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José Manuel Costa

José Manuel Costa

Abu Dhabi, Edelman e o Qatar

06.12.10, José Manuel Costa

Volto finalmente a Abu Dhabi – e à reunião da Edelman – como tinha prometido há duas semanas. Ao percorrer, pela primeira vez, as ruas de Abu Dhabi, pensei imediatamente que seria aquela também a última vez que o faria com tal perspectiva.

 

A sensação é de uma constante mudança. Dizem-me que quem passou por Abu Dhabi em 2008 não a reconheceria este ano. Pareceu-me exagero, mas provavelmente não era.

 

aqui escrevi que a mudança da sede da Siemens no Médio Oriente para a futura cidade sustentável de Masdar não é uma surpresa. Abu Dhabi está finalmente levantar a voz, a definir o seu papel no globo e a transformar-se num dos grandes centros de negócios do mundo.

 

Abu Dhabi é a porta de entrada no Médio Oriente, uma região fundamental para as multinacionais e que será também, no curto prazo, uma das áreas geográficas de referência das consultoras de PR.

 

Estamos a falar de culturas muito diferentes e formas distintas de fazer negócios, ainda que estas estruturas estejam actualmente integradas nas chamadas EMEA (Europa, Médio Oriente e África).

 

As consultoras de PR que conseguirem desenvolver estratégias bem sucedidas para esta região – e a Edelman já o está a fazer – serão vencedoras globais.

 

Voltando à estratégia de Abu Dhabi: ao reconhecer que os recursos da capital dos Emirados Árabes Unidos não a sustentavam para sempre, o sheik Mohamed Bin Zayed Al Nahyan delineou uma visão económica de longo prazo para o emirado.

 

Neste documento, conhecido por Visão Económica de Abu Dhabi 2030, ficou provado que o caminho a seguir seria o do desenvolvimento sustentável. É daqui que parte o conceito de Masdar, mas há outras revoluções a caminho em áreas como a energia, indústria, serviços, finanças, indústria aeroespacial, saúde, TIC, imobiliário, infra-estruturas, educação ou turismo.

 

Finalmente, aproveito este post para falar também da entrega do Mundial 2022 à candidatura do Qatar (mesmo ao lado dos Emirados Árabes Unidos).

 

Não me lembro de um desafio tão entusiasmante – e difícil – relacionado com uma organização desportiva. Ou outra. Este mundial ultrapassará, em complexidade, o sul-africano. (E a FIFA sobe a sua parada com outro mundial de difícil execução e operacionalização, a realizar na Rússia).

 

Bem sei que ainda falta mais de uma década para a competição, mas esta será uma excelente oportunidade para percebermos quanto vale esta região. Acredito que este mundial, jogue-se em Janeiro ou Junho, será um sucesso.

 

Serão investidos 29 mil milhões de euros, sendo 18 mil milhões destinados à construção de um sistema de metro. A aposta neste mundial é, também, uma aposta na sustentabilidade. Abu Dhabi já o está a fazer, Qatar vai seguir estas pisadas.

 

É este, aliás, o único caminho possível para o futuro do Médio Oriente. E também aqui as consultoras de PR terão um importante trabalho a desempenhar, ligando stakeholders e construindo pontes entre esta região e a Europa, os EUA, África e os BRIC.