9 de Junho de 2011
Por José Manuel Costa

Lipor e Fundação EDP foram as estrelas da sessão de apresentação dos European Business Awards for the Environment – Prémio de Inovação para a Sustentabilidade (EBAEpis), que anteontem decorreu no Museu da Electricidade, em Lisboa.


Mas primeiro, os prémios em si: destaque para uma nova categoria a concurso – Empresa para a Biodiversidade – um prémio para o qual os candidatos concorrem automaticamente, sendo comum a todos os participantes; e para o reforço da categoria Cooperação Internacional de Negócio, que terá como destinatários os projectos comuns a uma entidade privada portuguesa e uma entidade privada, pública, uma ONG ou academia de um País em vias de desenvolvimento – ou com uma economia em transição.


Em relação aos prémios (como concorrer, destinatários e outras dúvidas) podem consultar o site da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou ler esta notícia do Green Savers.


Recordo ainda que os EBAE uma são iniciativa da Comissão Europeia. Em Portugal, a organização cabe à APA, em colaboração com o Departamento de Prospectiva e Planeamento e Relações Internacionais, Direcção-Geral das Actividades Económicas, BCSD Portugal e GCI.


Mas, como dizia, a manhã de ontem ficou marcada pelas excelentes apresentações de Fernando Leite, o administrador-delegado da Lipor e Jorge Mayer, gestor do programa de voluntariado da Fundação EDP e um dos responsáveis pelo projecto de inclusão social e eficiência energética que a EDP levou ao campo de refugiados de Kakuma, no Quénia.


Sobre o projecto Rumo à Sustentabilidade, desenvolvido pela Lipor, basta-me dizer que ele foi distinguido na primeira edição dos EBAEpis, na categoria de Gestão. É um projecto muito abrangente, em permanente evolução e que mobilizou – e ainda mobiliza - toda uma empresa e outros stakeholders para uma mesma estratégia que tem como pano de fundo o desenvolvimento sustentável.


Em relação ao projecto Kakuma, que levou a sustentabilidade à comunidade de refugiados do campo homónimo - mas também a outras aldeias do Quénia -, há várias ideias que gostaria de deixar aqui para análise.


1. O programa foi implementado entre Janeiro e Outubro de 2010 e centrou-se em 10 projectos fundamentais, que testaram soluções para melhorar o acesso a energia, iluminação e água. Tudo isto, sempre que possível, fomentado o empreendedorismo.


2. Um dos grandes objectivos foi utilizar, sempre que possível, recursos locais. Para além das questões sustentáveis óbvias, a EDP pretendeu, desta forma, envolver parceiros locais nos seus projectos.


3. Outra das grandes preocupações da EDP foi deixar o know-how junto da comunidade, por razões de manutenção das soluções mas também, no futuro, para a sua expansão para outras infra-estruturas e edifícios.


4. Um dos grandes problemas de Kakuma é o abastecimento de água. Durante os meses de implementação do seu projecto de sustentabilidade, a EDP dedicou dois projectos à água: a instalação de painéis solares para o abastecimento de água e a distribuição de equipamento que utiliza o calor do sol para purificar este recurso básico.


5. As soluções de iluminação foram as mais trabalhadas pela equipa da EDP. Foram distribuídas lâmpadas mais eficientes, instalados 31 postes de iluminação pública e, não menos importante, distribuídas 4.500 lanternas para os alunos das escolas estudarem durante a noite. Estas lanternas podem ser carregadas durante o dia e pagam uma  “renda” de 20 cêntimos por mês, considerada ajustada à realidade de Kakuma. Há ainda um depósito, feito na altura da recolha do equipamento, para evitar a sua venda no mercado negro.


6. Outra das principais dificuldades encontradas pela EDP prendeu-se com o cozinhar. A desflorestação em Kakuma atinge já um raio de 50 kms, sendo que, muitas vezes, é necessário percorrer 100 kms para encontrar lenha para cozinhar. A EDP recorreu, então, aos fornos solares, uma tecnologia que a comunidade de Kakuma já conhecia mas não era fã, pela sua pouca eficiência. Depois de uma pesquisa que envolveu a distribuição de fornos solares altamente eficientes – mas também altamente caros – a EDP está agora a desenvolver um novo tipo de forno solar, mais eficiente e a um preço acessível.


7. Foram desenvolvidos também projectos agro-florestais, tendo a população sido incentivada a plantar hortas caseiras. Foi cedida uma bomba solar para tirar água de um poço que abastece cerca de 100 famílias.


8. Finalmente, foram iniciados vários projectos de empreendedorismo, para garantir a extensão do projecto para além da estadia da EDP no terreno: passagem de know how entre cidadãos, mudança de fornecimento energético dos edifícios para meios renováveis ou potenciar os recursos locais junto dos residentes, incentivando-os a criarem os seus próprios empregos e actividades laborais. 


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