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José Manuel Costa

José Manuel Costa

Os prémios da Inovabilidade

16.09.11, José Manuel Costa

Inovabilidade. É esta a palavra que a EDP Brasil utiliza para falar de sustentabilidade. A palavra resulta da união entre inovação e sustentabilidade e representa, também, um recente acto de gestão da EDP Brasil. É verdade, a empresa uniu os seus departamentos de inovação e sustentabilidade, o reconhecimento que a segunda depende, essencialmente, da primeira.

 

Esta deliciosa história foi contada ontem, na cerimónia de entrega dos Green Project Awards (GPA) 2011, pelo presidente da EDP Brasil, António Pita de Abreu. Os GPA são, eles próprios, os prémios da inovabilidade, pelo que o comentário não poderia ter tido uma melhor audiência.

 

Os GPA 2011 foram um sucesso. Ontem, na presença da Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas – a fazer a sua estreia no GPA – foram premiados oito projectos.

 

Assunção Cristas explicou que via com bons olhos o facto de o GPA unir o sector empresarial ao governamental e não governamental e, numa alusão ao projecto Terraprima, que saiu da Culturgest com uma menção honrosa, argumentou que tinha ficado provado que a Agricultura e o Ambiente estavam de mãos dadas.

 

Aliás, a ministra disse que o Governo tinha como objectivo promover a produção agrícola - uma produção agrícola mais sustentável – e voltou a insistir na importância do mar para Portugal. “O nosso futuro será mais verde e mais azul, mais virado para o mar", disse.

 

Depois, Assunção Cristas elogiou a academia portuguesa – elogio que eu subscrevo, não só por aquilo que vejo, todos os dias, nos projectos que a GCI desenvolve com as universidades, mas também pelas inscrições no GPA e Nutrition Awards – e garantiu que “não há desenvolvimento económico se ele não for sustentável”.

 

Como sempre, os projectos premiados surpreenderam-me. E surpreenderam, estou certo, toda a plateia e os meus colegas de organização. Estão de parabéns a Eurest Portugal, a Amorim Isolamentos e a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro). (podem ver aqui os restantes premiados - eles são o futuro do desenvolvimento sustentável em Portugal).

 

Em quatro anos recebemos mais de 400 candidaturas, distribuídas por I&D, Comunicação e Produto/Serviço, mas o GPA 2011 ficará para sempre marcado pela ligação ao Brasil.

Em Maio, anunciámos uma parceria com o Rock In Rio, o maior evento de música e entretenimento do mundo e que tem uma poderosíssima estratégia de sustentabilidade, tendo investido mais de cinco milhões de euros em projectos relacionados com a inclusão social e desenvolvimento sustentável.

 

Por outro lado, ontem tivemos a oportunidade de ter connosco dois oradores ligados ao Brasil. Do primeiro, António Pita de Abreu, e da sua fantástica intervenção, já falei. O segundo não lhe ficou atrás. O artista plástico Vik Muniz foi directo ao assunto – duro, por vezes, na forma como falou da sua experiência em Jardim Gramacho, que utilizou para o documentário Lixo Extraordinário – e teve uma incrível empatia com os nossos convidados.

 

“Como artista plástico, passo mais de metade do meu tempo a pensar na sustentabilidade como um assunto pessoal” – começou por atirar, passando depois a explicar por que razão escolheu trabalhar o lixo. “Nós somos treinados para não ver o lixo, escondê-lo. Como artista plástico, pareceu-me muito interessante trabalhá-lo”.

 

Destaque ainda para as apresentações do secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, que realçou a importância da sociedade civil na multiplicação das boas práticas de sustentabilidade; e de Carlos Santos, administrador da Renova, que explicou que os produtos Green podem ter ‘sex appeal’. Carlos Santos avançou ainda que a empresa vai voltar a investir, em breve, nas energias renováveis, com um sistema solar fotovoltaico.

 

E deu-nos uma novidade, uma cacha com 60 anos! A Renova terá sido a primeira empresa portuguesa a apostar nas renováveis, nos anos 40, com uma turbina hidráulica. O que não deixa de ser uma inovabilidade fantástica para a época.