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José Manuel Costa

José Manuel Costa

Há limites para a revolução do Facebook? Prefere Tea ou Coffee Party?

16.03.10, José Manuel Costa

 

Tudo começou num comentário de Annabel Park no Facebook. “Vamos começar o Partido do Café (Coffee Party)… partido dos smoothies. Partido do Red Bull. Qualquer coisa excepto chá (Tea). E que tal o Partido do Cappuccino? Isso iria chateá-los a sério porque parece elitista… vamos tomar um cappuccino juntos e ter um verdadeiro diálogo político com substância e compaixão”.*

 

Assim, e quase sem dar conta disso, Annabel Park iniciou um dos maiores fenómenos políticos do início de 2010 – e um dos movimentos mais falados hoje nos Estados Unidos, o Coffee Party.

 

No comentário que Park escreveu no Facebook, “eles” são o Tea Party. Em comum, o Tea Party e o Coffee Party têm o facto de não se reverem nos actuais políticos norte-americanos. São uma espécie representação popular, respectivamente, do partido republicano e do partido democrata (na primeira convenção do Tea Party, inclusive, Sarah Palin foi a keynote speaker…).

 

Mas só isso e nada mais do que isso: uma representação popular de uma grande massa de eleitores revoltados com a política do século XXI.

 

Mas vamos por partes: o movimento conservador Tea Party nasceu no início de 2009, como resposta ao pacote de estímulo económico do presidente Obama. Já o Coffee Party surgiu um ano depois, como resposta ao Tea Party.

 

Apesar do Tea Party socorrer-se sobretudo do Facebook, Twitter e MySpace para fazer passar as suas ideias, foi o Coffee Party que nasceu do Facebook. Aliás, nasceu do tal comentário/desabafo de Annabel Park.

 

O movimento tem já 166 mil fãs no Facebook, cerca de 0,05% da população norte-americana. E isto em apenas dois meses, recorde-se. Também neste espaço de tempo o Coffee Party superou o número de fãs do Tea Party – 112 mil.

 

O aparecimento do Tea Party e, sobretudo, do Coffee Party, surge de dois factores: a desilusão dos cidadãos norte-americanos com os políticos e a facilidade com que, nos dias de hoje e através das redes sociais, é possível fazer passar uma mensagem. Qualquer mensagem.

 

O resto pode ler-se fazendo uma simples pesquisa no Google. Notícias nos principais media norte-americanos e mundiais e até convenções organizadas pelo Facebook. Ainda recentemente, o Coffee Party organizou 350 eventos em cafés de todos os cantos dos Estados Unidos…

 

Segundo a BBC, o Tea Party terá mesmo ajudado a eleger Scott Brown como novo senador do Massachusetts. Agora imaginemos o que seria da política portuguesa com movimentos espontâneos de cidadãos descontentes com a política… mas num país com apenas 10 milhões de pessoas. Estou seguro que será apenas uma questão de tempo até que esta moda chegue a Portugal.

 

“Estamos a tentar abordar a política de forma diferente, por isso é difícil comparar o nível de influência [em relação aos partidos políticos]”, explicou à BBC Annabel Park. “A estrutura de dois partidos não está a funcionar.Há tantos de nós a pensar que estes rótulos estão fora de época, que nós próprios somos muito mais complexos e inter-conectados. E as pessoas estão a dirigir-se a nós a dizer que finalmente descobriram um lugar onde podem ter voz”.

O Coffee Party e o Tea Party são duas maiorias silenciosas a quem o Facebook e as redes sociais deram voz. E não há volta a dar-lhe.

 

*Ah, e depois da mensagem inicial de Annabel, foram os comentários sucessivos dos seus amigos no Facebook que levaram à criação do movimento Coffee Party… depois de Annabel ter criado – e enviado – a página de fãs Join the Coffee Party Movement a apenas 50 amigos. Se isto não é mudar o mundo…