12 de Maio de 2011
Por José Manuel Costa

É absolutamente imperdível a (dupla) entrevista que o Menos Um Carro publicou ontem com Lincoln Paiva, responsável pela Green Mobility e especialista em mobilidade sustentável nas cidades.

 

Aqui a primeira parte.


Aqui a segunda.

 

Tanto Paiva como a sua Green Mobility, uma consultora especializada no desenvolvimento de mecanismos para melhorar a mobilidade sustentável das empresas e Governos, defendem que as empresas são responsáveis pelos grandes volumes de deslocações dentro das cidades, logo, são elas que têm de incentivar os seus funcionários a mudar os comportamentos.

 

"A solução para os congestionamentos deverá vir de um pacto de mobilidade urbana sustentável estabelecido com as empresas, pois elas são responsáveis pelos grandes volumes de deslocações das cidades”, explica Paiva.

 

Uma revelação, de resto, perfeitamente natural. Óbvia, até. Mas a verdade é que, pelo menos em Portugal, nunca pensámos desta forma. São as empresas que levam as pessoas a conduzirem os seus automóveis das periferias aos centros da cidade, são elas também que “obrigam” milhões de profissionais de todo o mundo, todos os dias, a almoçarem em pontos opostos da cidade, a regressarem a casa no trânsito. Faz todo o sentido, então, serem elas a resolver este problema, sobretudo porque são das principais interessadas.

 

Segundo Paiva, e referindo-se a São Paulo, 75% dos colaboradores que utilizam os automóveis nas suas deslocações diárias para o trabalho moram até cinco quilómetros de distância. Bicicleta e transporte colectivo, por exemplo, poderiam ser incentivados - pelo Governo - para levar estes colaboradores a deixar o carro em casa.

 

Em relação a São Paulo, a sua cidade, Paiva diz que a metrópole não está a aproveitar grandes eventos como o Mundial de futebol, por exemplo, para mudar a cultura de mobilidade dos seus cidadãos, ao contrário do que se passou na Alemanha, em tempos.

 

O responsável defendeu ainda que as pessoas precisam de morar mais perto do seu trabalho, evitando assim grandes deslocações. Portland, nos Estados Unidos, estará mesmo a desenvolver um novo conceito – cidades de 20 minutos – onde o cidadão tem acesso a saúde, lazer, estudo e trabalho a uma distância de não mais de 20 minutos a pé. O oposto dos em-tempo-muito-famosos-mas-cada-vez-menos-apelativos subúrbios.

 

Paiva já foi responsável por vários projectos, no Brasil, sobretudo na área dos modos suaves. “O incentivo ao transporte não motorizado deveria ser uma prioridade para o bem-estar das pessoas e desenvolvimento das cidades”, explica Paiva. Ora aí está outro conceito em mudança, o do bem-estar… Isto anda tudo ligado, de facto.

 

Finalmente, os exemplos a seguir. Munique, Freiburg ou Berlim (Alemanha), Copenhaga (Dinamarca), Amesterdão (Holanda), Barcelona e São Sebastian (Espanha), Portland, Boulder ou Washington (Estados Unidos). Ainda que seja elogiada pelo consultor, Lisboa não está entre estas escolhas. Dentro de uns anos, quem sabe, o cenário poderá ser diferente.


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