24 de Junho de 2011
Por José Manuel Costa

Há duas semanas, durante uma das suas inúmeras viagens a países emergentes globais, Richard Edelman foi entrevistado pelo Indian Express.

 

Numa entrevista muito exigente, o presidente e CEO da Edelman demonstrou a sua habitual eloquência e transparência e abordou o presente das PR, os desafios da indústria nos países emergentes – como a Índia –, e explicou ainda o ADN Edelman no que toca à ética, projectos de propriedade intelectual e escolha e avaliação por parte dos clientes, entre outros.


Podem ler a entrevista neste link.

 

Algumas das ideias de Richard Edelman:

 

1. “A indústria das PR tem sido catalogada como ou demasiado inteligente (a palavra que Richard utilizou foi 'clever'), ou nada inteligente. Acho que a verdade se encontra no meio, não somos nenhuma destas hipóteses. O meu pai fundou a nossa empresa há 59 anos. Ele diz que a melhor PR é baseada na realidade.”

 

2. “Estamos no negócio da informação ou do spin? Acho que as pessoas de PR político poderão estar no negócio do spin, mas todos nós que lidamos com empresas todos os dias estamos no negócio da informação. E o nosso objectivo é dar-vos tanta informação quanto podemos, e vocês fazem o julgamento. São vocês os jornalistas, são vocês que escrevem as histórias. Não podemos fingir que somos mais do que intermediários e líderes da transparência.”

 

3. “Não acho que sejamos como os advogados. Não acho que devemos aceitar todos os clientes e, aliás, não o fazemos. Não aceitamos trabalhar alguns países, não aceitamos trabalhar algumas empresas, avaliamos se vale a pena representar este ou aquele cliente. Na verdade, quando representamos um cliente e não concordamos com ele, deixamos de o fazer.”

 

4. “Temos de admitir e aceitar que colocamos algumas das nossas relações em jogo em nome dos nossos clientes. Somos a ponte para certos grupos de stakeholders. Trabalhamos muito de perto com algumas ONG, media e alguns grupos comunitários. E por isso, quando vou ter com o jornalista e lhe proponho uma história, assumo que tenho uma relação com ele e que esse mesmo jornalista vai perguntar: 'Será que vai valer a pena gastar o meu tempo com isto?'.”

 

5. “Acho que o sector das ONG nos considera um intermediário sério e confiável. Confia em nós para funcionarmos como ponte para o nosso cliente, e levar o cliente a fazer o seu trabalho de forma mais correcta.”

 

6. [Sobre a contratação de jornalistas para a indústria de PR] “Os jornalistas estão habituados a fazer perguntas difícil. E isso é bom. Os consultores de PR têm de aprender a fazer perguntas difíceis. (…) Acho que os jornalistas que vêm para o lado das PR podem ser muito valiosos porque têm um sentido noticioso sobre o que dizer e como o dizer. Mas quero ser claro, não quero que as PR digam que são substitutos dos media. Nós não somos objectivos. Por isso é que eu posso contar com os antigos jornalistas para me dizerem: 'Isto não está suficientemente objectivo. Não vai vender. Ninguém irá acreditar nisso'.”


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