8 de Fevereiro de 2011
Por José Manuel Costa

 

 

Como tive oportunidade de referir ontem de manhã, durante a apresentação do Edelman Trust Barometer 2011, tenho feito muito trabalho de suporte a projectos entre empresas e ONGs, nos últimos 16 anos, e considero que este é um dos grandes desafios que as empresas enfrentam actualmente.

 

O Edelman Trust Barometer Portugal, claro, afirma que as ONGs são as instituições mais confiadas pelos portugueses – os que vêem regularmente notícias económicas e políticas, que têm formação superior e se encontram  num escalão de rendimento, também, mais elevado.

 

Já assim era em 2010, quando a confiança nas ONGs se situava nos 52%: Assim é, de forma reforçada, este ano, com esta percentagem a subir até aos 69%.

 

Aliás, esta subida da confiança é sentida também nas empresas (que sobem a sua confiança junto dos consumidores dos 34 para os 47% no Edelman Trust Barometer Portugal) e na comunicação social (sobe dos 32 para os 39%).

 

São resultados animadores, apenas contrariados pela descida da confiança no Governo, dos 27 para os 9%.

 

Aliás, em um terço dos mercados analisados a confiança nas empresas é maior que nos Governos. Também nos Estados Unidos e na Alemanha há uma queda da confiança no Governo, um fenómeno que quase poderiamos considerar de "ocidental" e que contrasta com os dados extremamente animadores – em todas as instituições – recolhidos nos países emergentes.

 

Globalmente, por outro lado, a confiança aumentou em todas as instituições, o que não deixa de ser um resultados muito positivo.

 

Voltando ao início do texto: esta relação entre empresas e ONGs foi, de uma forma bastante lúcida, analisada pelo painel que debateu os resultados do estudo.

 

Basílio Horta defendeu as empresas. Disse, quase numa resposta aos consumidores inquiridos pelo estudo, que “não são as ONGs que suportam este País”, mas sim as empresas. “A sociedade deve imenso às empresas”, revelou.

 

Creio que não podemos ler estes números de forma isolada. Como não podemos deixar, isoladas, empresas e ONGs. Estas devem trabalhar de forma colaborativa, permitindo assim aumentar a confiança da sociedade civil nas empresas e, paralelamente, o fortalecimento do papel das ONGs no contexto sócio-económico.

 

Um contexto que não vive sem empresas, com bem avisou Basílio Horta, mas que também não sobrevive sem uma dimensão social e com dinâmicas de relacionamento de baixo para cima (como evidenciou João Wengorovius Meneses).

 

Aliás, será daqui que virá a aparente desconfiança para com os Governos. “O Estado ainda não consegue gerar dinâmicas de baixo para cima, de falar com as pessoas. Por isso gera desconfiança”, avançou Wengorovius de Meneses.

 

Alterar esta situação será, também, um dos nossos desafios para 2011.


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