Bélgica. Embora tivesse acabado por construir uma das primeira fábricas verdes do mundo, Pauli admite que falhou na sua missão inicial, uma vez que os produtos biodegradáveis utilizados se baseavam sobretudo em ingredientes derivados das plantações de óleo do palma.

 

O resultado: os rios europeus ficavam mais limpos, mas a floresta tropical sul-americana era destruída a cada ano que passava.

 

De acordo com Pauli, a Green Economy tem inúmeros limites porque depende de duas grandes necessidades: a boa vontade dos empreendedores, cuja sustentabilidade financeira depende dos resultados, e dos consumidores estarem dispostos a pagar mais pelos produtos.

 

O economista e docente universitário belga diz que, adicionalmente, estes são dois requisitos difíceis de imaginar numa situação de crise como a que passamos.

 

Aqui recordo as palavras do professor John Gourville, da Harvard Business School – citado há uns meses por Richard Edelman no seu blog. “[Embora as pessoas queiram sempre ter bons comportamentos], quando as alturas são difíceis as decisões finais são tomadas pela vertente preço”.

 

Assim, a Blue Economy propõe um modelo de desenvolvimento que concilia as pretensões e conhecimento de cada uma das partes, pré-disposição e confiança nos resultados. A tudo isto juntamos ainda o empreendedorismo e a criatividade.

 

Ainda assim, e segundo explicou Pauli recentemente à RAI, a Blue Economy defronta-se logo com um obstáculo. Qual? “O gestor a quem falta visão”, explica.

 

Ou seja: o gestor cuja formação apenas lhe permite responder a questões como cash flow, retorno do investimento e necessidade de concentrar-se nos resultados… um gestor sem flexibilidade nem criatividade.

 

Pauli tem dedicado os seus últimos anos ao desenvolvimento desta teoria, promovendo projectos concretos que misturam de forma absolutamente ecuménica as últimas descobertas científicas com os métodos e conhecimentos tradicionais para criar novas oportunidades de desenvolvimento.

 

O “Launching the Blue Economy” está previsto para a próxima semana, 13 a 17 de Setembro em Honululu, Havai. Podem manter-se em contacto com todas as novidades aqui.


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