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José Manuel Costa

José Manuel Costa

Tea Party já faz mossa

26.08.10, José Manuel Costa

"O movimento Tea Party pode abalar o sistema bi-partidário dos Estados Unidos?" – perguntou o semanário Sol, na sua última edição, a Allan Katz, embaixador dos Estados Unidos da América em Portugal.

"Não, penso que o movimento Tea Party é igual a tantos outros que já vi na vida. Representam um grupo muito pequeno de pessoas da ala direita do Partido Republicano ou parte de um movimento libertário dos EUA e não creio que seja capaz de influenciar o resultado das eleições", respondeu Katz.

Bom, vistas bem as coisas, o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa terá razão: não será certamente o Tea Party a influenciar o resultado das eleições. As de 2012.

É também verdade, porém, que o movimento já fez “mossa”, como é comum dizer-se.

Como avança hoje o Diário de Notícias, o senador do Arizona, John MacCain (que, recorde-se, foi o candidato presidencial republicano em 2008, derrotado por Obama), conseguiu vencer a nomeação do partido às eleições de Novembro. No entanto, gastou mais nesta campanha – 16,6 milhões de euros – que o valor combinado de todas as suas outras quatro campanhas para o Senado. Ou seja, desde 1987.

John McCain conseguiu 57% dos votos contra 30% de J. D. Hayworth (um animador radiofónico!). Estes resultados demonstram que o movimento Tea Party ganhou um força importante dentro dos republicanos. E que o próprio McCain o pressentiu há meses.

Desde que escrevi este texto – e com o primeiro ciclo de eleições – a situação do Tea Party alterou-se. Dos 166 mil fãs no Facebook passou para os 430 mil – quase o dobro da página Positively Republican.

Mas este dado nem é o mais importante. A questão que se coloca hoje é: alguém poderá prever o que irá acontecer na política norte-americana nos próximos tempos?

E, para responder, recupero duas opiniões sobre o Tea Party. “Estas [pessoas] não são os habituais protestantes semi-profissionais que vão a marchas anti-guerra. Estas são pessoas que têm empregos reais, a maior parte nunca tinha ido a um protesto. Elas representam uma energia diferente e que os nossos políticos não têm visto ultimamente, e um influxo de novos activistas”, explicou Glenn Reynolds, professor e comentador político.

Já Nancy Pelosi, como era de esperar, tem uma opinião diferente. “Não é verdadeiramente um movimento espontâneo das bases. É um “astroturf” organizado por algumas das pessoas mais ricas dos Estados Unidos para manter o foco na descida dos impostos para os ricos em vez de para a classe média”, explicou.

De qualquer forma, uma coisa é certa: as próximas eleições de 2 de Novembro, onde está em causa a votação para a Câmara dos Representantes e um terço do Senado, será um importante “referendo” à Administração Obama. Com ou sem influência – directa ou indirecta – do Tea Party.