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José Manuel Costa

José Manuel Costa

Xangai entre o artificial e o autêntico

08.06.10, José Manuel Costa

Anteontem, dia de Portugal na Expo 2010, a organização confirmou um novo recorde diário de afluência atingido no dia antes, sábado – 525 mil visitantes. No total, ainda segundo a organização, 10 milhões de pessoas já visitaram a feira mundial. Em apenas um mês.

Assim, e se esta média de afluência se mantiver, Xangai terá a feira mundial mais concorrida de sempre, com 70 milhões de visitantes. E a promessa do comité organizador estará cumprida.

Segundo as contas da organização portuguesa, também o Pavilhão de Portugal está no bom caminho, contando já com 600 mil visitantes. O que não surpreende. É conhecido o fascínio oriental pela cultura portuguesa.

No dia de Portugal na Expo 2010, o Financial Times (FT) fez uma análise qualitativa do certame de Xangai, a partir da pergunta: “a Expo 2010 é já a maior de sempre: Mas terá um impacto duradouro, como algumas das suas antecessoras?”

Para o arquitecto Edwin Heathcote, crítico de design e arquitectura do Financial Times, os efeitos desta feira serão notados não apenas ao nível das infra-estruturas (uma rede de metro de classe mundial, um novo centro de congressos e uma grande área industrial desmantelada no centro da cidade) mas também diplomático.

“Vinte e dois dos 192 países representados na Expo não têm relações diplomáticas com a China. Este pode ser o primeiro passo para uma [futura] relação”, explicou ao FT o secretário geral do Comité das Expos, Vincente Loscertales.

Escreve Heathcote que desta Expo não surgirão novas inovações ou invenções – as Expos sempre foram, historicamente, feiras que marcaram uma época pelas suas novidades tecnológicas – mas a mistura entre a sua face artificial e autenticidade torna-a na descrição perfeita da cidade contemporânea.

Mas o que vai distinguir a Expo 2010? O seu lema, “Melhor Cidade, Melhor Qualidade de Vida” já não é uma miragem, “[Xangai] não é mais um mero relance da cidade do futuro mas, na sua procura implacável pelo especial, pelo espectáculo e pelas experiências de engenharia e a sua fome obsessiva pela arquitectura icónica, esta Expo é já a cidade do futuro”, conclui Loscertales.

Por isso, e na opinião de Heathcote, a Expo Xangai já terá atingido um patamar de importância mais elevado do que as outras feiras mundiais: a Expo Xangai mudou a própria cidade.

O sucesso desta feira mundial confirma que o século XXI é o século das cidades. Da arquitectura, do design e da sustentabilidade. Do artificial e do autêntico.

“O falso tornou-se autêntico porque o espectáculo tornou-se a realidade”, diz Heathcote. Confuso? Sim. Mas temos mesmo que nos preparar para esta palavra.

Podem reler os meus textos sobre Xangai neste link.