21 de Setembro de 2010
Por José Manuel Costa

“O relógio está a correr ainda há muito a fazer”. Este é o lugar-comum preferido dos responsáveis das Nações Unidas e outros com responsabilidades nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

 

Sei que não é fácil atingir os oito objectivos que os Estados-membros elegeram em 2000 como fundamentais para o futuro da sustentabilidade social e global.

 

Será muito complicado continuar a reduzir a pobreza – 2009 foi apenas o primeiro ano, nos últimos 15, em que a fome no mundo diminuiu - e a garantir os cuidados médicos a centenas de milhões de pessoas.

 

No entanto, esperava mais de Ban Ki-moon e desta assembleia-geral da ONU, que se realiza até quarta-feira em Nova Iorque (e espero que ainda possa estar errado sobre isto).

 

É necessário fazer mais – outro lugar-comum – mas sobretudo criar uma convergência de interesses mútuos entre os países ricos e os restantes. Ban Ki-moon terá ontem falado especificamente do caso brasileiro – e, ainda mais especificamente, da erradicação da pobreza naquele país. É um bom exemplo para ver em powerpoint, mas é uma desilusão considerar este momento um dos pontos altos da conferência.

 

Curiosamente, enquanto os 150 líderes debatiam se os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio estavam ou não a ser cumpridos, foi a Igreja Católica – imagine-se – que veio pedir “maior radicalidade” na aplicação dos Objectivos do Milénio.

 

Este, aliás, é o segundo alerta “radical” da última semana. Há dias o Greenpeace pediu aos seus – e outros – activistas ambientais para “arriscarem a prisão”.

 

O problema destes objectivos? Talvez Esther Duflo, responsável pelo desenvolvimento na MIT, tenha descoberto a pólvora: ‘Se [os países] falharem os objectivos, quem os vai punir? Ninguém virá de Marte e dizer ‘Não atingiram os objectivos, por isso vamos invadir-vos’”.

 

Alguns resultados (positivos) da assembleia-geral: Sarkozy vai aumentar em 20% a contribuição para o fundo global contra a Sida, malária e tuberculose até 2013. Também Sarkozy – e Zapatero - defendeu que as taxas sobre as transacções financeiras – e bilhetes de avião, turismo, internet, telemóveis… - devem servir para financiar projectos no âmbito dos ODM. Haverá documento oficial esta semana? Não me parece.

 

Não percebo como se pode escrever que “a esperança e o optimismo marcaram o discurso do secretário-geral da ONU” quando os resultados até agora apresentados são insuficientes. Até porque a ONG Save the Children está a fazer o seu trabalho: enquanto os líderes mundiais fazem o balanço dos ODM, 70 mil crianças morrem no mundo.

 

E são estes dados que os chefes de Estado e Governo devem levar para casa. Mais do que não seja, para que se sinta embaraçados.

 

PS: Sobre os ricos e os pobres nos Estados Unidos deixo um artigo de Paul Krugman no New York Times de ontem. E cito de copy-paste: “Self-pity among the privileged has become acceptable, even fashionable”.


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