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José Manuel Costa

José Manuel Costa

Simon Kuper

04.03.11, José Manuel Costa

Simon Kuper é mais de que um escritor britânico com raízes no Uganda, África do Sul, Holanda e França, ele é um dos melhores colunistas do Financial Times, com a particularidade que escreve, sobretudo, sobre futebol (e até tem direito a perfil na Wikipedia).

 

Há uns dias, Kuper defendeu no FT que os países em desenvolvimento estavam (também) a ganhar a batalha pelos eventos desportivos.

 

Sim, é verdade, eu próprio já o tinha aqui afirmado, ainda que numa óptica de eventos generalistas e não apenas desportivos.

 

Desde Maio de 2008, recorda Kuper, a Rússia organizou uma final da Champions League e foi escolhida para sede de um Mundial, a China conseguiu um brilharete com os Jogos Olímpicos de Pequim, o Qatar receberá também um Mundial, assim como o Brasil, que acumula esta organização com uns sempre complicados Jogos Olímpicos.

 

Isto para não falar do Mundial 2010.

 

Diz Kuper que este fenómeno é mais que global… é regional. Veja-se o caso dos jogos da Commonwealth, que se realizaram na Índia.

 

Esta tendência, creio, veio para ficar. Para além de dar prestígio ao País em questão, volto a frisar que estes eventos são oportunidades para dotar os respectivos países e cidades que os recebem de um conjunto de infra-estruturas ligadas à sustentabilidade urbana, melhoria da qualidade de vida e mobilidade dos cidadãos.

 

É esse, para mim, o maior desafio, por exemplo, de cidades como o Rio de Janeiro ou São Paulo – até porque, como Kuper bem explica citando economistas especializados em desporto, não está provado que organizar um evento traga nem mais turismo nem investimento estrangeiro para os respectivos países.