25 de Outubro de 2010
Por José Manuel Costa

* Artigo de opinião publicado a 4 de Outubro no Imagens de Marca

 

O economista Jim O’Neill, da Goldman Sachs – que cunhou, entre outros, o acrónimo BRIC e a expressão Next Eleven – sugeriu recentemente ao Financial Times um almoço com Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso (FHC).

 

A praia de Ipanema seria o cenário e, claro, o próprio O’Neill estaria também presente. “Estaria sentado entre eles, alternando entre bebericar uma caipirinha e aproveitar a vista, mas não me esqueceria de ouvir também estes dois sábios convidados”.

 

Na opinião de O’Neill, muito do sucesso de Lula da Silva tem como base as políticas – sobretudo monetárias – de FHC. Recordo que, durante o período eleitoral – e no vendaval da discussão – houve quem diminuísse o papel de FHC na construção do Brasil de hoje.

 

Isto é injusto para os três: para Lula, para o Brasil e, claro, para o próprio Fernando Henrique Cardoso. Diz O’Neill: “Às vezes paro e penso se [Lula] não será um descendente directo do seu predecessor, FHC, mas num inteligente disfarce. Foi muito do que Lula herdou de FHC que lhe deu a plataforma para ter tanto sucesso”.

 

Concordo com O’Neill e vou até mais longe. Uma das grandes decisões iniciais de Lula foi manter parte das políticas que herdou. Não era expectável que o fizesse, mas fê-lo e, quando utilizou o poder de comunicação com as massas – que bem conhece e sabe –, tornou-se no melhor presidente que o Brasil viu nas últimas décadas.

 

Até onde poderá chegar este Brasil é uma incógnita. Aliás, Jim O’Neill conta uma história engraçada. Quando dedicou o “B” de BRIC ao Brasil, em 2001, muitos analistas, sobretudo no próprio Brasil, acharam que ele estaria profundamente enganado. Era expectável, então, que Lula levasse o Brasil para a mesma e sistemática crise económica e financeira. “Arrisquei”, explica.

 

No entanto, se a história lhe dá hoje razão, muito se deve a FHC. O país não se limitou a reinventar. Este não é o Brasil, é um novo país. Aliás, o Brasil, não tendo os níveis de demografia da China e Índia e estando assim impedido de semelhantes e bruscos crescimentos económicos, pode ainda assim continuar a crescer entre 5 e 6% ao ano durante vários anos.

 

O grande desafio de Dilma, caso seja eleita [no dia em que escrevo tudo aponta que sim], não é apenas continuar o caminho de Lula – como este não se limitou a fazê-lo em relação ao seu antecessor – mas descobrir a fórmula que coloque o Brasil entre os países mais desenvolvidos do mundo – e não apenas na liderança dos países em desenvolvimento.

 

E, para isso, terá que sair das suas fronteiras e chegar a novos mundos. Redescobrir o continente africano, fazer novas pontes com o mercado asiático, apostar em projectos inovadores relacionados com a sustentabilidade. O Brasil está a posicionar-se como o principal parceiro de muitos países africanos, por exemplo.

 

É um mercado que está a trabalhar de perto com países em grande crescimento como a Nigéria, África do Sul, Argélia e Angola. Será neste cenário que as empresas portuguesas podem entrar, com as suas mais-valias, know how e parcerias estratégicas. Por isso compreender este país – e o seu dia-a-dia – é tão importante para nós.

 

PS: Este texto foi publicado primeiro aqui.


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