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José Manuel Costa

José Manuel Costa

Lunch with the FT

24.08.11, José Manuel Costa

Lunch With the FT é o nome de uma secção regular da edição de fim-de-semana do Financial Times – no suplemento Life & Arts.

 

Os textos são particularmente bem escritos – bom, estamos a falar de um jornal particularmente bem escrito… –, inundados de informações de background sobre a personagem e intercalados com fait divers que nos ajudam a conhecer melhor o cidadão entrevistado.

 

O perfil dos convidados varia todas as semanas. De cabeça, lembro-me de Michele Bachelet, do ciclista David Millar, de Durão Barroso, há uns meses - creio que num restaurante de Lisboa -, de Vidal Sassoon, mais recentemente.

 

Não sei se pelo clima criado pelo entrevistador, se por influência do tipo de entrevista gastronómica ou se pelo próprio mood da conversa, a verdade é que o texto sai informal e descontraído. Uma autêntica pérola entre as dezenas de páginas do FT.

 

Este fim-de-semana, o FT entrevistou Julián Castro, o mayor da sétima cidade norte-americana, San Antonio, e uma das estrelas em ascensão do  partido democrata. Castro representa uma nova geração de políticos, que se espera que saia beneficiada com a mudança do perfil do eleitorado norte-americano nos próximos anos.

 

A comunidade hispânica, por exemplo, é a que mais cresce nos EUA, sendo responsável por mais de metade do aumento populacional dos anos 90 – contabilizado em 27,3 milhões de pessoas –, e cerca de 90% do crescimento do Texas. Este Estado, juntamente com a
Califórnia (outro bastião de língua espanhola), é o mais populoso do País.

 

Deixo quatro notas sobre o Lunch With the FT deste fim-de-semana. E fico já à espera do próximo entrevistado.

 

1. Julián Castro pretende cumprir quatro mandatos de dois anos como mayor de San Antonio. No final desse período, em 2017, poderá então concorrer a governador do Texas, um dos cargos mais poderosos dos Estados Unidos.

 

2. Castro acredita que em 2017 o Texas pode cair para qualquer lado, democratas ou republicanos, algo impensável hoje. Conhecido pelo Red State, o Texas não elegeu nenhum representante democrata nas suas últimas 29 eleições, ou seja, desde 1994. Para se ter uma ideia da influência texana nos republicanos, o actual governador do Texas é Rick Perry, candidato a destronar Barack Obama. Antes dele, pontificou no cargo o ex-presidente George W. Bush.

 

3. Hoje, os políticos ligados ao voto hispânico debatem-se com um fraco nível de afluência às urnas desta população – muitos deles estão ilegais nos Estados Unidos e os restantes ainda não podem votar, por causa da idade. Ou seja, os hispânicos correspondem a 16% da população norte-americana, mas apenas 7% dos votantes norte-americanos.

 

4. Julián e o irmão, Joaquín, simbolizam o crescimento dos políticos hispânicos nos Estados Unidos. Nascidos em San Antonio, em 1974, e filhos de uma activista política e social de origem mexicana, Rosie Castro, frequentaram Stanford e Harvard. O FT diz que eles são mais parecidos com os ingleses Ed e David Milliband que com Barack Obama. Ainda assim, e ao contrário dos Millibands, estão politicamente mais próximos.