1 de Março de 2011
Por José Manuel Costa

Na semana passada, o presidente e CEO da Edelman, Richard Edelman, visitou Houston e Dallas, duas das maiores cidades do Texas – e dos Estados Unidos (o Texas é o segundo Estado norte-americano em área e população).

 

Na sequência da visita, Edelman escreveu várias considerações sobre o estado texano no seu blog. Uma delas tinha como pano de fundo o trânsito caótico de Dallas.

 

“Aposto que não sabiam que Dallas é a primeira cidade norte-americana em metro ligeiro, com 115 quilómetros de linha. Morgan Lyons, o media relations manager da DART, a autoridade de trânsito local, disse-me que 45 desses quilómetros foram construídos no final de 2010”, começou por afirmar Edelman.

 

“Ele disse-me que demorará uma geração a tirar os cidadãos dos seus carros e colocá-los no metro. [Disse-me] ainda que existe uma maior aceitação [do metro ligeiro] por parte de quem se mudou para Dallas de cidades como Nova Iorque ou Chicago, onde o trânsito caótico é uma forma de vida”, continuou Richard Edelman.

 

Se por um lado uma geração parece, de facto, demasiado tempo, não é menos verdade que se uma cidade como Dallas conseguir tornar os seus cidadãos em modelos de mobilidade sustentável, então todas - ou quase todas - o conseguirão fazer.

 

Ora vejamos: há uns meses li este post do Streetsblog (que, aliás, recomendo), com alguns dados interessantes. Publicado no dia em que Dallas inaugurou 45 quilómetros de metro ligeiro, o Streetsblog afirma que, apesar do forte investimento em infra-estruturas de promoção da mobilidade sustentável, o número de texanos a frequentar diariamente os transportes públicos tinha, entre 2000 e 2010, diminuído.

 

Assim, apenas 4% do total da população utiliza os transportes públicos, num total de 60 mil pessoas em 1,3 milhões.

 

O blog afirma que um dos argumentos para esta estatística é a grande distância a pé que se tem de percorrer entre as estações e as zonas residenciais. Outro são os preços de estacionamento que não reflectem, de forma alguma, os verdadeiros custos de manter um carro parado.

 

O blog dá também o exemplo de Estrasburgo, cujo metro ligeiro tem apenas 55 quilómetros de comprimento, mas cerca de 300 mil passageiros diários. Onde está Dallas a errar? Para começar, incentiva – realmente – a utilização do carro na cidade. E no centro da cidade.

 

A baixa de Dallas tem 138 mil empregos – bem mais que a maioria das cidades – por isso seria, à partida, um bom sítio para angariar passageiros. E o que faz Dallas? Constrói enormes parques de estacionamento em quase todos os quarteirões, cobrando apenas 70 cêntimos por hora. “Quando é fácil chegar de carro, o facto é que as opções de mobilidade sustentável são facilmente mal sucedidas”, diz o Streetsblog.

 

Mais: Dallas não ficará por aqui e vai continuar a expandir as suas linhas de transportes públicos. É bom que a cidade que desenvolva as áreas adjacentes às estações – ninguém gosta de estações no meio do nada – e que mude as suas políticas destinadas ao veículo privado.

 

Finalmente, a conclusão de Edelman da sua estadia no Texas: “Consigo ver uma evolução na mentalidade dos texanos. O pistoleiro-com-uma-forte-personalidade está a dar lugar ao empreendedor ambicioso e determinado, que pensa globalmente, envolve-se com a comunidade e abraça a diversidade cultural. Há um compromisso pragmático para se tornar num líder global em saúde, energia, educação e tecnologia”.

 

É necessário, “apenas”, mudar a mentalidade no que toca à mobilidade sustentável. E mudar a forma como ele continua a olhar para o automóvel como o centro do mundo. E é, de resto, incentivado a fazê-lo. E se o texano, com todos os condicionalismos culturais e históricos, pode mudar – e quer mudar – por que não os portugueses?


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