12 de Outubro de 2011
Por José Manuel Costa

*Texto publicado no Imagens de Marca

 

O Twitter, o Facebook e o BBM foram acusados de terem sido responsáveis pelos actos criminosos e vândalos que, no início de Agosto, atormentaram Londres e outras cidades britânicas. São acusações injustas, e vou tentar explicar porquê.

 

Nos últimos anos, multiplicaram-se, um pouco por todo o mundo, as campanhas contra a exclusão social. Ao longo deste tempo, é certo, as palavras  ais fortes e impactantes que as acções, que a realidade. Mas, pelos vistos, não foram suficientes.

 

O exemplo da luta contra a pobreza e exclusão social, que não passou do papel, é paradigmático. A crise internacional económica e política era previsível e vai além da crise da dívida. É mais complexa, também, do que a simples crise de valores, como muitos quiseram realçar depois dos tumultos londrinos.

 

Os países mais ricos e desenvolvidos chegaram a uma fase em que, pura e simplesmente, não conseguem aumentar o nível de vida dos seus cidadãos, estão reféns de um sistema económico que está descontrolado, perdeu as suas referências, embaciou e desbotou os seus objectivos.

 

Reféns do que não podem controlar, os políticos põem-se a jeito de outras revoltas, agora internas. Temas como as alterações climáticas, inclusão social ou sustentabilidade são colocados para segundo plano, e o sistema que já por si é insustentável torna-se cada vez mais auto-destrutivo.

 

A falta de transparência e de confiança alastra por todo o lado, e o mundo parece de pernas para o ar. Um exemplo? Warren Buffett pede para ser mais taxado, não compreende como paga incomparavelmente menos impostos que todos os seus colaboradores. Outro exemplo? James Murdoch, o COO da News Corporation, acabou de recusar um bónus de 4,2 milhões de euros.

 

Outros multimilionários colocaram-se ao lado de Buffett. Maurice Lévy, o patrão da Publicis e Luca di Montezemolo, responsável máximo da Ferrari, lideram um grupo de dezenas de outros multimilionários europeus e norte-americanos que querem pagar mais impostos.

 

Este apelo não é inocente. A insustentabilidade do actual modelo de sociedade, a continuar, vai afectar todos, ricos e pobres.

 

“Durante a última década” – explicou recentemente Simon Derrick, do BNY Mellom – “o crescimento e a actividade económica de muitos locais foram alcançados à custa de forças insustentáveis”. “O que acontece é que estes [temas] estão a ser pressionados e estamos a entrar numa fase em que não os podemos ignorar. Nenhum destes assuntos será de fácil resolução ao nível político”, continuou.

 

É nesta encruzilhada que vamos entrar em 2012. Na verdade, o cenário não era totalmente imprevisível há um ano, mas a realidade acabou por ser mais poderosa que o futurismo de início de ano.

 

Este nível de insustentabilidade não atinge só os países desenvolvidos. Os emergentes e os BRIC também sofrem com o crescimento pouco sustentado do sistema financeiro global. E da falta de transparência.

 

A solução? Reforçar a aposta na mudança de mentalidades, no combate às alterações climáticas e erradicação da pobreza extrema, estabelecer estratégias coerentes mas realistas de sustentabilidade, ter como prioridade o bem-estar das populações e, mais do que nunca, promover a transparência e a confiança.

 

Não, as redes sociais não são culpadas, são co-responsáveis, o que é diferente. São co-responsáveis pela denúncia de situações de insustentabilidade e falta de transparência. E isso não deve ser condenado, mas aplaudido.


| ... e mais assim! | partilhar

1 comentário:
De Consultoria de Gestão a 3 de Novembro de 2011 às 16:02
As redes sociais são um meio de passar mensagens, mas os culpados dos actos são única e exclusivamente nossos!


Comentar post

Perfil
Pesquisa
 
Artigos recentes

Confiança – um longo cami...

Os projectos que derrotam...

Nutrition Awards: renovaç...

GPA Brasil: nova edição a...

Portugal, Brasil e as par...

Integração

Expansão lusófona

Economia Verde: o novo pr...

Cooperação brasileira

Dan Edelman (1920-2013)

Ligações
Arquivo

Janeiro 2015

Junho 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Categorias

todas as tags

Subscrever feeds