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José Manuel Costa

José Manuel Costa

Formação e o futuro das PR*

15.02.12, José Manuel Costa

*Artigo publicado no Imagens de Marca

 

A 10 de Novembro, Richard Edelman foi convidado para discursar no 50º jantar do IPR (Institute for Public Relations) norte-americano. Para uma data tão pomposa, o Presidente e CEO da Edelman escolheu um tema fracturante: re-imaginar a nossa profissão e as PR num mundo complexo.

 

Richard Edelman aproveitou para abordar vários temas que interessam ao futuro da nossa indústria, assuntos que, normalmente, ele expõe no seu blog, o 6 A.M. Hoje, vou escrever sobre um dos temas abordados por ele – a formação, um dos pilares do futuro da indústria e que passará, cada vez mais, por atrair e desenvolver os talentos com competências alargadas.

 

Diz Edelman que precisamos de pessoas com competências que vão para além da comunicação. Estamos a falar de licenciados em Economia, Gestão, Direito, Engenharia, Finanças – entre outros –, jovens que tenham passado experiências de funções governamentais, outros como conhecimentos  ólidos de estatística e métodos de análise (muito importante, por exemplo, para medir – rigorosamente – os resultados do nosso trabalho; ou encontrar os influenciadores digitais).

 

“As Public Relations devem oferecer uma carreira, não apenas uma mera passagem”, explicou.

 

Numa altura em que a indústria vive uma das suas fases mais importantes da história recente, em Portugal e resto do globo, é indispensável abrirmos a porta a outras qualificações e competências que não a comunicação.

 

Um exemplo: em Dezembro, a GCI lançou a segunda edição do “From Ordinary to Awesome”, um programa de estágios com um recrutamento único e que tem como objectivo formar consultores de Public Engagement.

 

Com uma duração de seis meses, o programa teve uma especial atenção em recrutar pessoas com formação académica ligada a várias áreas de competência que não a comunicação: Economia, Gestão, Direito, Geografia, Nutrição, Biologia, Bioquímica, Farmácia, Psicologia, Engenharia Civil, Medicina, Enfermagem, Engenharia do Ambiente ou Acção Social.

 

A primeira fase – a de recrutamento – decorreu durante o Verão e chegou a 45 faculdades de Lisboa, Porto e Coimbra, tendo sido recebidas mais de 600 candidaturas de 90 cursos diferentes. A avaliação final terá em conta dois eixos: a avaliação da formação em sala e os vários desafios que serão colocados ao trainee; e a avaliação pelo responsável de competência de cada trainee alocado.

 

Mais tarde será feito um relatório de avaliação, incorporando os vários elementos em análise e definindo as recomendações de integração ou não integração na GCI - assim como as funções que cumprem com o plano de carreira recomendado.

 

Finalmente, será feita uma reunião do board do projecto, onde serão explicitadas as necessidades operacionais de RH de cada competência e cruzadas as recomendações anteriores, no sentido de colocar os trainees com recomendação de integração. Assim, os melhores candidatos serão convidados a integrar a GCI.

 

Tal como a Edelman, a GCI está a re-imaginar as Public Relations, os nossos limites e responsabilidades. Estamos a mudar a forma como trabalhamos, pensamos, nos integramos ou relacionamos com as outras disciplinas do marketing.

 

Porque, sejamos realistas, o nosso lugar é cada vez mais junto dos conselhos de administração. E esse será, cada vez mais, o caminho da GCI: a procura pelo Public Engagement.

 

Tal como Richard Edelman, acredito que um profissional com uma formação diferente e experiências diversas pode, mais consistentemente, desenvolver uma ideia tão competente, arrojada e inovadora quanto vencedora. É esta a nossa aposta.